RECOMENDE!

quinta-feira, maio 31, 2007

CÍRCULO DO AMOR


Pastores e Lobos; Ovelhas e Bodes


por Isaltino Gomes Coelho Filho

Duas pessoas amigas me enviaram uma mensagem intitulada “Pastores e lobos”, mostrando as diferenças entre o realmente pastor e o que é um lobo e se aproveita do rebanho. Sei que as duas não quiseram me enquadrar como lobo. Elas me conhecem, sabem de minha vida ministerial, respeitam-me e damo-nos bem. Foi para uma reflexão necessária, e até um desabafo delas, com tantos aproveitadores.
A ambas, respeitosamente, disse que não via como carapuça, mas gostaria de mostrar outro aspecto. Gostaria que alguém escrevesse sobre “ovelhas e bodes”. Pois assim como há lobos disfarçados de pastores, há bodes mascarados de ovelhas. Ovelhas são dóceis, dão lã e seguem o líder. São úteis e boas de se trabalhar. Bodes dão marrada, cheiram mal, alimentam-se até de lixo, e embora tenham utilidade, são problemáticos. Não sou uma autoridade “bodal” e talvez falhe na análise do bode, mas peguei carona na palavra de um pastor que ofendido por um membro da sua igreja (chamam a isso de “confrontar”) que alegou que não tinha pastor, e que ele nunca fora um pastor para ele, respondeu-lhe calmamente: “Mas você não é ovelha; você é bode. Você dá marradas para não ser guiado”. Alguma autoridade em vida caprina poderá destacar as virtudes do bode, mas é neste contexto que falo.
Deus é testemunha do que falo: se eu fosse Deus (por favor, isto é retórica) não chamaria um sujeito como eu para o ministério. Não sou digno do ministério. Não estou só. Paulo não se achava digno de ser apóstolo. Perseguira a igreja de Deus. Eu não sou digno pelas minhas falhas. O pastor que me batizou, Pr. Falcão, em entrevista a uma finada revista denominacional, declarou, nos anos sessentas, na minha adolescência: “As minhas limitações me frustram”. As minhas me arrasam. Mas também uso as palavras de Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou”. E me escoro nas palavras de Deus a ele: “A minha graça te basta”. Pela graça de Deus sou pastor. Só por ela. Isto basta.
Mas e o bode? É aquele crente marrento, que pula de igreja em igreja, sempre criticando os irmãos. Sempre vendo defeitos nas igrejas. Sempre reclamando e nada fazendo para melhorar. É mestre em apedrejar. Não constrói. Chega a uma igreja e parece carro queimando óleo e com escapamento aberto. Faz um barulhão danado, mas andar que é bom, nada. Faz movimento, agita, tem seus projetos personalistas (o bode gosta de “eu” e “meu”, não de “nós” e “nosso”), tumultua, cria problemas, depois vai agitar em outro lugar. Não pára em igreja alguma. Pondo-se na balança o que ele fez de bom pesa menos que borboleta.
O bode é o crente não dizimista, que combate o dízimo, mas tem todas as soluções para a vida financeira da igreja. Que critica a liderança, mas não se qualifica para exercê-la. Que vê as falhas dos irmãos, mas não ora por eles, nem se solidariza nos momentos difíceis. Que se alheia e não se envolve. É assistente e não participante. Desfruta, mas não investe. Ovelha dá prazer. Bode traz dor.
Deus é testemunha. Peço diariamente que ele me torne digno de ser pastor. Sem falsa espiritualidade, já chorei pedindo-lhe que me faça uma pessoa melhor, um homem melhor, um pastor melhor. Minhas limitações me arrasam. Quero ser pastor, não lobo.
Cada ovelha deve pedir todos os dias a Deus que não a deixe ser bode. Que seja pessoa apascentável, e não elemento desagregador. Muito pastor dará contas a Deus de sua “lobice”. Isto me atemoriza. E muitas ovelhas darão contas a Deus de sua “bodice”. Se você se julga ovelha, seja uma ovelha, não um bode. E ore por mim e pelos demais pastores, para que sejamos PASTORES. E seja OVELHA.

domingo, maio 20, 2007

I


EU E O MEU MELHOR AMIGO...

por pe fábio de melo, scj.

