RECOMENDE!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

flores do sitio


Ter ou não ser, essa é a questão?

Por Ariovaldo Ramos
Por que será que estamos sempre querendo mais? Certa vez perguntaram a Nelson Rockfeller: Quanto dinheiro é suficiente? - "Sempre um pouquinho mais do que temos em nossa conta bancária". Disse, denunciando nossa insaciabilidade. E tudo indica que ele está certo. Porque este desejo de ter? Quantas famílias já não foram destruídas pela insaciabilidade de um dos cônjuges, ou mesmo dos dois, que leva um ou os dois cônjuges a dedicarem-se tanto a ganhar dinheiro que não têm mais tempo para a família. Deseja-se tanto ter mais coisas, que o cônjuge com maior encargo na provisão fica sob uma pressão constante, chegando a estado de estresse insuportável. E o que dizer sobre o que o consumismo pode fazer com os filhos, a ponto de não se aceitarem se não tiverem o que se lhes é oferecido pelo sistema? Quantas famílias podem contar histórias como esta? Por que tanta necessidade de ter? Penso que, de fato, a necessidade não é ter, é e sempre foi a de ser. O problema é que confundimos uma coisa com a outra, entendemos que para ser é preciso ter. Aliás é nesse estribo que se sustenta a sociedade de consumo, é o grande argumento dos especialistas de mercado, convencer o consumidor de que ele só será na medida em que tiver sempre e cada vez mais. Quanto mais tiver, mais se sentirá sendo. Daí a insaciabilidade, porque o que esta posto, é que ser não é um estado, é um processo que se sustenta pela posse e na posse. Se nós voltarmos para Gênesis, veremos que foi exatamente nesse ponto que o inimigo nos fez tropeçar. Ele disse ao homem coletivo, comunhão do macho e da fêmea: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão vossos olhos e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal." Gn 3.5 Qual deveria ter sido a resposta da raça humana a esta afirmação? Simples! Deveria ter dito: - "Nós já somos como Deus, já somos a imagem e semelhança de Deus, não há nada que nós precisemos fazer ou possuir para ser como Deus!" Ser imagem e semelhança de Deus era o estado da humanidade. Onde foi que eles tropeçaram e se deixaram enganar? Quando acreditaram que para ser , não lhes bastava estar na posição em que estavam, precisariam possuir. Este foi e tem sido o grande equívoco da humanidade. O inimigo nos fez crer que para ser como Deus era preciso possuir o que Deus possuía, o que, naquele momento, significava conhecer o que Deus conhecia. Que grande equívoco, já éramos! Não precisaríamos nem fazer, nem ter nada para ser. Bastava-nos continuar na posição em que estávamos. Nós somos como resultado do ato criador divino, simplesmente assim. Entretanto nós acreditamos que ser era um processo e não um estado. Tornamo-nos insaciáveis porque passamos a pensar que ainda não éramos. Esse ter para ser, afunda-nos na seguinte questão: Como saber quando chegamos ao estado de ser? Se ainda não somos, então não sabemos o que é ser, como, então, saber quando chegamos lá, se chegarmos? Logo, nunca seremos. Somos prisioneiros do possuir. É como se a gente precisasse estar sempre sentindo-se sendo e, para sentir-se sendo, precisamos continuar possuindo e, mais grave ainda, é que começamos comparar o nosso processo de ser com o processo dos nossos semelhantes, de maneira que começamos a concluir que quem possui mais do que nós está sendo mais do que nós, quem conhece mais do que nós esta sendo mais do que nós, quem pode mais do que nós, está sendo mais do que nós. Que tem gente que é mais que nós e gente que é menos que nós. Eis a gênese de toda a enfermidade social, de toda a discriminação. Ser, entretanto, é simplesmente estar na posição em que fomos colocados na criação, como imagem e semelhança de Deus. Como nos livrarmos desta carga que nos foi imposta desde os tempos perdidos na memória? O caminho é voltar para Deus, e isso acontece na medida em que reconhecemos que não só não podemos possuir o que ele possui, como não precisamos disso para ser. Voltar para Deus, portanto, é pedir-lhe perdão por não termos nos mantido na nossa posição de estar sob Ele e simplesmente ser. Ser é estar onde Deus nos colocou, na dependência dele. Deixemo-lo aprofundar em nós a sua natureza, de modo que nós nos aprofundemos naquilo que somos. Estaremos contentes com tudo o que temos, quando o que temos não decidir mais o que somos. Quando nos dermos conta, como nos diz meu amigo Luiz Mattos, de que já somos, estaremos em condição de, diante da tentação de deixar o ter determinar o ser, dar ouvido à voz de Deus ecoando a frase de sabedoria eterna: A minha graça te basta!

