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segunda-feira, janeiro 30, 2006

O MANTRA GOSPEL



Facilmente encontramos reuniões cristãs que seus participantes deleitam-se em verdadeiros mantras, repetições mergulhadas em emoções exaltadas que levam seus adeptos ao êxtase crendo que estão na unção do Espírito Santo. Mas este tipo de ação é usada em outras religiões como no esoterismo e também por outros povos. O índio yanomani antes de enfrentar um inimigo começam a repetir um mantra e bater com uma vara no chão, em poucos minutos ele está ‘encapetado’, transformado, suas emoções e seus ímpetos estão na ‘flor da pele’ prontos a enfrentar o inimigo. Podemos falar que ele está literalmente encapetado, possuído por um espírito maligno, diferente dos crentes. Mas isto acontece também fora do ambiente espiritual. Quem já foi em um estádio de futebol assistir uma grande final ou participou de nervosas reuniões sindicais sabe o que estou dizendo. Basta meia-dúzia com os ânimos alterados para fermentar toda a massa, assim deve ter acontecido na escolha entre Jesus e Barrabás, A emoção é poderosa e tem uma enorme facilidade de guiar nossos atos e raciocínios. A música é o principal exemplo disto, ela dá energia, melancolia, reflexão, sedução, o que quiser. Por isso temos que avaliar os frutos destas ações, assim disse Jesus, e também Paulo quando se refere as manifestações espirituais, se a ação não favorece a comunidade e os irmãos então que seja manifesta somente na sua intimidade. E ai está uma curiosidade, pois fora da euforia emocional não vemos pessoas girando e pulando como vemos nos grandes agrupamentos. Mais um indicio de manifestação emocional e não espiritual.
Como é de praxe, seus lideres recitam versículos para fundamentar tais atos e o povo, principalmente a grande massa que é levada pelo senso comum, acredita em tudo que falam pois é um povo de ‘fé’ e o pregador é homem de Deus. Com isso a manipulação das emoções é com tirar doce de uma criança. Na última destas reuniões que fui, o pregador na sua tentativa de inflamar o público a ‘dar glória’ disse: “Dá glória irmão, é de glória em glória que recebemos a vitória” (até rima) e se baseou em 2Co 3.18. Mas o que vai mudar a minha vida ou a vida de alguém ficar repetindo ‘glória a Deus’, ‘glória a Deus’. Jesus já disse: “Não me venhas com vãs repetições!”. É vã porque não surte efeito, pois a Glória pode ser interpretada como ‘Shekiná’, a presença de Deus interagindo no meio do povo e ‘Kavod’, o peso, a riqueza de Deus sobre nós. No texto citado a glória de Deus é o próprio Senhor Jesus (Jo 1.14), o relacionamento diário com Ele é que nos faz crescer e nos dá a vitória, é através Dele que somos aperfeiçoados. Ele é a Palavra e Ela é o espelho que olhamos dentro do nosso coração e através da Luz de Cristo podemos enxergar a sujeira que precisa ser retirada. Ele é a riqueza de Deus interagindo conosco a nosso favor. Para sermos participantes desta Glória que transforma e faz crescer precisamos amar Jesus e isto vai muito além do gostar ou dizer meras palavras, é entrega, dedicação, obediência, pois Ele disse que se guardarmos a Sua Palavra, ou seja, obedientes, a Trindade fará morada no nosso coração. Teremos a Glória de Deus em nós, mas a Glória a Deus manifestamos quando exercemos a Sua vontade.
Há um outro sentido para a expressão ‘Glória a Deus’, não está ligada ao texto citado mas é de grande importância para nós cristãos. Esta expressão é um sinal de reconhecimento, é dar honra a quem merece honra, é gratidão à majestosa grandeza de Deus, é se colocar como súditos na presença do Rei. Mas infelizmente o que vemos é pessoas gritando ‘glória a Deus’ fora de hora, atrapalhando a pregação ou até quando algum irmão está compartilhando que foi assolado por uma desgraça e o outro manda: “Glória a Deus”, parece até que deu graças a Deus porque o irmão sofreu. Tem ainda aquele que manda um ‘Glória’ só para matar o silêncio, acabar com a monotonia, dar uma animada no ambiente, grita bem alto, perto do ouvido da senhora que está na sua frente, que apesar da sua audição não ser mais a mesma leva um tremendo susto.
“Glória a Deus”. Jamais afastaremos estas palavras de nossas bocas, mas temos que analisar o momento e a motivação, pois no culto tem que haver ordem, decência e respeito a liturgia, Paulo falou: “Cada um controle o seu espírito, a sua emoção, os seus atos”.
Mais do que a letra é o ‘espírito’ da letra, mais do que a palavra é a essência, o ‘espírito’ da palavra, a sua motivação. Deus ouve as palavras sinceras feitas na intimidade de um coração humilde e rejeita aquelas feitas por uma boca vaidosa, um coração orgulhoso e uma motivação enganosa. Isto não é um julgamento, de forma nenhuma! É apenas uma reflexão que se encaixa na vida de todo aquele que se denomina cristão, relevando que Deus ouve mais alto o nosso coração do que a nossa boca.
Graças a Deus, pois a Sua Glória habita e se manifesta entre nós.

Um Abraço cheio do amor de Cristo.
Clay
24.01.2005

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