O meu melhor amigo morreu numa tarde triste de sexta feira. O sol ainda era quente e o calor era intenso. Morreu de um jeito cruel. Vítima de um sistema político e religioso que não sabia entender que Deus prefere os miseráveis. Morreu porque amou demais, morreu porque não sabia mentir. O meu melhor amigo não sabia ser indiferente. Viveu o tempo todo recolhendo os que estavam caídos e desacreditados. Ele foi um ser humano inesquecível. Entrava em lugares proibidos e dormia na casa de pessoas abomináveis. Trocou santos por Zaqueu, doutores por Mateus. Não se preocupava com que os outros estavam achando dele, mas ocupava-se de sua vida como se cada instante vivido fosse o último. Meu melhor amigo tinha o poder de ser irreverente. Ele olhava nos olhos dos fracassados e lhes restituía a coragem perdida. Segurava nas mãos dos cansados e os convencia que ainda lhes restavam forças pra chegar. O meu melhor amigo era desconcertante. Tinha o dom de confundir os sábios e encantar os simples. Eu um dia também me encantei com ele. Chegou num dia em que eu não sei dizer qual foi. Chegou numa hora que eu não sei precisar. Sei que chegou, sei que veio. Entrou pela porta da minha vida e nunca mais o deixei sair. Somos íntimos. Minha fala está presa à dele. Eu o admiro tanto que acabo tendo a pretensão de querer ser como ele. Já me peguei cantando pra ele os versos de Tom Jobim: “Não há você sem mim e eu não existo sem você!” Ele sorri quando eu canto. Meu melhor amigo me ensina a ser humano. Ele me ensina que a vida é uma orquestra linda, mas dói. Ele me ensina a apreciar os acordes tristes... e aí dói menos. A beleza distrai a tristeza. Foi assim que eu assisti à sua morte na sexta feira santa. Eu sabia que era passageira. Era apenas um interlúdio feito de acordes menores, dilacerantes de tão tristes. Meu amigo não sabe ser morto. Ele gosta é de ser vivo, vivente! E é assim que eu entendo a dinâmica da Ressurreição. Quando digo: “Ele está no meio de nós!” eu estou convidando o meu amigo a ser vivo através de mim. Quem ama de verdade leva sempre a criatura amada por onde vai. E é assim que o amor vai se tornando concreto no meio de nós. É assim que a vida vai ficando eterna... e a gente vai ressuscitando aos poucos... Hoje eu acordei mais feliz. Nada de especial me aconteceu. Apenas me recordei que meu melhor amigo ainda acredita em mim, apesar de tudo. Eu sou um legítimo representante de sua ressurreição no mundo. Não posso me esquecer disso. As pessoas olham pra mim... eu espero que elas não me vejam... eu espero que vejam o meu melhor amigo, em mim.