TUDO MANEIRAS DE VER

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo para se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo,
a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
alguém vê a ignorância.
Um outro compreende
as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual
caminha em seu próprio passo
e que é inútil
querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer,
pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo,
e não do tamanho da minha altura."
"Fernando Pessoa"

domingo, janeiro 28, 2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

1º7DO7

O número sete para muitos tem a conotação de perfeição, mas para os hebreus o significado é mais abrangente. Este é o povo que mais entende a mística do número, pois Deus caminhou com eles e usou o número ‘sete’ significando algo que se completou. O sétimo dia da criação foi o complemento, o acabamento, a conclusão, e não o dia da perfeição. Na vitória sobre Jericó o número sete foi de extrema importância. No sétimo dia, sete sacerdotes tocando sete trombetas rodearam a cidade sete vezes. Sendo assim o povo obedeceu ‘completamente’ a ordem de Deus e conquistaram a cidade inteira. Já no capítulo onze de Eclesiastes a idéia de repartir o pão com sete e ainda até com oito é porque não sabemos o mal que pode nos suceder, então estando em crédito com a completa (sete) roda de amigos não ficaríamos na mão, mas o texto vai além, ou seja, tenha créditos com mais pessoas do que você acha que é suficiente. Maria Madalena foi liberta de sete demônios, logo, completamente liberta. E quando Jesus esclarece a estratégia de Satanás dizendo que o demônio expulso volta com outros sete piores, Ele está afirmando que o poder das trevas irá agir novamente por completo e de forma mais agressiva.
Nossas vidas são recheadas de ciclos, de épocas e algumas mudanças são tão bruscas que podemos dizer que é uma nova era. Quando completei trinta anos percebi uma mudança considerável no meu ser. É lógico que a fonte de toda mudança está na mente, mas todo o corpo reflete este câmbio. Por dois anos convivi com uma inquietação, percebia uma metamorfose, mas não estava entendendo nada, era tudo um mistério. Muito pus foi expurgado sem eu nem perceber de onde estava saindo, apenas sentia a estrondosa dor. E logo cai em si que isto foi uma enorme e tardia crise da adolescência. Época em que se entendem as normas da vida e decide-se cumpri-las por livre arbítrio, compreendendo que os benefícios são comunitários e principalmente individuais.
Muitas coisas influenciaram nesta alteração, mas a principal foi o sofrimento. Em Hebreus 5.8 diz que Jesus aprendeu e foi aperfeiçoado (completado) através do sofrimento. Lembrando que o texto iniciasse com ‘embora sendo Filho’. Jesus mesmo sendo Deus aprendeu com o sofrimento humano. E através desta ferramenta tenho sido modelado pelas mãos do Oleiro, mesmo porque Clay significa barro.
Hoje é o primeiro sete de dois mil e sete. Incrivelmente sinto que hoje é o complemento, a conclusão deste ciclo de dois longos anos. Quando troquei de computador, passei de um 200 para um 2.300 mhz, a diferença de raciocínio é exorbitante. E é exatamente assim que me sinto, despertei com um novo processador. O significado da palavra reveillon vem de ‘reveiller’ que significa despertar. Tive um reveillon no dia sete, um despertar para um novo ciclo, uma nova era que não faço idéia do que encontrarei e como a viverei, mas uma coisa é certa, obedecer a Deus todas as sete vezes que me for solicitado, portanto, obedecer por completo a voz de Deus.
Cristoincidentemente hoje é dia de ceia. Dia em que reafirmamos a aliança com nosso Senhor. Dia de reavaliação dos dias passados, firmar os pés no presente lembrando da nossa cruz (missão) e alimentar a nossa esperança na futura e certa vinda do nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo assim, este dia se torna sagrado. Não para ser reverenciado, mas sim, para ser a cada ano comemorado, lembrando e agradecendo a Deus por suas maravilhas e misericórdias exercidas sobre a minha vida.
Sei que como no calendário há muitos ‘setes’, assim também serei aperfeiçoado e completado por muitos ciclos. Espero responder rapidamente a modelagem do Oleiro e estar preparado para o último SETE, o ápice do aperfeiçoamento no dia em que estaremos com nosso Senhor Jesus (Filipenses 1.6). Clay 070107.

