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segunda-feira, janeiro 30, 2006

A âncora da motivação.

Muito se fala sobre "motivação" e a razão disso deve-se ao fato de que ela é muito importante para darmos bom prosseguimento aos nossos planos, às nossas atividades. E, para despertá-la, para desenvolvê-la, para mantê-la, vimos surgir, nos últimos anos, uma verdadeira indústria de palestras, workshops, obras literárias, encontros de grupos... Em todos esses eventos, ressalta-se: a importância da "motivação", os fatores que podem afetá-la negativamente, os recursos dos quais podemos lançar mão para despertá-la, os benefícios que traz para a nossa vida profissional / social / pessoal / emocional. Muito bem! Tudo isso pode nos auxiliar sim, sem dúvida. Entretanto, na qualidade de participante de alguns desses eventos, pude observar os efeitos que eles causam sobre os seus freqüentadores e, principalmente, pude constatar que nenhum desses eventos implanta a "motivação", definitivamente, em nossas vidas (que me perdoem os profissionais dessa indústria pelo meu pecado de observar). Para muitos dos participantes, esses eventos agem como uma espécie de "lança perfume"; o efeito chega a ser devastadoramente empolgante, mas depois de algum tempo a animação vai diminuindo e... puft! Mas, para outros, esses eventos contribuem para a compreensão de como podem aperfeiçoar a relação que mantêm com as suas atividades. E pára por aí. Não há "indústria" que possa fazer aquilo que somente nós podemos fazer por nós mesmos. Fala-se: trace objetivos, defina onde você quer chegar, tenha ambição, busque eventos positivos para a sua rotina, valorize seus talentos etc... como se cada uma dessas recomendações pudesse guardar a chave que liga a "motivação". *Nenhuma delas liga (heresia de minha parte? será?). Essas recomendações são importantes na medida em que despertam e educam as nossas potencialidades, entretanto, elas mesmas não têm o poder de lançar a "motivação" em nossas vidas como uma âncora firme, como uma âncora capaz de sustentar os nossos planos, impedindo que eles se percam na correnteza do tempo. Todas essas recomendações só funcionam, definitivamente, se nós "acreditamos no que fazemos". Essa é a âncora da motivação. Se você acredita no que faz, você não "está" motivado, você "é" motivado. Se você acredita que está evoluindo fazendo o que faz (seja lá o que for que você faça), você não "está" motivado, você "é" motivado. Fico aqui pensando em quanto tempo e dinheiro as empresas queimam tentando motivar a parcela daqueles que não acreditam naquilo que fazem... gente que desfruta de um bom ambiente de trabalho, de algumas possibilidades de crescimento dentro da organização, de acesso a alguns recursos, mas que não conseguem sair da zona obscura da desmotivação. Opostamente, nossos olhos incrédulos observam, por exemplo, alguns delegados de polícia que, por força das circunstâncias, desconhecem o conceito de um "bom ambiente", que possuem escassos e indignos recursos de trabalho, que transitam no limiar da violência e do desrespeito humano, mas que, apesar disso, trabalham com energia. O que dizer, então, daquelas dedicadas professoras das perdidas periferias, ou das confiantes professoras dos distantes e esquecidos rincões do Brasil? Sem workshops, mas acreditando no que fazem; sem salário que baste para todo o mês, mas acreditando no que fazem. De "estou" para "sou" faz toda a diferença. Estou motivado é temporário. Sou motivado é definitivo. Estou motivado porque faço o que quero, onde quero, da maneira que quero (pasmem... não basta). *Sou motivado porque acredito naquilo que faço e acredito que estou evoluindo com aquilo que faço. "Acreditar" é uma dessas coisas que NÃO pressupõe meia medida. Não se acredita mais ou menos; acredita-se ou não acredita-se. Entretanto, "fazer" aceita meia medida; podemos fazer mais ou menos aquilo que fazemos... A escolha é nossa: "estar" ou "ser"? "ir fazendo" ou "acreditar"?
*Vida Nova

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