O BANQUETE DOS MISERÁVEIS

por pe fábio de melo, scj.
Um banquete só tem significado para quem tem fome. Os saciados não desejam a proximidade do alimento. A fome é o elemento chave para que possamos desejar e apreciar o banquete.Da mesma forma, o hospital não tem significado para quem está são. Somente os doentes carecem de hospitalização. Essa comparação é simples, eu sei. Mas ela nos aproxima de uma verdade ímpar que Jesus fez questão de nos ensinar.É desconcertante, mas a eucaristia é o banquete dos miseráveis. Ela é o momento em que Deus se põe à mesa com os escórias da humanidade, com os últimos, os menos desejados. Miseráveis, famintos, prostituídos, doentes, legítimos representantes da fome. Fome de pão, fome de beleza, fome de dignidade, fome de amor, fome de companhia. Corações sufocados pela solidão do mundo, pelo descaso dos favorecidos e pela arrogência dos fortes. A vida sem cuidados, mostrada nos olhos que já não sabem nutrir grandes esperanças. Olhares que nos fazem lembrar o olhar de Mateus, o olhar de Zaqueu, o olhar de Madalena... Olhares que não se sentem merecedores, e que se já se convenceram de que estão condenados. E então, quando a vida os surpreende com o sorriso de Deus, olhando-os nos olhos, dizendo que está feliz porque eles reapareceram, e que para comemorar esta alegria um banquete lhes foi preparado. Roupas limpas, banhos demorados, coisa de quem não faz do amor um discurso teórico. O sabonete, o cheiro bom a nos recordar antigas esperanças. Alegrias nas taças, toalha branca estendida sobre a mesa, o colorido que tem sabor agradável. O melhor vinho, a melhor música, o melhor motivo a ser comemorado. A ceia está posta. E então eu me ponho a pensar... Recordo-me do quanto eu não sei viver a Eucaristia com esta mística. Penso no quanto sou seletivo ao pensar naqueles que Deus anda preferindo. E então, hoje, nesta fração de tempo que passa, em que seus olhos se encontram com meu coração de padre, aqui, nesta tela fria de computador, eu fico desejando lhe convencer do quanto você é amado por Deus. Ainda que seus dias sejam marcados pela rebeldia, pela derrota, pela queda, não desista! Religião só tem sentido se for para congregar, recordar a miséria como condição que nos torna preferidos... É simples de entender. Pense comigo: Uma mãe geralmente tende a cuidar de forma especial do filho que é mais frágil. Concorda comigo?Pois bem. O que é frágil será sempre velado, cuidado e amado. Assim é você. Um miserável que tem entrada garantida na última ceia de Jesus. Não venha com muitos pesos. Traga apenas uma pequena lembrança para o Mestre que o espera. Uma florzinha, um pedacinho de doce, não sei. Você é criativo e saberá escolher melhor. Que o presente seja pobre, pois assim você descobrirá que o maior presente que Ele pode receber é o seu coração de volta. Combinados? Espero que sim. O seu nome já foi chamado por Ele. Não o deixe esperando por muito tempo. A casa é a mesma. O endereço você já sabe!

LINDAS IMAGENS






















CAMINHÕES FUTURISTAS






















Ter ou não ser, essa é a questão?

Por Ariovaldo Ramos
Por que será que estamos sempre querendo mais? Certa vez perguntaram a Nelson Rockfeller: Quanto dinheiro é suficiente? - "Sempre um pouquinho mais do que temos em nossa conta bancária". Disse, denunciando nossa insaciabilidade. E tudo indica que ele está certo.

Porque este desejo de ter? Quantas famílias já não foram destruídas pela insaciabilidade de um dos cônjuges, ou mesmo dos dois, que leva um ou os dois cônjuges a dedicarem-se tanto a ganhar dinheiro que não têm mais tempo para a família.

Deseja-se tanto ter mais coisas, que o cônjuge com maior encargo na provisão fica sob uma pressão constante, chegando a estado de estresse insuportável. E o que dizer sobre o que o consumismo pode fazer com os filhos, a ponto de não se aceitarem se não tiverem o que se lhes é oferecido pelo sistema? Quantas famílias podem contar histórias como esta? Por que tanta necessidade de ter?

Penso que, de fato, a necessidade não é ter, é e sempre foi a de ser. O problema é que confundimos uma coisa com a outra, entendemos que para ser é preciso ter. Aliás é nesse estribo que se sustenta a sociedade de consumo, é o grande argumento dos especialistas de mercado, convencer o consumidor de que ele só será na medida em que tiver sempre e cada vez mais.

Quanto mais tiver, mais se sentirá sendo. Daí a insaciabilidade, porque o que esta posto, é que ser não é um estado, é um processo que se sustenta pela posse e na posse.

Se nós voltarmos para Gênesis, veremos que foi exatamente nesse ponto que o inimigo nos fez tropeçar. Ele disse ao homem coletivo, comunhão do macho e da fêmea: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão vossos olhos e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal." Gn 3.5

Qual deveria ter sido a resposta da raça humana a esta afirmação? Simples! Deveria ter dito: - "Nós já somos como Deus, já somos a imagem e semelhança de Deus, não há nada que nós precisemos fazer ou possuir para ser como Deus!"

