RECOMENDE!

sábado, setembro 30, 2006

Discurso do Charles Chaplin

Charles Spencer Chaplin, o Carlitos, foi cineasta e comediante inglês. O seu personagem do filme O Grande Ditador fez o seguinte discurso:“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar a todos, se possível judeus, o gentio... negros... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio. Por que temos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessa aproximação é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante, a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... Milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que oprime seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir, eu digo: ‘não desespereis!’ A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbirão e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, mesmo que morram homens, a liberdade nunca perecerá.Soldados! Não vos entregueis a esses homens violentos... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias, e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar ao mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação racionada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão. Não sois máquinas. Homens é que sois! E com o amor da humanidade na vossa alma! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazer amar e os desumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou de um grupo de homens, mas de todos os homens! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – poder de criar máquinas... o poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa! Portanto – em nome da democracia - , usemos esse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom, que a todos assegure o ensejo do trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês Hannah? O sol vai rompendo as nuvens, que se dispersam. Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo, um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da violência. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e, afinal, começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!”

Declaração de Independência dos Estados Unidos

"Nós temos por testemunho as seguintes verdades: todos os homens são iguais; foram aquinhoados pelo seu Criador com certos direitos inalienáveis e entre esses direitos se encontram o da vida, da liberdade e da busca da felicidade. Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses direitos, e seu justo poder emana do consentimento dos governados. Todas as vezes que uma forma de governo torna-se destrutiva desses objetivos, o povo tem o direito de mudá-lo ou de aboli-lo, e estabelecer um novo governo, fundando-o sobre os princípios e sobre a forma que lhe pareça a mais própria para garantir-lhe a segurança e a felicidade". (Declaração da Independência dos Estados Unidos de 1776)

Pensamento Zen

"Quem é mestre na arte de viver distingue pouco entre o trabalho e seu tempo livre, entre sua mente e o seu corpo, a sua educação e a sua recreação, o seu amor e a sua religião. Dificilmente sabe o que cada coisa vem a ser. Persegue simplesmente a sua visão de excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos outros decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele pensa sempre em fazer ambas as coisas juntas"

sexta-feira, setembro 29, 2006

O papa em Auschwitz - Henry I. Sobel

Domingo, encerrando sua viagem de quatro dias à Polônia, o papa Bento XVI fez uma visita carregada de emoção ao antigo campo de concentração nazista de Auschwitz. O próprio papa disse que fazer tal visita era "estarrecedor"para ele, como cristão e alemão, mas não podia deixar de fazê-la. Num gesto de grande sensibilidade, o papa optou por falar em italiano, e não em sua língua materna, o alemão, a fim de não ferir os sentimentos dos judeus, para quem a língua alemã está inextricavelmente associada aos horrores da era nazista.
Ao rezar durante uma cerimônia religiosa em memória das vítimas do Holocausto, o papa perguntou, com a voz embargada: "Por que, Deus, o Senhor se calou? Como pôde tolerar tudo isso? Onde estava o Senhor naqueles dias?"
Quando nos deparamos com o mal e a tragédia no mundo, é naturalperguntarmos: onde está Deus? Como Ele pode deixar que tal coisa aconteça? A meu ver, porém, não são estas as perguntas primordiais. O que nos devemos perguntar não é onde está Deus, mas, sim, onde está o homem. Não como pode Ele, Deus, permitir que tais coisas aconteçam, mas, sim, por que ele, o homem, permite que essas coisas aconteçam. O que é que o ser humano tem feito para impedir as barbaridades?
O biógrafo de Sigmund Freud conta o caso de um importante cirurgião vienense que, ao se encontrar com Freud pela primeira vez, num corredor do hospital onde ambos trabalham, lhe mostrou um osso corroído pelo câncer, testemunho de uma vida que ele tinha sido incapaz de salvar, e lhe disse sentir-se profundamente magoado: "Sabe, doutor Freud, se algum dia eu me encontrar frente a frente com Deus, vou sacudir este osso em Sua face e perguntar-Lhe por que Ele permite uma doença destas." E Freud respondeu-lhe: "Se eu, algum dia, tiver essa oportunidade, vou formular a queixa de um modo diferente.Não vou indagar por que Ele permite o câncer, e sim por que Ele não deu a mim, ou ao senhor, ou a qualquer outra pessoa, a inteligência para descobrir a cura desta doença."
Antes de perguntarmos "onde está Deus", cabe-nos formular a outra pergunta:"Onde está o homem?" O que está fazendo o homem com o mundo que Deus lhe deu?
A 2ª Guerra Mundial e os campos de concentração constituem o maior desafio à teologia em nossa época. Creio que todas as religiões deveriam rever seus conceitos, tendo em vista o que Auschwitz e Treblinka nos ensinaram sobre Deus e o homem.
Quando Hitler proclamava publicamente sua perversa política racial, por que as pessoas concordaram em aceitá-lo como líder? Onde estava o homem quando os eleitores da Alemanha disseram: "Antes Hitler, com suas idéias esquisitas sobre os judeus, do que a inflação ou o socialismo"? Onde estava o homem quando Hitler subiu ao poder e começou a concretizar suas loucas ameaças?Onde estavam os advogados, os juízes, os médicos e tantos outros que seguiram e apoiaram passivamente os decretos de Hitler?
Se os advogados tivessem lutado pela dignidade de sua profissão, se os juízes tivessem defendido a justiça, se os médicos se tivessem importado com a vida humana, não haveria necessidade de perguntar mais tarde: "O que houve com Deus?"
Onde estava a Igreja? Onde estavam as autoridades eclesiásticas, tão prontas para exaltar a santidade da vida humana, enquanto milhões e milhões de vidas inocentes estavam sendo aniquiladas? Onde estavam os líderes dos governos aliados que deram um jeito de olhar para o outro lado e não conseguiram encontrar um canto em seus países para os judeus refugiados? Temos, certamente, o direito de perguntar onde estava Deus em 1940, mas temos o dever de perguntar, antes, onde estava o homem em 1940. O que poderia ele, homem, ter feito para impedir o inferno do Holocausto... e não fez?
Existe uma lenda sobre um rabino que se preparava para viajar de Israel para Roma. Na noite anterior à sua partida, ele teve um sonho no qual viu um mendigo esfarrapado sentado às portas de Roma. No sonho, ele ouviu uma voz que lhe dizia: "Vê este homem? Este é o Messias vestido de mendigo." O rabino acordou e não conseguiu mais esquecer o sonho. Continuou a pensar nele durante toda a viagem. Finalmente, ao aproximar-se de Roma, avistou um homem maltrapilho, sentado exatamente no local que havia visto no sonho. O rabino chegou-se a ele e questionou: "É verdade que você é o Messias?" E o homem respondeu: "Sim." O rabino, então, perguntou: "O que é que você está fazendo às portas de Roma?" E o homem replicou: "Estou esperando." Ao que o rabino retrucou: "Esperando?! Num mundo tão cheio de miséria, ódio e guerra, num mundo onde o povo de Israel está disperso e oprimido, num mundo onde existem crianças famintas, você está aqui, sentado, esperando?! Messias, pelo amor de Deus, o que é que você está esperando?" E o Messias respondeu:"Tenho esperado por você, para poder lhe perguntar, em nome de Deus, o que é que você está esperando."
A visita do papa Bento XVI a Auschwitz, no domingo, o fez reviver um capítulo muito doloroso da História humana. Diante das lápides simbólicas naquele local em que ocorreu o maior massacre de todos os tempos, o papa sentiu a necessidade de perguntar onde estava Deus enquanto a bestialidade nazista agia impune.
Com todo o respeito, permito-me responder ao Sumo Pontífice: Deus estava onde sempre esteve, esperando que os homens assumissem o seu dever.

quarta-feira, setembro 27, 2006

ESTRANHOS ANIMAIS





As tentações do diabo

"O demônio, contrariamente à imaginária popular, muitas vezes veiculada por uma igreja sem autoridade, não é aquele que nos afasta, no plano moral, do bom caminho, apelando para a fraqueza da carne, mas aquele que, no plano espiritual, faz de tudo para nos separar (dia-bolos) desse vínculo vertical que nos religa a Deus e que é o único capaz de nos salvar da desolação e da morte"
(Luc Ferry em "O que é uma vida bem sucedida?" Difel - página 48)

Amor e Perda

"O risco do amor é a separação. Mergulhar na relação amorosa supõe a possibilidade da perda. Segundo o psicanalista austríaco Igor Caruso, a separação é a vivência da morte numa situação vital: a morte do outro em minha consciência e a vivência da minha morte na consciência do outro. Por exemplo, quando deixamos de amar ou não somos mais amados; ou, ainda, se as circunstâncias nos obrigam à separação, mesmo quando o amor recíproco permanece".
(Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins em "Filosofando" - Editora Moderna, 2004, página 337)

O homem não é o que é...

"Quando o filósofo francês contemporâneo Gusdorf diz que "o homem não é o que é, mas é o que não é", não está fazendo um jogo de palavras, porque o ser humano não se define por um modelo, por uma essência nem é apenas o que as circunstâncias fizeram dele. Define-se pelo lançar-se no futuro, antecipando, por meio de projetos, sua ação consciente sobre o mundo. Não há caminho feito, mas a fazer, não há modelo de conduta, mas processo contínuo de criação de valores. Nada mais se apresenta como absolutamente certo e inquestionável".
(Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins em "Filosofando", Editora Moderna - São Paulo - 2004, página 28.)

