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quarta-feira, dezembro 06, 2006

A PESCARIA DO DOPS



Está na moda a pescaria esportiva. Pescar apenas pelo prazer de pegar o peixe e depois soltá-lo. Concentram-se num pequeno lago uma multidão de peixes, somente qualidades desejadas pelos ‘esportistas’ e alimentando-os como porcos na engorda, pois o interessante é pegar o mais pesado, e nunca se esquecendo de soltar depois.
A pergunta é, para que isso?
Pelo mundo vemos muitos absurdos. Em alguns países, animais são deuses, em outros, judiam até matar, como as touradas. Já no Brasil seguimos a linha Maluf, ‘estupra, mas não mata’. Até pouco tempo atrás os rodeios eram uma série de torturas, hoje parece que está organizado. Mas há muitas rinhas de galo que são proibidas, mas seguem livremente com sua barbárie.
A pescaria esportiva transmite a idéia de piedade, ‘olha vou solta-lo!’. Mas espera ai. Imagine o trauma que o peixe passa. Primeiro o pescador apela, usa da necessidade do peixe, a comida, para fisga-lo e começar sua triste tortura. Com um anzol afiado atravessado em sua boca, luta irracionalmente para se livrar, pois se fosse racional pensaria: “vou me entregar logo e este idiota vai me devolver na água”. Infelizmente o peixe não se entrega e na sua valentia luta contra o algoz até desfalecer na água. E o carrasco se alegra dizendo: “e bichão brigador”.
Não vejo problema na pescaria, mas usa-la como esporte é uma tortura. Os pescadores quando questionados dizem que os peixes têm sangue frio e não sentem dor. Epa! Quem tem sangue frio nesta história? Não conseguem ver a dor e o sofrimento do peixe, ressaltando que é um sofrimento fútil, inútil. Não há necessidade para determinada ação.
Agora voltando para a história do peixe pescado. Depois de desgastado pelo pescador o peixe é retirado quase morto da água. Bom lembrarmos que o pescador tem tanta afinidade com a pescaria que ele nem pega o peixe com a mão, espreme a boca da vitima com um alicatão. Tempo apenas para pesa-lo e tirar as fotos. Pronto para ir dessa para uma melhor, o peixe é ressuscitado na beira da água. Após fazer os primeiros movimentos é liberto pelo algoz com um cara de satisfação e de quem ainda fez um bem para o peixe.
Será que este peixe terá uma vida normal? Ou toda vez que ver um alimento na água pedindo para ser devorado logo se lembrará do anzol atravessado na sua boca deixando de comer por vários dias. E sua boca, será que não doe mesmo? É, não ouvimos ele gritar, mas espernear é evidente.
Ah! Mas é só um animal. É verdade, mas eu e você também somos. Temos que respeitar todo tipo de vida. Os peixes foram criados para alimentação, não para diversão, ainda mais sendo uma diversão estúpida.
A Bíblia é cheia de versículos que apresenta-nos a lei da semeadura, já que estamos falando de água, em Eclesiastes 11.1 diz: “lança seu pão sobre a água porque depois de muitos dias o acharás”. Se laçarmos maldade sobre a vida colheremos maldade. Obviamente se lançarmos bondade colheremos bondade. Em provérbios 12.10 está escrito: “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”. Seremos avaliados também pela forma como tratamos os animais, isto faz parte da nossa missão de administrar a natureza.
Não pense apenas como pescador, pense como o peixe e como o Criador. Será que é necessário o peixe sofrer esta dor?
Dops (departamento de ordem política e social) especializado em torturas no tempo da ditadura militar.
Clodoaldo Clay
Nunes, 27.11.2006.

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