Ser imagem e semelhança de Deus era o estado da humanidade. Onde foi que eles tropeçaram e se deixaram enganar? Quando acreditaram que para ser , não lhes bastava estar na posição em que estavam, precisariam possuir. Este foi e tem sido o grande equívoco da humanidade.

O inimigo nos fez crer que para ser como Deus era preciso possuir o que Deus possuía, o que, naquele momento, significava conhecer o que Deus conhecia. Que grande equívoco, já éramos! Não precisaríamos nem fazer, nem ter nada para ser. Bastava-nos continuar na posição em que estávamos.

Nós somos como resultado do ato criador divino, simplesmente assim. Entretanto nós acreditamos que ser era um processo e não um estado. Tornamo-nos insaciáveis porque passamos a pensar que ainda não éramos. Esse ter para ser, afunda-nos na seguinte questão: Como saber quando chegamos ao estado de ser? Se ainda não somos, então não sabemos o que é ser, como, então, saber quando chegamos lá, se chegarmos? Logo, nunca seremos.

Somos prisioneiros do possuir. É como se a gente precisasse estar sempre sentindo-se sendo e, para sentir-se sendo, precisamos continuar possuindo e, mais grave ainda, é que começamos comparar o nosso processo de ser com o processo dos nossos semelhantes, de maneira que começamos a concluir que quem possui mais do que nós está sendo mais do que nós, quem conhece mais do que nós esta sendo mais do que nós, quem pode mais do que nós, está sendo mais do que nós.

Que tem gente que é mais que nós e gente que é menos que nós. Eis a gênese de toda a enfermidade social, de toda a discriminação.

Ser, entretanto, é simplesmente estar na posição em que fomos colocados na criação, como imagem e semelhança de Deus.

Como nos livrarmos desta carga que nos foi imposta desde os tempos perdidos na memória? O caminho é voltar para Deus, e isso acontece na medida em que reconhecemos que não só não podemos possuir o que ele possui, como não precisamos disso para ser. Voltar para Deus, portanto, é pedir-lhe perdão por não termos nos mantido na nossa posição de estar sob Ele e simplesmente ser.

Ser é estar onde Deus nos colocou, na dependência dele. Deixemo-lo aprofundar em nós a sua natureza, de modo que nós nos aprofundemos naquilo que somos.

Estaremos contentes com tudo o que temos, quando o que temos não decidir mais o que somos. Quando nos dermos conta, como nos diz meu amigo Luiz Mattos, de que já somos, estaremos em condição de, diante da tentação de deixar o ter determinar o ser, dar ouvido à voz de Deus ecoando a frase de sabedoria eterna: A minha graça te basta!

SENHOR DOS ANÉIS


NUNCA DESISTA

nun

sábado, maio 19, 2007

A escravidão e a religião de hoje


"Antigamente, os escravos tinham um senhor,
os de hoje trocam de dono e nunca sabem o que esperar do dia seguinte."
Fernando Henrique Cardoso


Não podemos valorizar algo que favoreça a escravidão. Isto é inadmissível no coração de qualquer ser humano equilibrado. Desde o inicio Deus disse ao homem para dominar sobre todas as coisas, menos dominar outro ser humano. Apenas após a queda a mulher ficou sob seu domínio, jamais como escrava, mas como uma posição hierárquica.

Hoje em dia a escravatura continua abertamente em alguns paises. Recentemente o governo italiano reconheceu que jovens albanesas eram mantidas como escravas sexuais e quando engravidavam eram levadas para Alemanha para terem seus filhos e estes eram vendidos. Isto acontece também com nossas mulheres brasileiras que são levadas para paises como a Espanha com uma falsa oportunidade de emprego, mas lá são mantidas como escravas sexuais. Aqui no Brasil a Lei Áurea não chegou a todos, muitos continuam até hoje presos em fazenda como escravos e mortos sem nenhum pudor quando contrariam o seu senhor, que abominavelmente houve caso do ‘senhor de escravos’ ser um político de renome.