JOÃO PAULO II

"A arrogância do poder deve ser enfrentada com razão, a força com o diálogo, armas apontadas com mãos estendidas, o mal com o bem". (Papa João Paulo II, na sua palavra de segunda-feira, numa reunião anual de diplomatas mundiais).

Uma afirmação dura de Lya Luft

"Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, política. Não estamos nem aí. Botamos tapa-olhos para não enxergar o que se passa, vestimos máscaras para que a verdade não nos cuspa na cara e nos defendemos do rumor que nos ameaça botando fones de ouvido enquanto caminhamos na esteira para ficar em forma. Mas, individualmente, temos medo e solidão".
(Lya Luft na sua página Ponto de Vista da Revista Veja de 28 de abril de 2004).

Aprendendo a filosofar

"Lembrando Jaspers mais uma vez, a filosofia é a procura da verdade, não a sua posse, porque 'fazer filosofia é estar a caminho; as perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se numa nova pergunta'".
(Maria L A. Aranha e Maria H. P. Martins - Editora Moderna - 2004, página 91)

terça-feira, setembro 26, 2006

PIPOCA

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem passa pelo fogo e fica do mesmo jeito, a vida inteira, são pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimento cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo deque ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grandetransformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas, que por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada.
SEU DESTINO É O LIXO!!!
go pop corn!

segunda-feira, setembro 25, 2006

REVELAÇÃO NATURAL - Rm 1.18-32



Olhando para a natureza, para o imenso universo não podemos dizer que não há um Criador que criou tudo isso com um determinado propósito. Blaise Pascal, um dos maiores cientistas da nossa história afirmou que a ciência explica as coisas até um determinado ponto, após este, somente um Criador, uma Inteligência Suprema para dar fundamento às coisas. Por outro lado, há aqueles que dizem que não existem milagres, tudo é explicado naturalmente e aquilo que não foi ainda explicado é apenas porque ainda não foi compreendido.

“Quando contemplo um pouquinho do que se passa numa simples célula, sou tomado da mesma admiração e humildade que sinto ao contemplar o céu numa noite estrelada. A forma como as complexas atividades da célula concorrem coordenadamente para um propósito comum atinge a parte cientifica do meu ser, constituindo-se na melhor prova de um Propósito Supremo”, palavras de um cientista à Stott.[1] No v. 20 do primeiro capitulo de Romanos, Paulo diz: ‘claramente se reconhecem (...) sendo percebidos’. No grego, os termos são: nooumena e kathoratai, o primeiro ligado à noous, mente, inteligência e o outro a visão física. Ou seja, cada vez mais a inteligência cientifica levará pessoas à percepção de uma Inteligência Suprema, de um Criador.

O Doutor Russel Shedd em seu livro Criação e Graça afirma que a revelação de Deus pela criação não é suficiente para uma fé salvadora. Então, mais do que a revelação da criação, cada ser humano tem um senso moral, uma consciência mesmo que condicionada a uma cultura, difere entre o certo e o errado. Esta é uma fagulha do Nosso Criador, e desesperadamente ela busca O busca através de um ‘magnetismo espiritual’. Conhecemos esta fagulha como ‘nefesh haya’, ‘fôlego da vida’ ou ‘imagem e semelhança do Criador’. Ou seja, temos um espírito que busca o Espírito do Criador. Infelizmente, nesta busca os seres humanos extraviam suas adorações para as criaturas esquecendo-se de adorar o Criador. Por isso, Shedd declara a necessidade da revelação da graça, onde o ser humano abrirá os para um Deus de amor e não apenas o Criador.

[1] Stott, Romanos. P. 80
CLODOALDO CLAY NUNES
23.09.2006

A IRA DE DEUS - Rm 1.18-32

Ao ouvir a palavra ‘ira’ logo a relacionamos com a raiva humana, uma emoção irracional carregada de vaidade, hostilidade, malícia e vingança. Mas a ira de Deus nada tem haver com isso. C. H. Dodd em seu comentário de Romanos (1932) argumentou que Paulo não expressava uma reação pessoal de Deus, mas um processo inevitável de causa e efeito em um universo moral, seguindo um argumento parecido com a Segunda Lei da Termodinâmica, onde afirma-se que tudo está em estado de composição. O sol é um exemplo, pois já é certo que sua energia não durará para sempre. Mas quanto a ira de Deus não podemos despersonificá-la, pois ela é uma faceta do amor de Deus, uma indignação, uma hostilidade santa do Criador contra o pecado e o mal. Apesar de ser pessoal, pois Deus é uma pessoa, ela não carrega ressentimentos.
A ira de Deus se revela contra toda impiedade (asebeia) e injustiça (adikia) dos homens que suprimem a verdade pela injustiça (v.18). Asebeia é contra Deus e adikia é contra os homens. Suprimem a verdade, a ordem moral de Deus pela injustiça, ou seja, pelo egocentrismo.
Conhecendo a Deus...(v.21). Este conhecimento não engloba a graça salvadora, mas é o primeiro passo para o conhecimento da mesma. O que Paulo afirma é que eles conhecem a assinatura do Divino Autor na obra prima da criação e estão rejeitando-a por causa dos seus interesses egoístas.
A ira de Deus terá um dia especifico[1], mas não é sobre este dia que Paulo está nos dizendo, esta ira é Deus abandonando o pecador de dura cerviz rumo à degeneração da sua posição perante a revelação do Criador. Deus os entrega a uma espiral descendente da depravação pagã com três estágios: impureza sexual (24), paixões vergonhosas e a uma disposição mental reprovável (28).
“São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerado suas obras”; “Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis, porque, se eles possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente Aquele que é o seu Senhor?”, Livro apócrifo da Sabedoria, cap. 13.1,8,9.
[1] 1Ts 1.10; Rm 2.5,8
CLODOALDO CLAY NUNES
23.09.2006

domingo, setembro 24, 2006

As águas já rolaram

De onde veio e para onde foi a água do Dilúvio? Por outro lado, se os montes do ararate foram cobertos, como não acreditar no Dilúvio universal?

