RECOMENDE!

segunda-feira, outubro 16, 2006

ATALHOS

Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos
os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de
nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí
mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra
dar o braço a torcer.

Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um
século para aceitar o fim de uma relação, e outro século
para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos
demoramos para dizer a alguém o que sentimos,
demoramos para perdoar um amigo, demoramos para
tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário.
37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja
no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não
pode continuar sendo desperdiçado.

Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente
estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda
se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer
tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito
pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.

Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito
discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa
idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a
rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E
isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.

Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não
esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não
necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas.
Não desperdiçam mais nada.

Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório
conviver com ela.

O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.

A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro
enquanto espera.

Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para
ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho.
Paciência para a música e para os livros. Paciência para
escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa
dedicação. Pra enrolação, atalho.

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