KIARA E RAICA


MIÚDO


segunda-feira, janeiro 22, 2007

INDO PARA O SÍTIO

O TRIPALIU



A Bíblia nos mostra que a ordem de Deus ao Ser Humano era ser rei sobre a Terra. Dominar tudo, apenas uma coisa não está na lista, outro Ser Humano. Há quem diga que o homem antes do pecado tinha total domínio sobre os animais apenas por suas palavras. O pecado quebrou a sua autoridade e a sintonia com os animais e com a natureza. Este mesmo pensamento remete à tese de que quanto maior for a esfera de santidade que vivemos mais respeito e autoridade dos animais teremos. Mas este é um outro assunto.
A ordem de Deus em Gênesis 2.15 era cultivar e guardar. A idéia de cultivo antes do pecado é muito diferente do cultivo de hoje. Imagine cultivar (cuidar, manter) um jardim que não há ervas daninhas, pragas, instabilidades da natureza e tantas outras dificuldades que transformam a atual agricultura em uma grande loteria. Adão tinha apenas que recolher os frutos, replantar algumas mudinhas, estudar sobre cada uma e o melhor de tudo, reproduzir. Será que podemos considerar isto um trabalho? Amar e ser amado apreciando e desfrutando de um magnífico jardim feito pelo próprio Deus.
O verdadeiro trabalho é pós queda. Cardos e abrolhos produzidos pela agora maldita terra. Fadiga, suor, sofrimento seguirão dioturnamente a humanidade. O verbo para Adão agora é lavrar que é mais do que manter, é remexer a terra. Adão não tinha mais a tranqüilidade, a tortura do trabalho o rodeava. Imaginemos uma pessoa que vive num jardim maravilhoso, bem cuidado e com tudo ao seu alcance, agora é levado a uma floresta selvagem. O medo, a insegurança e o mato crescendo moveu Adão de forma diferente para suas obrigações diárias. Estas motivações são as mesmas dos dias de hoje. O medo de não conseguir pagar as contas no final do mês, a insegurança de não poder dar sustento digno aos filhos e toda a gama de problemas crescendo ao nosso redor nos leva a uma tremenda tortura. Que etimologicamente falando, este é o significado de trabalho. Tripaliu (trabalho) em latim significa instrumento de tortura.
Não podemos estranhar que alguns se entregam profundamente a esta atividade, mas o masoquismo é encontrado em diversas áreas. Parece que a tortura o leva a insanidade como acontece com viciados em drogas. O torturado nem sente mais, o que ele quer é mais e mais. Já os verdadeiros torturados são aqueles que o rodeiam, ou deveriam estar ao lado. Famílias são abandonadas, o amor à esposa, a educação dos filhos e a alegria se esvaecem sob uma ilusão de ganhar mais, como a sanguessuga, dá-me, dá-me. Ou sob a escravidão que a maioria da população é submetida. Um trabalho instável, com rendimentos insuficientes para as necessidades básicas e o pior, a praga enviada pelo governo chamada ‘impostos’ devora boa parte do suor que rosto produziu.
O Ser Humano não foi criado para o trabalho, isto não está intrínseco. O trabalho é maldição. É a punição do ato de Adão. Deus não nos criou para o ócio, mas sim, para o ofício. Manter e zelar era a nossa missão. O labor (laborare em latim) tem uma melhor conotação para a primeira função de Adão. É desta palavra que se deriva laborar (funcionar), laboratório, laborterapia, etc. Ou seja, significa uma função que associa-se com prazer, satisfação, e não, por obrigação.
Enquanto estivermos sob as condições desta vida não escaparemos do tripaliu, da tortura do trabalho. Somente se for de forma indigna, ou seja, usurpando e explorando outro Ser Humano. E não se engane que o milionário não trabalha, pois muitas vezes a tortura para administrar e proteger sua riqueza é muito maior do que aquele que nada tem. Então se é inevitável, relaxe. Tenha em mente que você pode transformar o tripaliu em labor ou vice-versa. O labor te edifica, o tripaliu te desgasta.
terá continuação.....
Clay 220107