Por mais antigo que seja, o Dilúvio é assunto mais do que relevante em nossos dias. As águas de março já fecharam o verão, mas a grande preocupação de nossos dias ainda é com o clima. Será que o aquecimento global irá trazer um caos no clima mundial? O desastre do tsunami no sudeste asiático não sai da cabeça de muitos. Está na hora de olhar a meteorologia e pensar numa “teologia do tempo”. Afinal de contas, qual é a importância e relevância do Dilúvio? Quais questões podem ajudar a entender o assunto? Temos respostas para todas as perguntas? Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Dilúvio não é assunto que se limita à narrativa bíblica. A grande verdade é que se trata de um tema universal.Documentos egípcios falam que Ra decidiu exterminar o homem com um dilúvio de sangue que atingiu Heliópolis, morada dos deuses. Na mitologia indiana, conta-se que um peixe disse a Manu que um dilúvio destruiria todas as criaturas. Manu deveria construir uma embarcação e adorar o peixe, que acabaria por puxar seu barco e salvá-lo, o único sobrevivente da grande enchente. Os gregos também mencionam o Dilúvio em cinco lendas, conforme Plutarco. Na mais importante, Zeus envia um dilúvio, no qual Deucalião e Pirra salvam os filhos e os animais a bordo de um navio na forma de caixa. A descrição de um grande dilúvio também é comum na China, e em muitas culturas asiáticas, africanas e ameríndias.A semelhança maior com a Bíblia, porém, aparece na Babilônia.
O documento mais famoso é a Epopéia de Gilgamés que apresenta a principal correlação com o texto bíblico. O texto babilônico fala que Gilgamés é avisado sobre o dilúvio por Utnapishtim, e, como Noé, é salvo das águas. No relato, ele diz que o deus criador Ea avisou-o do dilúvio e ordenou-lhe que construísse um barco, onde ele levou sua família, bens e todas as criaturas vivas. O texto ainda afirma que a tempestade durou até o sétimo dia e a terra seca apareceu no décimo segundo dia, quando o barco repousou no monte Nisir. Outro texto babilônico antigo paralelo ao Gênesis é o Épico de Atrahasis. A história, com a perspectiva religiosa babilônica, contém muitos detalhes semelhantes aos relatos bíblicos da criação e do dilúvio. No conto babilônico, os homens se multiplicaram na terra e se tornaram barulhentos; por isso um dilúvio é enviado para destruir a humanidade. Um homem chamado Atrahasis é avisado sobre o dilúvio e recebe ordens para construir um barco. Ele constrói o barco e enche-o de alimento, animais e pássaros. Assim, se salva enquanto o resto do mundo morre. No final da história, Atrahasis oferece um sacrifício aos deuses e o deus principal aceita que o homem continue a viver na terra.Muitos já tentaram explicar esses relatos das mais diversas formas. Disseram que o Dilúvio é uma lenda universal que mostra o “incosciente coletivo” do ser humano. Outros afirmaram que são relatos independentes, que apenas simbolizam o renascimento da vida depois da chuva. Houve quem sugerisse que as lendas sobre um dilúvio são recordações derivadas do degelo no fim da Era Glacial, ocorrida há vários milênios. Porém, a única coisa que todos estes relatos comprovam é que houve algum dilúvio.
Não é possível que haja tantas histórias sem que nada tenha acontecido! Além disso, é impossível duvidar que uma grande inundação tenha acontecido pelo menos na região da Mesopotâmia, principalmente devido às semelhanças dos relatos.Os críticos da Bíblia ainda sugerem que os hebreus teriam copiado o dilúvio dos babilônios, já que tais relatos seriam mais antigos. O fato é que os primeiros hebreus vieram da Babilônia - veja Abraão - e conheciam a história. A diferença está na interpretação teológica. Os babilônios o relatam a partir de suas crenças, os hebreus a partir da fé no Deus de Israel. A arqueologia já comprovou que há cerca de 6 mil anos, uma gigantesca inundação atingiu a Mesopotâmia. Alguns sítios arqueológicos da antiga Suméria apresentam uma camada muito espessa de argila de aluvião, semelhante à que é depositada por inundações muito longas. Em E a Bíblia Tinha Razão, Werner Keller detalha bem o assunto. No fim das contas, o Dilúvio é um dos fatos mais confirmados da Bíblia. Há provas indiscutíveis de que houve uma grande inundação na Mesopotâmia antes da era patriarcal. Há centenas de tradições no Oriente Próximo e em todo mundo que contam a seu modo a história do Dilúvio. A grande dúvida entre os estudiosos das Escrituras, hoje, é qual foi a extensão do Dilúvio? Será que atingiu toda a terra? Ou foi apenas uma grande inundação regional?
Vejamos as dificuldades para a hipótese de um dilúvio universal:
De onde veio e para onde foi tanta água?
O volume de água para uma inundação mundial de quase nove quilômetros de altura seria oito vezes superior ao que temos no planeta. Isso destruiria todos os vegetais.
Além disso, como essa água desapareceu depois?
Poderiam os animais de outros continentes viajar até Noé e caberiam todos na arca?
A arca tinha 135 metros de comprimento por 22,5 de largura e 13,5 de altura, com três andares. Além de ser difícil acomodar todos os animais do mundo, como os animais que vivem em outros continents teriam se deslocado até lá? A mistura entre mares e rios não mataria muitos peixes? Sabemos que peixe de água doce não vive em água salgada. Se as águas do planeta se misturassem, os peixes dos rios teriam sido extintos.
Como armazenar alimento para tantos animais?
Se já é difícil acomodar os animais, como armazenar e alimentar tantos bichos por mais de um ano?
Por que Noé não foi anunciar a todos os povos o castigo de Deus? Se o Dilúvio atingiu todo o planeta, Noé não deveria viajar antes para avisar a todos os povos?
Por essas razões, muitos estudiosos acreditam que o Dilúvio foi regional, com significado universal. Apesar disso, eles também têm perguntas difíceis a serem respondidas:
Por que seria necessário construir uma arca, se os animais poderiam ter fugido para um outro lugar? Se a inundação atingiu somente uma região, será que faria sentido construir uma arca enorme para preservá-los? Não seria mais simples fazê-los migrar? O que dizer das aves migratórias? Elas entraram na arca?
A própria Bíblia não afirma que o Dilúvio cobriu toda a terra?
Ainda que se argumente que “debaixo do céu” refira-se a uma região, o texto de Gênesis 7.19-23 parece dar uma idéia de inundação global e não regional. Como acreditar que o Dilúvio foi parcial, se as águas cobriram os montes do Ararate? Seria possível que uma inundação cobrisse os altos montes do Ararate sem que Europa e África fossem inundadas?
Se Deus afirmou que o Dilúvio não se repetiria, como pode ter sido parcial? Parece não fazer sentido crer que uma inundação parcial não se repetiria. Através dos anos, centenas de inundações têm assolado o planeta. Como a promessa de Deus pode ser cumprida, se o Dilúvio foi apenas uma inundação local?Como toda a humanidade pode ser descendente de Noé? A Bíblia em Gênesis 10:32 nos diz que a terra foi povoada a partir dos filhos de Noé. Se o Dilúvio foi apenas regional, como isso poderia ser possível? Cada um deve avaliar as dificuldades das duas perspectivas e tomar a sua posição. A verdade é que, ainda que o Dilúvio tenha sido parcial, seu significado é universal. O Deus justo puniu a arrogância e maldade dos homens quando essas atingiram limites máximos. A misericórdia divina preservou Noé e sua família, mantendo a esperança de redenção.
Segundo Gênesis 9:11, não haverá outro dilúvio como aquele. Mas se nunca mais “as águas vão rolar”, isso não significa que não se deva dar atenção à confirmação que Jesus fez do Dilúvio e de seu alerta: “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o Dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem.” (Mateus 24:37-39)
Mesmo sem águas, o julgamento divino vai chegar. Esteja preparado!
Luiz SayãoTeólogo, hebraísta, escritos e tradutor da Bíblia. É também professor da Faculdade Batista de São Paulo, do Seminário Servo de Cristo e professor visitante do Gordon-Conwell Seminary.

SAPOS

PROVA DO AQUECIMENTO GLOBAL

sábado, setembro 23, 2006

REALIDADE - O REBE

Nossos Sábios nos dizem que quando D-us proclamou os Dez Mandamentos no Sinai, a voz Divina não teve eco.

Nossa missão como um povo, a nós confiada no Sinai, é implementar as crenças e ideais da Torá em nosso mundo: ensinar à humanidade que, não importam as condições de uma sociedade ou tempo em particular, há uma verdade transcendente, inequívoca e divinamente ordenada, bem como um código de comportamento a que devemos aderir. Mas com freqüência a pessoa sente-se desafiada por um mundo indiferente, que resiste aos seus esforços. Pode parecer que um ou outro preceito de Torá não "se encaixa" com a realidade vigente. Então a Torá nos diz que a voz que transmitiu a mensagem de D-us não tinha eco.

Um eco forma-se quando um som encontra uma substância que lhe resiste; ao invés de absorver suas ondas, a substância as repele, ricocheteando-as para o vácuo. A voz dos Dez Mandamentos não teve eco, porque ela permeou cada objeto no universo. Então cada "resistência" que pudéssemos ter em implementá-las é superficial e temporária. Finalmente, a essência de cada ser criado é consistente com, e totalmente receptivo, à bondade e perfeição que seu Criador deseja dele extrair.

CHUTSPÁ

Um dos sinais mencionados pelo Talmud como indicação da vinda iminente de Mashiach é uma geração notória pela sua insolência e audácia. "Chutspá irá aumentar… os jovens envergonharão os mais velhos… um filho desgraçará seu pai, uma filha se rebelará contra a mãe.…"
Como estes sinais foram todos cumpridos, e mais que cumpridos, sem que a redenção viesse, sugiro que façamos uso positivo da chutspá com a qual nossa geração foi aquinhoada. Vamos exigir atrevidamente de D-us, em termos que não deixem margem à dúvida, que como todos os prazos para a redenção já vieram e se foram, que Ele mande o redentor. D-us certamente gostará de nossa audácia e trará a tão esperada era de paz universal e perfeição Divina a este mundo.
PALAVRAS DE - O Rebe – Rabi Menachem Mendel Schneerson – líder do movimento Chabad- Lubavitch desde 1950, transformou universalmente a paisagem do judaísmo.
Considerado a figura mais influente do mundo judaico, o Rebe nasceu a 18 de abril de 1902 (11 de Nissan, 5662) em Nikolayev, uma cidade ao sul da Ucrânia.
MOSTRA A SEDE PELO MESSIAS

ÁRVORE ESTRANHA 2

ÁRVORE ESTRANHA

LIDERANÇA

Antes de tornar-se líder de Israel, Moshê (Moisés) era pastor. O midrash nos conta como certo dia, enquanto Moshê pastoreava os rebanhos de Yitrô no deserto do Sinai, um cabrito correu para longe do rebanho. Moshê correu atrás dele, até que o animalzinho chegou a uma fonte e começou a beber. Quando Moshê chegou ao cabrito, gritou: "Oh, não sabia que você estava sedento!" Acalentou o cabrito fugitivo nos braços e levou-o de volta ao rebanho. Disse o Todo Poderoso "Tu és piedoso ao pastorear ovelhas – tu irás pastorear meu rebanho, o povo de Israel."
Além de demonstrar a compaixão de Moshê, o incidente contém outra importante lição: Moshê percebeu que o cabrito não fugiu do rebanho por maldade – estava apenas sedento.
Quando um judeu se afasta de seu povo é apenas porque está sedento. Sua alma anseia por um significado na vida, mas as águas da Torá lhe escapam. Então ele vaga em terras estranhas, procurando mitigar sua sede.
Quando Moshê entendeu isso, pôde tornar-se líder de Israel. Apenas um pastor que não se apressa em julgar o cabrito fugitivo, que é sensível às causas de sua deserção, pode carinhosamente pegá-lo nos braços e trazê-lo de volta para casa.

A ALMA - O REBE

"A alma do homem é a lamparina de D-us" (Mishlê 20:27).
A chama não tem descanso, pois vive em perpétuo conflito entre dois rivais. Apega-se ao pavio, absorvendo sedenta o óleo que alimenta sua existência. Ao mesmo tempo, ondula para cima, procurando escapar de sua prisão material. Sabe que tal separação seria o fim de sua vida como chama manifesta e luminosa; apesar disso, assim é sua natureza.
Este é o paradoxo da chama da vida: seu apego ao pavio e ao combustível na lamparina sustenta tanto sua existência continuada como sua incessante luta para o aniquilamento.
"A alma do homem é a lamparina de D-us" – o homem, também, é dilacerado por estes dois anseios contrastantes. Por um lado, é atraído para si mesmo e a materialidade, em direção à vida e à existência. Ao mesmo tempo, aspira chegar a um ponto além de si mesmo, transcender as cadeias da materialidade e do passado. A tensão criada por estes conflitos é a essência da vida humana.

