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segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A IGREJA FOGÃO E AS PANELAS DIVISÓRIAS


Culto das mulheres, dos jovens, da libertação, entre outros títulos partidários que encontramos no meio evangélico são sutis separações que fazemos no rebanho de Deus. A priori transmite uma idéia de junção de um subgrupo, a posteriori chegamos a conclusão que é um cavalo de tróia, parecendo algo espetacular, mas é uma ferrugem que corroí aos poucos seus membros. É um vazamento que mina as forças do corpo.
Quando há um anúncio ‘culto das mulheres’, sendo um homem você iria? Se for inverso fica pior ainda. Uma mulher indo ao culto dos homens. Sabemos que não é exclusivo de um subgrupo, mas o culto já carrega no nome ‘das mulheres’, você entra e noventa por cento do público é mulher, então logo você cai em si que está no lugar errado. Da mesma forma que um crente com muito tempo de igreja não vai ao culto de libertação, pois ou ele vai ‘desencapetar’ os outros ou ele está em pecado. A intenção é ótima, atrair as pessoas que se identificam com aquele título, o partido anunciado, mas gera obstáculos para os outros que não se identificam. Libertação, prosperidade, bem-estar familiar, conhecimento bíblico, restauração e tudo o que se oferece nestes anúncios são conseqüências de todos os cultos a Deus, desde que seus participantes estejam mergulhados numa esfera de fé e obediência. Já o culto dirigido por um subgrupo é extremamente importante, pois gera a necessidade de formar líderes que vão dirigir um culto, mas este culto tem que ser para todos, as preparações devem ser feitas separadas e na sua maturação tem que ser servida a todos. Imagine o culto principal no domingo ser totalmente feito por adolescentes. Louvores, orações e até a Palavra sendo ministrada por eles. Da mesma forma com as mulheres ou a melhor idade. Provavelmente um culto de semana a tarde é dirigido por mulheres, mas o anúncio da reunião deve enfatizar a inclusão de todos.
Outro exemplo é dividir o rebanho em pequenos grupos, para uma igreja com muitos membros isto é inevitável, uma solução, para uma pequena igreja é um ataque terrorista, uma implosão e para uma igreja média é como andar no ‘fio de uma navalha’, situação delicada, é como dividir um átomo, pode gerar uma grande fonte de energia ou uma tremenda explosão. Os grupos vão se fechando e vivem o pequeno grupo mesmo fora dele, ou seja, carregam esta panela fechada para outras atividades que necessita de uma abertura para todos. A idéia de pequeno grupo transcende o motivo do qual foi criado e bloqueia a interação entre eles. Não há engrenagem entre os participantes dos pequenos grupos. Hoje temos uma sociedade hiper dinâmica, horários dos mais variados, por isso há necessidade de reuniões em lugares e dias diferentes, mas nunca podemos esquecer que somos UM CORPO e apenas uma reunião dominical não faz dele um corpo, pois muitas vezes o grupo se reúne mas não tem vida naquele grupo, é um vale de ossos secos. Isto fica nítido quando participamos de alguma atividade fora da igreja onde há uma convivência mais próxima, pode ser apenas três dias, seus relacionamentos e a intensidade entre eles se tornam muito mais próximos e forte, superando anos de comunhão dominical de apenas duas horas. A mão pode até fazer alguma atividade sozinha, mas ela só terá vida se participar do metabolismo corporal, alimentação e exercícios que não há como obtê-los fora do corpo e não há corpo forte que se alimente e se exercite apenas uma vez por semana. Não significa que precisamos nos reunir mais, precisamos a cada dia fortalecer a comunhão entre os membros do corpo fora das reuniões eclesiásticas. Telefonemas, e-mails, integração em passeios, diversões e principalmente em orações uns pelos outros mesmo que distantes fisicamente, assim o corpo se fortalece e cresce.
Fica claro que alguns alimentos precisam ser preparados em panelas separadas, os temperos são outros, a temperatura é diferente, mas é imprescindível que sejam servidos na mesma mesa, na mesma ceia, no mesmo culto que é para um único Senhor. E o culto a Deus é a expressão da nossa adoração refletida nas nossas ações e atitudes diárias nos relacionamentos entre os irmãos e principalmente com aqueles que não compartilham da nossa fé em Cristo. A igreja é um fogão que prepara os alimentos em panelas separadas, mais do que isto, a igreja é a mesa onde todos nós nos sentamos para participar de uma ceia servida pelo Nosso Senhor Jesus Cristo.

Clodoaldo Clay Nunes
20.02.2006

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