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segunda-feira, setembro 25, 2006

A IRA DE DEUS - Rm 1.18-32

Ao ouvir a palavra ‘ira’ logo a relacionamos com a raiva humana, uma emoção irracional carregada de vaidade, hostilidade, malícia e vingança. Mas a ira de Deus nada tem haver com isso. C. H. Dodd em seu comentário de Romanos (1932) argumentou que Paulo não expressava uma reação pessoal de Deus, mas um processo inevitável de causa e efeito em um universo moral, seguindo um argumento parecido com a Segunda Lei da Termodinâmica, onde afirma-se que tudo está em estado de composição. O sol é um exemplo, pois já é certo que sua energia não durará para sempre. Mas quanto a ira de Deus não podemos despersonificá-la, pois ela é uma faceta do amor de Deus, uma indignação, uma hostilidade santa do Criador contra o pecado e o mal. Apesar de ser pessoal, pois Deus é uma pessoa, ela não carrega ressentimentos.
A ira de Deus se revela contra toda impiedade (asebeia) e injustiça (adikia) dos homens que suprimem a verdade pela injustiça (v.18). Asebeia é contra Deus e adikia é contra os homens. Suprimem a verdade, a ordem moral de Deus pela injustiça, ou seja, pelo egocentrismo.
Conhecendo a Deus...(v.21). Este conhecimento não engloba a graça salvadora, mas é o primeiro passo para o conhecimento da mesma. O que Paulo afirma é que eles conhecem a assinatura do Divino Autor na obra prima da criação e estão rejeitando-a por causa dos seus interesses egoístas.
A ira de Deus terá um dia especifico[1], mas não é sobre este dia que Paulo está nos dizendo, esta ira é Deus abandonando o pecador de dura cerviz rumo à degeneração da sua posição perante a revelação do Criador. Deus os entrega a uma espiral descendente da depravação pagã com três estágios: impureza sexual (24), paixões vergonhosas e a uma disposição mental reprovável (28).
“São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerado suas obras”; “Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis, porque, se eles possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente Aquele que é o seu Senhor?”, Livro apócrifo da Sabedoria, cap. 13.1,8,9.
[1] 1Ts 1.10; Rm 2.5,8
CLODOALDO CLAY NUNES
23.09.2006

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