O HOMEM E O PRÓXIMO - O REBE

O fundador do chassidismo, Rabi Yisrael Báal Shem Tov, ensinou que cada existência, evento ou fenômeno que a pessoa encontra deve servir de lição de vida e de como servir ao Criador.
Um aspecto da vida moderna é a prática de se adquirir seguros contra uma variedade de circunstâncias imprevisíveis. Quando a pessoa compra uma apólice de seguro, está, de fato, juntando-se a um grupo de pessoas que concordaram em ser responsáveis pelos infortúnios uns dos outros. Se alguém sofrer uma perda é compensado pelos fundos acumulados pelos prêmios pagos por todos. A lição a ser extraída é óbvia: se tal consenso pode ser conseguido com respeito a bens materiais, muito mais deveria ser aplicado aos nossos assuntos morais e espirituais.
Devemos todos nos considerar como partes de um fundo mútuo universal: se o nosso próximo tem uma necessidade, seja ela de alimento e abrigo, ou conhecimento e conselhos, mesmo se estiver do outro lado do mundo e nunca se ouviu seu nome ou o da cidade em que mora, é responsabilidade de cada um de nós satisfazer esta necessidade.

POTENCIAL HUMANO - O REBE

“Vocês serão para Mim a terra escolhida”
O homem é comparado a um pedaço de terra: terrestre, árido, porém repleto de tesouros em potencial. Sob a superfície estão mananciais de águas vivificantes, reservas de energia, e depósitos de metais e pedras preciosas. O solo está vivo com a promessa de colheitas luxuriantes, prontas a brotar sob o devido investimento de trabalho árduo e devotado.
Para ter acesso a esses tesouros, a pessoa deve em primeiro lugar ter o discernimento e a previsão de olhar além da parte superficial. Deve-se sondar cuidadosamente o terreno e pontualmente sulcar, escavar, bombear, arar, semear e irrigar para que seja colhida a recompensa.
Cada ser humano – a topologia superficial pelo menos – é solo rico e fértil. É obrigação sua e de seu próxim tanto como oportunidade como responsabilidade: desenterrar e desenvolver seus recursos diversos e frutíferos ao máximo.

SABEDORIA

"Quem conhece os outros é inteligente,
Quem conhece a si mesmo é iluminado.
Quem vence os outros é forte.
Quem vence a si mesmo é invencível"

FELIZ ANO NOVO - 5767

O QUE LEVOU A IGREJA

Em Antioquia a fazer Missões

Autor(a): PR. JOHN R. W. STOTT

pastoreou por vários anos a Igreja de All Souls em Londres. É diretor do London Institute for Contemporary Christianity e autor de diversos livros.

Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciçamente testemunhado além da Judéia e Samaria. A partir de Antioquia chegaria aos confins da terra. Os dois diáconos evangelistas prepararam o caminho. Estevão através de seu ensino e martírio, Filipe através de sua evangelização ousada junto aos samaritanos e ao etíope. O mesmo efeito tiveram as duas principais conversões relatadas por Lucas, a de Saulo, que também fora comissionado a ser o apóstolo dos gentios, e a de Cornélio, através do apóstolo Pedro. Evangelistas anônimos também pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. Mas sempre a ação esteve limitada à Palestina e à Síria. Ninguém tinha tido a visão de levar as boas novas às nações além mar, apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. Agora, finalmente, vai ser dado esse passo significativo. A população cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e até mesmo em sua liderança, que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na cidade. Lucas não explica a diferença entre esses ministérios, nem se todos os cinco exerciam ambos os ministérios ou se os primeiros três eram profetas e os últimos dois mestres. Ele só nos dá os seus nomes. O primeiro era Barnabé, que foi descrito com "um levita, natural de Chipre" (Atos 4:36). O segundo era Simeão que tinha o sobrenome de Níger, que significa Negro, provavelmente um africano e supostamente ninguém menos que Simão Cireneu, que carregou a cruz para Jesus. O terceiro era Lúcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que é muito improvável já que ele preserva seu anonimato em todo o livro. Havia também Manaém, em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca, isto é, de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande. A palavra pode significar que Manaém foi "criado" com ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmão de leite. O quinto líder era Saulo. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade étnica e cultural de Antioquia e da própria igreja. Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor, e jejuando" que o Espírito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At.13:2). Algumas perguntas precisam ser respondidas. A quem o Espírito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles", as pessoas que estavam jejuando e orando? Parece-me improvável que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco líderes, pois isso implicaria em três deles serem instruídos acerca dos outros dois. É mais provável que se referia aos membros da igreja como um todo já que eles e os líderes são mencionados juntos no versículo 1 de Atos 13. Também em Atos 14:26-27, quando Paulo e Barnabé retornam, prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. Possivelmente Paulo e Barnabé já possuíam anterior convicção do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. Qual o conteúdo da revelação do Espírito Santo à Igreja em Antioquia? Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instruções de Deus para o dia de hoje. A instrução do Espírito Santo foi "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado", muito semelhante ao chamado de Abrão: "vai para a terra que te mostrarei". Na verdade em ambos os casos o chamado era claro mas a terra e o país não. Precisamos observar também que tanto Abrão como Saulo e Barnabé precisariam, para obedecerem a Deus, darem um passo de fé. Como foi revelado o chamado de Deus? Não sabemos. O mais provável é que Deus tenha falado à igreja através de um de seus profetas. Mas seu chamado também poderia ter sido interno e não externo, ou seja, através do testemunho do Espírito em seus corações e mentes. Independente de como o receberam, a primeira reação deles foi a de orar e jejuar, em parte, ao que parece, para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. Notamos que o jejum não é mencionado isoladamente. Ele é ligado ao culto e à oração, pois raras vezes, ou nunca, o jejum é um fim em si mesmo. O jejum é uma ação negativa em relação a uma função positiva. Então jejuando e orando, ou seja, prontos para a obediência, "impondo sobre eles as mãos os despediram". Isto não era uma ordenação ao ministério muito menos uma nomeação para o apostolado já que Paulo insiste que seu apostolado não era da parte de homens, mas sim uma despedida, comissionando-os para o serviço missionário. Quem comissionou os missionários? De acordo com Atos 13:4 Barnabé e Saulo foram enviados pelo Espírito Santo que anteriormente havia instruído a igreja no sentido de separá-los para ele. Mas de acordo com o versículo seguinte foi a igreja que, após a imposição de mãos, os despediu. É verdade que o último verbo pode ser entendido como "deixou-os ir", livrando-os de suas responsabilidades de ensino na igreja, pois às vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. Mas ele também o usa no sentido de dispensar. Portanto creio que seria certo dizer que o Espírito os enviou instruindo a igreja a fazê-lo e que a igreja os enviou, por ter recebido instruções do Espírito. Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos. O primeiro é a tendência para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito sem nenhuma referência à igreja. O segundo é a tendência para o institucionalismo, pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem nenhuma referência ao Espírito.
Conclusão
Não há indícios para crermos que Saulo e Barnabé eram voluntários para o trabalho missionário. Eles foram enviados pelo Espírito através da igreja. Portanto cabe a toda igreja local, e em especial aos seus líderes, ser sensível ao Espírito Santo, a fim de descobrir a quem ele está concedendo dons ou chamado. Chamado missionário não é um ato voluntário, é uma obediência à visão do Senhor. Assim precisamos evitar o pecado da omissão ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmãos com clara convicção de que foram chamados por Deus, bem como a precipitação de o fazermos com outros que possuem os dons para tal, mas sem confirmação do Espírito à igreja.
O equilíbrio é ouvir o Espírito, obedecê-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra.

TÁ COM SEDE?

RAPOSA

CORUJA

ANTILOPES

QUE MEIGO

FLAMINGO

GOLFINHOS

DUAS IRMÃES

CAOS EM PROGRESSO

MATOU 4 MORTOS

HONESTO

LULABELHA

quarta-feira, setembro 20, 2006

GAVGAY

VAI UM CHOPP AI?

segunda-feira, setembro 18, 2006

AGOSTINHO DE TAGASTA

"SANTO AGOSTINHO"
O peso do amor

Autor(a): PR. JORGE PINHEIRO

É Mestre da Ciências da Religião pela UMESP, Teólogo pela Fac. Teológica Batista de São Paulo e Jornalista pela Fac. de Ciências Sociais da Universidade do Chile. É pesquisador do CNPq para a área de Ciên. da Religião. - E-mail: jorgepinheiro@hotmail.com

"O mundo está transtornado, como se estivesse numa prensa. Coragem, cristãos, sementes da eternidade, peregrinos neste mundo, a caminho da cidade do céu! As provações que se multiplicam são o destino dos tempos cristãos, mas não constituem um escândalo para o cristão. Se amas este mundo, blasfemarás contra Cristo. E é isso o que te sopra o teu amigo, o teu conselheiro. Mas não deves escutá-lo. Se este mundo está sendo destruído, diz a ele que Cristo o previu". [Sermão de Agostinho em outubro, sobre a queda de Roma, invadida pelos godos alguns meses antes, em 24 de agosto de 410].
Em l986, o mundo cristão comemorou 1600 anos da conversão de um homem apaixonado pela vida: Aurélio Agostinho. Aqui não faremos uma biografia desse pastor da igreja cristã, mas analisaremos, ainda que a galope, um dos momentos mais lindos de sua teologia, aquela que fala sobre o Espírito Santo e o amor.
A África, berço de Agostinho, produziu três gênios do cristianismo: Tertuliano, Cipriano e o próprio Agostinho. O futuro bispo de Hipona nasceu no dia 13 de novembro de 354, na cidade de Tagasta, antiga Numíbia, hoje Anabá, na Argélia. Seu temperamento combinava paixão, sensualidade, e amor pelo conhecimento e pela verdade. Aos 17 anos uniu-se afetivamente a uma jovem, que lhe deu um ano depois, seu único filho, Adeodato. Durante 14 anos foi fiel a sua companheira.Intelectual brilhante, tornou-se maniqueísta na juventude. O maniqueismo foi fundado por Mâni, na Pérsia, no século III. Era um sincretismo que combinava elementos dos zoroastrianismo, budismo, judaísmo e cristianismo. Segundo Mâni, a luz e as trevas, o bem e o mal estão eternamente em guerra. Alguns conceitos do maniqueismo, como a concepção de espírito e matéria, aproximavam-se muito do pensamento gnóstico. Para os maniqueus, o homem era a prisão material do reino do mal.Em 384, Agostinho tornou-se professor de retórica em Milão, capital ocidental do império. Separou-se de sua primeira companheira, unindo-se a uma segunda. Nessa época, aproximou-se do neoplatonismo, uma interpretação mística e panteísta do pensamento de Platão. Essa filosofia quebrou a dureza de seu coração materialista e criou as condições para que mais tarde aceitasse o cristianismo. Mas nesse meio tempo, Agostinho tinha chegado ao fundo do poço. Seus ideais neoplatônicos e sua vida dissoluta estavam em choque. Certo dia, estava em seu jardim em Milão, refletindo sobre a força moral do cristianismo, que vira nos monges egípcios, homens simples, mas coerentes em sua fé, quando... e Agostinho conta nas Confissões: "E eis que ouço algo como uma voz, vinda de uma casa vizinha. Ela dizia, cantante, repetindo frequentemente: Toma! Lê! Toma! Lê! No mesmo instante, minha fisionomia mudou, fiz recuar as lágrimas que me assaltavam e pus-me a ler o que se encontrava no primeiro capítulo em que abri. Imediatamente, fez-se como que uma luz de segurança derramando-se em meu coração e todas as trevas da hesitação se dissiparam". [Santo Agostinho, Confissões, 1a. parte, livro VIII, capítulo 12, p. 166, SP, Abril, 1973].O texto de sua conversão foi Romanos 13: 13-14. "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante as suas concupiscências".Converteu-se no verão de 386. Na Páscoa de 387, Agostinho foi batizado por Ambrósio, juntamente com o filho Adeodato e com o amigo de juventude, Alípio.
O PESO DO AMOR
A semelhança de Tertuliano, Agostinho concebe a geração do Filho como ato do pensamento do Pai. E o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é o amor mútuo entre ambos. Esse amor é uma Pessoa. Toda atividade de Deus ad extra decorre de sua natureza e é, por isso, comum às três Pessoas.Agostinho concebe imagens da Trindade no espírito humano, por causa de suas faculdades peculiares tais como o lembrar-se, o conhecer e o querer (memória, inteligência, vontade). "É no Vosso dom [Espírito Santo] que repousamos. Nele gozaremos de Vós. É o nosso descanso, é o nosso lugar. É para lá que o Amor nos arrebata e que o Espírito Santo levanta o nosso abatimento desde as portas da morte. Na Vossa boa vontade temos a paz. (...) O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio, porque o peso não tende só para baixo, mas também para o lugar que lhe é próprio. Assim, o fogo encaminha-se para cima e a pedra para baixo. Movem-se segundo o seu peso. Dirigem-se para o lugar que lhes compete. O azeite derramado sobre a água aflora a superfície. A água vertida sobre o azeite submerge debaixo deste. Movem-se segundo o seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão em seu lugar próprio, agitam-se, mas quando o encontram, ordenam-se e repousam". [Idem, op. cit., livro XIII, capítulo 9, pp. 291-292]. Este texto não é somente belo. Mil e trezentos anos antes de sir Isaac Newton, Agostinho intuia que há coisas tão leves, que sobem, ao invés de cair. E que todas as coisas só encontram o repouso quando estão no lugar que deveriam estar. E escreve um dos mais belos textos sobre o amor:"O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que eu vá, é ele quem me leva. O Vosso dom inflama-nos e arrebata-nos para o alto. Andamos e partimos. Fazemos ascensões no coração e cantamos o cântico dos degraus. (...) É o Vosso fogo, o Vosso fogo benfazejo que nos consome, enquanto vamos e subimos para a paz da Jerusalém celeste. Regozijei-me com aquilo que me disseram: iremos para a casa do Senhor. Lá nos colocará a boa vontade, para que nada mais desejemos senão permanecer ali eternamente". [Idem, op. cit., livro XIII, capítulo 9, p. 292]. Para Agostinho, todo conhecimento é uma forma de amor. Só se ama aquilo que se conhece. E, a busca do conhecimento pressupõe sempre um conhecimento prévio. Para entender o pensamento de Agostinho sobre o amor é bom lembrar que ele vê Deus como unidade plena, viva e guardando dentro de si a multiplicidade. Em Deus há três pessoas consusbstanciais: Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai é a essência divina em sua profundidade insondável. O Filho é o Logos, o verbo, a razão e a verdade, através da qual Deus se manifesta. O Espírito Santo é o amor, mediante o qual Deus dá nascimento a todos os seres.É por isso que Agostinho diz:"As três coisas que digo são: existir, conhecer e querer. Existo, conheço e quero. Existo sabendo e querendo; sei que existo e quero; e quero existir e saber. (...) Repare, quem puder, como a vida é inseparável nestes três conceitos: uma só vida, uma só inteligência, uma só essência, sem que seja possível operar uma distinção que, apesar de tudo existe". [Idem, op. cit., livro XIII, capítulo 11, p. 293]. Assim, para Agostinho, o amor encontra o seu objeto no mesmo lugar que a razão o descobrira: no mais íntimo da alma, onde a memória se abre para Deus e onde mora a verdade. Na doutrina de Agostinho, a metafísica é inseparável da ética.A INFLUÊNCIA PLATÔNICAO pensamento de Agostinho sobre o amor tem uma base ética, que vem de Platão. Para o sábio grego, o conhecimento consiste numa vitória da inteligência sobre os sentidos. O filósofo será tanto maior quanto mais se distancia do passageiro, para se apegar as realidades inteligíveis."Eles, os filósofos genuínos, desde os anos juvenis, não sabem o caminho da ágora, nem onde fica o dicastério, ou a sala do senado, ou o lugar onde se tratam dos negócios da cidade. Não escutam, nem lêem os decretos e as leis proclamadas ou escritas. Nem sequer em sonhos participam das facções e nas hetairias, que porfiam na eleição dos magistrados, nas assembléias, nas ceisas ou nos festins (...) nem prestam as suas lascivas seduções". [J. de Castro Nery, Evolução do Pensamento Antigo, p. 88, PA, Globo, 1944.Mas como procurar, quando se desconhece o que se procura? Sócrates já havia observado: "Não buscarias, se já não tivesses achado". Assim, saber é, na maioria das vezes, recordar.Trabalhando com conceitos órficos e pitagóricos e com a mística do panteão grego, Platão propõe que o corpo é um túmulo e que se torna necessário um trabalho de purificação interna para expiar a sua queda do Olimpo. Em "Górgias", descreve o tempo de Cronos, quando os homens ainda eram julgados por um processo muito primitivo, em carne e osso. Plutão reclamava que os homens vinham cheios de beleza, muitos títulos, muitas jóias. Com isso, passavam até os assassinoa, ladrões e tiranos. Então, Zeus ordenou que deveriam ser julgados sem corpo.É verdade que foi breve a passagem de Platão pela mitologia grega, mas sem dúvida alguns conceitos permaneceram e estão ligados a sua formulação sobre moral. Assim, a terra onde moram temporariamente os mortais é apenas uma sombra comparada a outra. Os bem-aventurados estão lá em cima, nos céus, um lugar puro e ternamente agradável. Dessa forma, Platão defende a tese da imortalidade da alma, usando para isso argumentos da psicologia especulativa. Para ele, as reminiscências pressupõem que as almas estivessem existido antes. Daí, chega à conclusão de que se a alma é imortal, ela está ligada às realidade inteligíveis, pois estas são imateriais, imutáveis e incorruptíveis. Logo, a alma, por sua origem divina, também é imortal. E o corpo, pobre corpo, é um túmulo.Mas, o que impele a alma em direção ao bem? O amor. Não o sexo, que se funda na beleza dos corpos, mas se nutre da formosura da alma. No "Banquete", Platão parte do desejo sexual para chegar a forma divina de amor, que gera virtudes e pensamentos imortais.Na "Dialética" declara que são verdadeiras apenas as coisas imutáveis, necessárias e eternas. Essas verdades são as idéias, que estão acima do tempo e do espaço, e que só podem ser conhecidas pelo discurso, cujo tipo está nas provas matemáticas, e também pela intuição, que atinge os puros inteligíveis sem usar imagens.Todas as idéias são dependentes da Idéia Suprema, que é o Bem. Para Platão, a moralidade humana consiste em imitar a Idéia Suprema, fonte da felicidade.A virtude, que é a harmonia das faculdades humanas, é o meio para se chegar ao Bem. O homem, para Platão, é formado por uma alma trina: racional, que mora na cabeça; irascível, que mora no peito; e concupiscível, que mora no ventre. A virtude também se divide em três: a sabedoria, que domina a alma racional; a fortaleza, que robustece a alma irascível; e a temperança, que domina a alma concupiscível.No entanto, só a alma racional é espiritual e imortal. É espiritual porque move o corpo, mas é diferente dele. E é imortal porque participa das idéias eternas.A INFLUÊNCIA DE PAULO E DA TRADIÇÃO CRISTÃAs epístolas de Paulo, assim como a tradição cristã, fizeram parte da vida de Agostinho. Não podemos esquecer que ele se converteu ao ler Romanos 13. É interessante notar que, em seu livro XIII das Confissões, Agostinho cita Paulo -- que chama de Apóstolo com maiúscula -- 54 vezes, diretamente. Enquanto, em ordem decrescente, os livros seguintes mais citados são Salmos [31 vezes], Isaías [6 vezes] e Mateus [6 vezes]. As demais citações bíblicas estão abaixo desses números.Em textos que lembram I Coríntios l3 e também a primeira epístola de João, Agostinho diz que "o amor é a própria essência do homem, e por isso ele não encontra repouso enquanto não encontrar o seu lugar". [Philotheus Boehner e Etienne Gilson, S. Agostinho, Mestre do Ocidente in História da Filosofia Cristã, pp. 164-168, Petrópolis, Vozes, 1988].Assim, para ele o amor é a alegria ontológica mais profunda, e seria uma insensatez querer separar o homem de seu amor. O problema consiste, então, não em relação ao amor como tal, mas unicamente ao objeto do amor. "Porventura, se diz que não deveis amar coisa alguma? De modo algum! Imóveis, mortos, abomináveis e miseráveis: eis o que seríamos se não amássemos. Amas, pois, mas atende ao que é digno do teu amor". [Idem, op. cit., pp. 164-168] .O problema central da moralidade é, portanto, para Agostinho -- e aqui ele traduz toda a tradição cristã -- , o da reta escolha das coisas a serem amadas. O amor consiste, principalmente, num peso interior, que atrai o homem para Deus. Amar sinceramente o outro significa amá-lo como a nós próprios, o que só é possível num plano de igualdade: quer elevando-o ao nosso nível, quer elevando-nos ao plano da pessoa amada.Entre o amor a Deus e o amor ao homem há um elemento comum: o amor ao bem. Portanto, o amor sempre terá por objeto o ser e o bem. É justo que amemos o próximo como a nós próprios, pois, enquanto bem ele se encontra no nosso nível.Amar a Deus, porém, é amar o bem como tal. Já não pode haver igualdade entre o amante e o amado. Para amar a Deus, convenientemente, devemos amá-lo de modo absoluto, com desigualdade. Ou seja, amá-lo mais que a nós próprios. De modo absoluto: sem esperar retribuição e sem comparação. A tradição cristã das testemunhas martirizadas estavam perto demais da vida de Agostinho, de forma que falar desse amor por Deus não era apenas exercício teológico.De todas as maneiras, para o bispo de Hipona esse processo não significava aniquilamento do eu, pois, no amor a Deus, esquecer-se equivale a encontrar-se e perder-se a ganhar-se.Assim, segundo a tradição apostólica e cristã, tomada por Agostinho, para entrar na plena posse do bem perfeito é necessário que o homem abdique de si próprio. Essa entrega plena a Deus, que assegura a posse de seu objeto, é o amor.O amor não é apenas o coração da moralidade, é a própria vida moral. O começo do amor é o começo da justiça, o progresso no amor é o progresso da justiça, a perfeição do amor é a perfeição da justiça. Dominado pelo amor, o homem cumpre cabalmente a lei divina. Amar e fazer o bem tornam-se sinônimos. CONCLUSÃOEsse amor pregado por Agostinho chegará à plena realidade com seu trabalho A Cidade de Deus. O império está sendo ameaçado, Roma sitiada acusa os cristãos por esta decadência política. E a discussão teológica dos anos anteriores, sobre a relação dialética entre o poder do Espírito e a majestade do amor, cria carne e vira praxis. Agora, como profeta preocupado com o destino da igreja no século presente, o bispo de Hipona clama: "Dois amores construíram duas cidades: o amor de si próprio em detrimento de Deus e o amor de Deus em detrimento de si próprio. Uma delas glorifica-se em si mesma e mendiga sua glória junto aos homens, a outra glorifica-se no Senhor. Deus, testemunha de sua consciência, é a maior glória da outra cidade". [A Hamman, Santo Agostinho e Seu Tempo, p. 307, SP, Paulinas, 1989].Dessa maneira, o que era pessoal nas Confissões toma uma dimensão universal na Cidade de Deus. O amor de Deus abarca toda a humanidade. Aliás, quando as pessoas, vivendo a decadência daqueles momentos, diziam que os tempos eram maus, Agostinho replicava: "Os tempos são aquilo que nós somos. Não há bons tempos, há somente boas pessoas". [Idem, op. cit., p. 308]. Essa relação entre amor e cidade de Deus, para Agostinho está ligada ao caráter errante da vida cotidiana. "Todo homem vaga e procura. O que procura ele? Busca descanso, procura felicidade. Não há ninguém que não procure ser feliz. Pergunta a um homem qualquer o que ele deseja, e te responderá que procura a felicidade. Mas os homens não conhecem a estrada que leva à felicidade, nem o lugar onde a encontrar. Por isso é que eles vagam. Cristo recolocou-nos na boa estrada, no caminho que leva à pátria. Como caminhar? Ama, e correrás. Quanto mais fortemente amares, mais depressa correrás em direção à pátria". [Idem, op. cit., p. 309]. Assim, o amor em Agostinho toma uma conotação universal, dentro da mais pura tradição paulina. Por isso, finalizamos esse estudo com um pensamento chave do pastor de Hipona: "Se quiseres saber qual é a cidade e a que chefe obedeces, escruta teu coração e examina teu amor. É o amor que identifica os homens e constrói as cidades. É pelo amor que seremos julgados". [Idem, op. cit. p. 307].A CRISTOLOGIA DE AGOSTINHO1. Mediador. "Cristo nos reconcilia com Deus pelo sacrifício da paz, permanecendo um só com Aquele a quem fez a oferta, unindo em Si mesmo aqueles por quem ofereceu o sacrifício, sendo Ele mesmo um só como ofertante e sacrifício ofertado".Atenção: ele é mediador enquanto homem, não enquanto Palavra. O objetivo total da encarnação da Palavra era que ele fosse cabeça da igreja e agisse como mediador. A intenção de Agostinho não é eliminar o papel da Palavra, mas enfatizar a humanidade de Cristo. O que essa doutrina procura mostrar é que, na humanidade de Cristo, o homem caído e seu Criador possuem um ponto em comum, onde pode ser efetivada a obra da reconciliação e da restauração.2. Essa mediação se realiza através da reconciliação -- a divindade participa de nossa mortalidade a fim de que participássemos de sua imortalidade; e da libertação -- liberta nossa natureza das coisas naturais, "a fim de tornar deuses aqueles que eram homens". Não é deificação, mas glorificação, uma libertação de Satanás.Agostinho dramatiza: "Do sangue de Cristo como o preço que foi pago por nós e aceito pelo diabo só para, então, ver-se acorrentado". É uma dramatização, uma alegoria. Satanás não possuía nenhum direito sobre a humanidade. O dominío dele, após o pecado, é uma permissão, não uma determinação de Deus. Por isso, Cristo não devia nenhum resgate à Satanás.Alguns teólogos consideram que o centro da soteriologia de Agostinho é a libertação do homem das mãos de Satanás. Discordamos desses estudiosos. Agostinho deixa claro que "mediante Sua morte, o mais verdadeiro sacrifício oferecido em nosso favor, Ele expurgou, eliminou e destruiu ... qualquer culpa que tínhamos". "Ele ofereceu este holocausto a Deus, estendeu suas mãos na cruz... e nossas maldades foram propiciadas... Tendo nossos pecados e maldades propiciados por meio desse sacrifício vespertino, nós passamos para o Senhor, e o véu foi removido". 3. A humildade de Deus. O ensino de Agostinho não tem precedentes. "Cristo demonstrou o amor e a sabedoria de Deus". O que deve levar nossos corações a adorar a humildade de Deus, que conforme revelada na encarnação, rompe nosso orgulho. "Fazemos bem em crer, ou melhor, em manter firme e inabalável em nossos corações, que a humildade demonstrada por Deus, ao nasce de uma mulher e ao ser compelido à morte de modo tão ignominioso por homens mortais, é o remédio supremo para curar nosso orgulho intumescido, o profundo mistério [sacramento] pelo qual os laços do pecado são rompidos".Daí tira duas conclusões:A. É a humildade objetiva que se mostra na encarnação e na paixão que torna possível nossa reconciliação.B. Nossa imitação de Cristo é o efeito da graça divina liberada pelo sacrifício da cruz sobre nossos corações. "Jamais teríamos sido libertados, nem mesmo pelo único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, se Ele também não fosse Deus. Quando Adão foi criado, ele era obviamente justo, não sendo necessário um mediador. Mas quando o pecado estabeleceu um imenso abismo entre a humanidade e Deus, foi preciso um mediador singular no nascimento, na vida e na morte sem pecado, a fim de que fôssemos reconciliados com Deus e conduzidos à vida eterna mediante a ressurreição da carne. Assim, pela humildade de Deus, o orgulho humano foi repreendido e curado, e mostrou-se ao homem o quanto ele se afastara de Deus, pois foi necessária a encarnação de Deus para a restauração do homem". [J. N. D. Kelly, Doutrinas Centrais da Fé Cristã, SP, EVN, 1994, p. 300]. A ECLESIOLOGIA DE AGOSTINHOA eclesiologia de Agostinho capitulou às pressões dos acordos políticos com o império romano helenístico e do crescente poder da hierarquia da igreja de seu tempo, o que levou-o a distorcer sua própria teologia. Por isso, todos nós, herdeiros da Reforma, discordamos da eclesiologia de Agostinho, mas nem por isso deixamos de ver nele um grande teólogo da igreja cristã.
Assim, para Agostinho:
1. A igreja é o domínio de Cristo, Seu corpo místico e Sua noiva -- a mãe dos cristãos. Fora dela não há salvação. Os cismáticos podem ter a fé e os sacramentos, mas não conseguem tirar bom proveito deles, pois o Espírito Santo só é outorgado à igreja.
2. A igreja da qual Agostinho fala é a igreja católica de seu tempo, com sua hierarquia e sacramentos e com seu centro em Roma. Para ele, é a verdadeira igreja por ensinar toda a verdade e não fragmentos dela e por abranger todo o mundo.
3. Nesse sentido a igreja de Agostinho é universal, empírica e visível a qualquer momento. É uma comunidade mista, abrangendo bons e maus.
BIBLIOGRAFIA recomendada
Agostinho, Confissões, São Paulo, Abril, 1973
Boehner e Gilson, S. Agostinho, Mestre do Ocidente in História da Filosofia Cristã, Petrópolis, Vozes, 1988
Cross e Livingstone, The Oxford Dictionary of the Christian Church, Oxford University Press, 1988.Finley, Los Griegos de la Antiguedad, Barcelona, Editorial Labor, 1970
Hamman, Santo Agostinho e Seu Tempo, p. 307, SP, Paulinas, 1989
Platão, Diálogos / O Banquete / Fédon / Sofista / Político, SP, Abril, 1979
______O Banquete, Sintra, Portugal, Publicações Europa América, 1977
W. Walker, História da Igreja Cristã, SP, Aste, 1967

sábado, setembro 16, 2006

sexta-feira, setembro 15, 2006

OITO BONS PRESENTES QUE NÃO CUSTAM UM CENTAVO.

O PRESENTE ESCUTAR...
Mas você deve realmente escutar. Sem interrupção, sem distração, sem planejar sua resposta. Apenas escutar.
O PRESENTE AFEIÇÃO...
Seja generoso com abraços, beijos, tapinhas nas costas e aperto de mãos. Deixe estas pequenas ações demonstrarem o amor que você tem por família e amigos.
O PRESENTE SORRISO....
Junte alguns desenhos. Compartilhe artigos e histórias engraçadas. Seu presente será dizer, "Eu adoro rir com você."
O PRESENTE BILHETINHO...
Pode ser um simples bilhete de "Muito obrigado por sua ajuda" ou um soneto completo. Um breve bilhete escrito à mão pode ser lembrado pelo resto da vida, e pode mesmo mudar uma vida.
O PRESENTE ELOGIO...
Um simples e sincero, "Você ficou muito bem de vermelho", "Você fez um super trabalho" ou "Que comida maravilhosa" faz o dia de alguém.
O PRESENTE FAVOR...
Todo dia, faça algo amável.
O PRESENTE SOLIDÃO...
Tem momentos em que nós não queremos nada mais do que ficar sozinhos. Seja sensível à esses momentos e dê o presente da solidão ao outro.
O PRESENTE DISPOSIÇÃO...
A maneira mais fácil de sentir-se bem é colocar-se à disposição de alguém, e isso não é difícil de ser feito.

quinta-feira, setembro 14, 2006

TIPOS DE AMIGOS E AMIGAS

Nescau - Energia que dá gosto
BomBril - Mil e uma utilidades
Ponto Frio - O bonzão
Casas Bahia - Dedicação total a você
Toddynho - Companheiro de Aventuras
Sprite - Imagem não é nada
Redbull - Te dá asas
Brahma - O número 1
Nike - Just do it
Havaianas - Todo mundo usa
Telefônica Celular - A sua melhor companhia
C&A - Abuse e use
Free - Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum
Close-up - Fale de perto
Avanço - Você usa, elas avançam
Maisena - Você mexe e ele engrossa
Engov - Te dá um trato na bebedeira
Telescópio - Te faz ver estrelas
Pilha - Te deixa ligadão
Cavalo - Dispensa comentários
Volkswagen - Você conhece, você confia

MANDAMENTOS

Dicas simples para conquistar a tão sonhada qualidade de vida ...
Os dez mandamentos de Nuno Cobra, preparador físico
1- Durma pelo menos oito horas e tente acordar sem despertador. "Ele é uma agressão ao organismo".
2- Alimente-se em pequenas quantidades a cada três horas.
3- Cheire a comida, pegue as folhas com as mãos e mastigue o mais devagar possível.
4- Exerça alguma atividade física pelo menos três vezes por semana. uma hora de caminhada pode ser praticada por qualquer pessoa, em qualquer lugar, e é suficiente para obter os benefícios do esporte.
5- Evite ficar nervoso. Em situações de stress, experimente bocejar e espreguiçar.
6- Dedique pelo menos quinze minutos do dia à meditação. Escolha um local silencioso, sente-se numa posição confortável e se esqueça da vida.
7- Tome ao menos dois banhos frios por dia. Esse hábito é energizante.
8- Nenhum tratamento irá funcionar se você não abandonar seus vícios, a começar pelo cigarro.
9- Quando fizer exercícios físicos, concentre-se apenas neles. Não leia enquanto pedala na bicicleta nem ouça música enquanto corre.
10- Preste atenção ao fluxo de ar que entra e sai de seu pulmão e procure respirar mais profundamente.Faça elogios com mais freqüência. Essa tática funciona como um ímã e faz com que todos queiram estar a seu lado.

Os cinco mandamentos de Alfredo Halpern, endocrinologista
1- Não se culpe por ser gordo. Procure ajuda e emagreça.
2- Fuja das fórmulas mágicas e das dietas milagrosas. O que vale é aprender a comer.
3- Não há alimento proibido. O segredo é não exagerar em nada.
4- É possível comer bem e ter um peso normal.
5- Obesidade é uma doença e, às vezes, seu tratamento requer a intervenção de medicamentos. Mas lembre-se: eles precisam ser receitados por um médico.

Os cinco mandamentos de Fernanda Lima e Ari Stiel Radu, reumatologistas
1- Não pratique exercícios em locais expostos à poluição, como avenidas movimentadas. Escolha horários com menos tráfego ou deixe para se exercitar em casa, numa esteira, por exemplo.
2- A regularidade traz mais benefícios à saúde do que a intensidade na atividade física.
3- Fique atento à postura. Se você não se cuidar, todo o esforço com atividades fisicas poderá ser em vão.
4- Seja paciente com seu corpo. Em um mês, você não vai recupar o atraso de dez anos.
5- Evite exercitar-se em horários de calor excessivo, para não sofrer desidratação.

Os cinco mandamentos de Mauricio Hirata, clínico geral
1- Arrume um espaço na agenda para fazer ginástica, como o horário do almoço.
2- Coma alimentos saudáveis. Se for o caso, leve a comida de casa.
3- Ponha um comedouro para pássaros na janela de sua casa ou apartamento=e observe os movimentos dos animais. "É excelente para relaxar".
4- Não perca muito tempo de seu dia no trânsito. Se você mora longe o trabalho, mude-se para mais perto.
5- Deixe a janela do quarto entreaberta se você tem dificuldade em acordar de manhã. A luz ajuda o cérebro a perceber que já é dia

Os cinco mandamentos de Tânia Rodrigues, nutricionista
1- Acostume-se a beber mais água. Deixe um litro sobre a mesa de trabalho e outro dentro do carro.
2- Inclua pelo menos três frutas na alimentação diária. Elas garantem quantidades mínimas de vitaminas, fibras e minerais, que ajudam a prevenir diversos tipos de câncer.
3- Não saia de casa sem se alimentar. Se sua refeição for apenas um cafezinho, pelo menos acrescente um pouco de leite à xícara.
4- O jantar deve ser a refeição mais leve do dia. Se você tem mais fome à noite, faça um esforço e coma menos nesse horário. O corpo se acostumará e você terá mais apetite de manhã.
5- Coma uma pequena porção de algum alimento rico em carboidrato trinta minutos antes das atividades físicas. Isso vai melhorar seu rendimento

Os cinco mandamentos de Hong Jin Pai, acupunturista
1- Reclamar da vida só causa stress. Em vez de resmungar porque faz frio, vista um agasalho.
2- Passamos a maior parte do dia no trabalho. Por isso, você precisa amar o que faz.
3- Aproveite o trânsito para escutar alguma música que goste, estudar um idioma ou, se não estiver dirigindo, leia.
4- Seja otimista. Lembre-se de que todas as crises são passageiras.
5- A terceira idade deve ser a melhor fase da vida. Estude, exercite-se e leia. Ficar parado só acelera o envelhecimento.


OS MAIORES MANDAMENTOS:
1. AMARÁS A DEUS DE TODO O SEU CORAÇÃO, DE TODA A TUA ALMA, E DE TODA A SUA FORÇA.
2. AMAR UNS AOS OUTROS COMO JESUS NOS AMOU.

domingo, setembro 10, 2006

O enigma de Tó

O carro do Tó pifou enquanto ele passava por um lindo mosteiro. O Tó bateu à porta do mosteiro. Um monge atendeu-o, o Tó contou o que se tinha passado com o carro, e o monge convida-o para passar a noite. Os monges ofereceram-lhe um ótimo jantar e depois encaminharam-no para um pequeno quarto, onde ele iria dormir. O Tó agradeceu e dormiu serenamente até ser acordado por um estranho mas bonito som. Na manhã seguinte, enquanto os monges lhe reparavam o carro, o Tó perguntou que som era aquele que o tinha acordado.
- Lamentamos", disse o monge. "Não lhe podemos dizer o porquê do som. Você não é monge." O Tó ficou desapontado, agradeceu aos monges e foi embora bastante curioso. Alguns anos mais tarde, o tó passava novamente em frente ao mosteiro. Parou e foi pedir aos monges se podia passar ali a noite, já que tinha sido tão bem tratado da última vez que lá estivera. Os monges concordaram e ele lá ficou. De madrugada, ele ouve de novo o tal som estranho e lindo. Na manhã seguinte, pediu aos monges para lhe explicarem o som. Mas os monges deram-lhe a mesma resposta. - "Lamentamos. Não lhe podemos falar acerca do som. Você não é monge" Então a curiosidade transformou-se em obsessão. Ele decidiu desistir de tudo e tornar-se monge, porque era a única maneira de desvendar aquele mistério. Então ele informa os monges da sua decisão e começou a longa e difícil tarefa de se tornar monge. 17 anos depois, Tó era finalmente um verdadeiro membro da ordem. Quando a celebração acabou, ele rapidamente dirigiu-se ao líder da ordem, e perguntou pelo som. Silenciosamente, o velho monge conduz o Tó a uma enorme porta de madeira. Abriu a porta com uma chave de ouro; essa porta conduziu a uma 2ª porta, esta de prata; depois uma 3ª de ouro; e depois a 4ª, de brilhantes; a 5ª de pérolas; a 6ª de diamantes; a 7ª de safiras; a 8ª de esmeraldas; a 9ª de rubis; a 10ª, novamente de ouro; a 11ª, novamente de prata; até que chegou à 12ª porta, esta de madeira normal. A cara do Tó encheu-se de lágrimas de alegria assim que viu a origem de tal lindo e misterioso som que ele ouvira tantas vezes... Nunca tinha sentido uma coisa assim... Era uma sensação indiscritivel... Durante toda a vida dele tinha esperado por aquele momento.
Mas não posso dizer o que era.
VOCÊ TAMBÉM NÃO É MONGE !!!...

segunda-feira, setembro 04, 2006

JOCUM

"HAY QUE BUSCARSE UN AMANTE"

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Mas não se trata do mesmo tipo de amante que você está imaginando. Leia este interessante texto de Jorge Bucay, para descobir que você também precisa ter amante.
Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que elas precisam de um AMANTE!É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!" Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto... Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista ... da SUA VIDA...Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um amante ...
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental: "PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA."
Dr. Jorge Bucay

COFRINHO E CARRO FORTE

Sinergia & Poder

QUANDO DUAS OU MAIS PESSOAS, EQUIPES E EMPRESAS UNEM SUAS HABILIDADES, A SINERGIA ASSUME O CONTROLE- Michael Angier
O poder da união de duas, ou mais, pessoas em direção ao mesmo alvo não tem limites claros. E, ao contrário do que poderia parecer, dobrar o número de pessoas em um projeto não dobra sua força. Veja o que acontece, lendo este texto sobre o poder da sinergia.por Aldo Novak
Quando não há pessoa alguma olhando para você, ninguém pedindo sua atenção e nenhum telefone tocando, compromisso chamando, ou problemas gritando por soluções, no que você pensa? Para qual lugar do mundo sua mente leva você? com quem você gostaria de estar? Este lugar é quente ou frio? Cheio ou vazio? Natural ou artificial? Perto ou distante? Não importa o que você queira, será muito mais fácil e divertido chegar lá se as pessoas certas estiverem tentando chegar também. Remando no mesmo barco, com você, e na mesma direção. Isso não é bobagem.Vou contar um caso citado por Michael Anger: Michael cresceu como fazendeiro e conta que, no nordeste do Canadá, há uma competição anual de bois. A competição consiste em criadores de gado levando seus bois mais poderosos para uma festa. Lá, a comunidade vai descobrir quem tem o boi mais forte da região. Há alguns anos, o boi campeão conseguiu puxar 4 toneladas (4.082,31 kg, para ser exato) sozinho. Diga a verdade: alguns dos seus problemas, às vezes, parecem ter este peso, não é mesmo?Algumas pessoas começaram a se perguntar: quanto seria possível arrastar se os dois primeiros colocados fossem postos juntos, puxando o mesmo peso? As apostas começaram: os mais otimistas arriscaram 7,2 toneladas, 7,7 toneladas e até 8 toneladas -- porque alguns garantiram que os dois bois juntos dobrariam sua força. Os criadores, que já sabiam o que iria acontecer, riam das apostas.O que você acha? a maioria das pessoas pensa que quando unimos nossas forças, em um casamento, em uma equipe de trabalho ou em nosso grupo de voluntários, na melhor das hipóteses dobramos nossa capacidade. Será?Quanto peso os dois bois conseguiram arrastar, juntos? Para assombro de todos, os bois que, individualmente, conseguiram puxar 4 toneladas, juntos arrastaram quase... doze toneladas (11.793 quilos e 34 gramas...) - quase três vezes o peso máximo puxado por cada boi. Um peso que só poderia ser puxado por três bois, mas eram somente dois. Isso é sinergia, palavra que significa que 1+1, na vida real, equivale a 3 ou 4... ou mais. Depende que quem são estes "1 + 1". Quem é o "1" que está ao seu lado no trabalho, no casamento, na empresa, na escola, na equipe esportiva? E você? Está sendo o “1” certo ou está atrapalhando mais do que ajudando? Vocês estão puxando o peso juntos, tornando-o mais leve para ambos, ou cada um puxa o mesmo peso para direções diferentes -- neste caso aumentando ainda mais o peso final e paralisando sua jornada?Isso acontece com casamentos -- e quando me refiro a casamento, estou falando de um casamento de verdade, onde ambos se unem pelos propósitos comuns, não onde ambos se casam "solteiros" -- Alguns casamentos são sinérgicos, e o casal consegue muito mais juntos, que separados e onde o todo é maior do que as partes que o compõe. Quem é o "1" que está ao seu lado? Não importa o que você queira, será muito mais fácil chegar lá se as pessoas certas estiverem tentando chegar também. Com você. E muito mais difícil se as pessoas que estão ao seu lado não são sinérgicas. Neste caso, serão dois bois puxando o peso para direções opostas. Qual o resultado?
Aldo Novak
Coach, jornalista e conferencista, diretor da Academia Novak do Brasil.

CONFIANÇA

"A PESSOA CERTA É A QUE ESTÁ AO SEU LADO NOS MOMENTOS INCERTOS". - Pablo Neruda
O empresário certo é o que investe em seus funcionários nos momentos incertos; o funcionário certo é o que aposta na empresa nos momentos incertos; os colegas certos são os que permanecem lutando, junto com você, nos momentos incertos; o amor certo é o que está ao seu lado, chova ou faça sol, nos momentos incertos;
por Aldo Novak
Nos momentos de sua vida nos quais tudo está indo bem e dando certo, as pessoas erradas se aproximam.Você não as notará, porque está tudo certo. Verá o melhor delas, porque está tudo certo. Gostará mais delas, porque está tudo certo. Será mais fácil de iludir você, sua empresa, departamento ou até toda a sua família, amigos e colegas, porque está tudo certo. Como um cruzeiro em um iate, todos nós sofremos uma certa dose de "ilusão das férias de verão" quando conhecemos alguém, seja na vida profissional ou pessoal, com a qual só experimentamos momentos de calmaria, de festas, de alegria. Momentos muito bons, mas nos quais é impossível separar o "joio do trigo". Momentos nos quais só vemos o melhor ângulo da personalidade de uma namorada (ou namorado), um funcionário, um sócio, um parceiro. Temos, portanto, uma visão perigosamente monodimensional. Muitos casamentos acabam, quando marido e mulher descobrem que a personalidade da outra pessoa é muito mais complexa do que podia ser visto durante a fase de namoro e noivado -- especialmente quando aquela fase não ofereceu "crises" para testar o casal. Os dois só viram o "trigo", antes do casamento, descobrindo o "joio" depois. Sim, há casos em que o joio é visto bem antes, mas alguns de nós fazem questão de fingir que não estão vendo nada, ou que depois essa pessoa mudará...Quantas pessoas que você considerava "grandes amigos", não se afastaram imediatamente, assim que você perdeu aquele emprego? Sim, é impossível avaliar amigos, colegas, funcionários e amores sem o teste das crises.Para conhecer realmente essa pessoa, você tem que observa-la quando o iate entrar em uma tempestade gigantesca no meio do oceano, quando o navio estiver sob risco de afundar, e um grupo de piratas começar a destruir tudo e invadir a nau. Neste momento, você verá, de modo cristalino, quem é que corre para os botes salva-vidas esquecendo-se completamente de você, da empresa ou do projeto, e quem está com você até o fim -- seja este fim qual for. Por isso, antes de julgar alguém pelo belo sorriso em um dia de sol, veja se o sorriso ainda está lá, mesmo que haja lágrimas em um dia de chuva.
Como explicou Pablo Neruda: A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos.
Aldo Novak
Coach, jornalista e conferencista, diretor da Academia Novak do Brasil.

domingo, setembro 03, 2006

MILAGRES

Creio em milagre, mas não em excesso, porque milagres em excesso nos enfraqueceriam. Nesse caso seríamos dependentes dos milagres e não da nossa obediência as leis naturais. Apenas a quantidade suficiente de milagres para sabermos que Ele está presente, mas não demais, para não dependermos do prodígio, quando deveríamos depender de nossa própria iniciativa de seus processos sistemáticos para nosso desenvolvimento.
E. Stanley Jones

O JOGO DA VIDA

"A VIDA NADA TEM HAVER COM DADOS, MAS SIM,
COM REINOS, CLERO, PEÕES E SEUS CAVALOS"
CLAY

CHAPINHA