A escravatura não foge dos nossos olhos. Mesmo numa cidade como São Paulo ou numa cidadezinha do interior há pessoas que exploram outras crendo que ainda está fazendo um bem, pois esta não tem o que comer nem onde morar. Muitos ‘empregos’ são mais parecidos com escravidão, como são tratados alguns bóias-frias e bolivianos em confecções em São Paulo.

Mas e a Bíblia e as autoridades religiosas, como tratam do assunto?

Jesus citou vários exemplos de servos e senhores, pois era uma prática comum na época e a mensagem de Jesus baseia-se na escravidão espiritual, éramos escravos do pecado e agora somos servos de Cristo. Eram súditos do reino das trevas, agora somos cidadãos do Reino da Luz. O Novo Testamento não favorece a escravidão, entretanto enfatiza o amor entre servo e senhor, rejeitando a rebelião. Em Ef 6.5, Cl 3.22, 1 Tm 6.1, Tt 2.9 e 1 Pe 2.18 a mensagem é a mesma, servos obedeçam a seus senhor com amor. Citando a existência de crentes que possuíam servos. Filemom era dono de escravos e Paulo pede para ele receber Onésimo não mais como escravo, mas como irmão amado.

A base maior que temos contra a escravatura é o amor. Não há um ser amoroso que transforme seu semelhante em escravo. Precisamos como cristãos lutar contra a escravidão física e intelectual e não apenas contra a escravidão espiritual.

Em 1 Coríntios 7.20-24 Paulo fala para os irmãos permanecerem na vocação que foram chamados, ou seja, contente-se com sua posição social, mas se for escravo aproveite a oportunidade para se tornar livre e os livres jamais tornem-se escravos de homens. Mas viver como livre requer um temperamento especial da mente e do espírito. É fácil aceitar sem discutir o que outros mandam, e assim exibir a mentalidade de escravo. Não é esta a maneira de agir do cristão
[1]. Mas infelizmente líderes religiosos não fazem da religião um instrumento de liberdade, e sim de escravidão mental, ritualística e dogmática. Prometem liberdade espiritual, entretanto encarceram as pessoas em doutrinas que prometem uma falsa esperança. Como disse Feuerbach: “A religião é um sonho da mente humana” ou como disse Marx: “A religião é o ópio do povo”. Ópio do povo? Pode ser, mas não aqui. Em meio a mártires e profetas, Deus é o protesto e o poder dos oprimidos[2]. Deus é Justiça e está do lado dos oprimidos, dos pobres e daqueles que sofrem. A consciência da fumaça nos remete ao incêndio de onde ela sai. De forma idêntica, a consciência da religião nos força a encarar as condições materiais que a produzem[3]. Paulo fala diretamente com irmãos em Cristo que estão vivendo esta condição social. A escravidão humana era uma instituição aceita, sancionada por lei e parte do arcabouço da civilização greco-romana[4], para os gregos, escravos eram considerados como gado[5]. Hoje o mundo abomina a escravatura fazendo com que a religião e o Cristianismo lutem incansavelmente contra esta prática.

Em Portugal a Igreja Católica, através do presidente da Comissão Episcopal para as Migrações e Turismo, D. Januário Torgal, tomou posição e deixou a crítica à nova legislação da imigração dizendo: «deixamos entrar estrangeiros durante cinco anos para construir estádios para o europeu de 2004, mas depois de explorados pelos tubarões do capitalismo, damos-lhes um pontapé». Justificou as suas declarações defendendo que «a nova lei devia ter sido objeto de um debate profundo» e «como ninguém dá voz aos emigrantes, era preciso fazer justiça e manifestar solidariedade para com eles»
[6]. É desta maneira que todos aqueles que se dizem estar do lado de Deus devem fazer. Defender os direitos humanos, protegendo os oprimidos, ajudando os que sofrem e alimentando os que fome. Da mesma forma que Paulo Diz que nosso cristianismo será em vão se colocarmos nossa esperança somente nesta vida, também se tornará em vão se olharmos apenas para vida vindoura. Ser cristão é ser político, pois político é todo aquele que trata dos problemas da polis, ou seja, da cidade e da sociedade.

Não temos que lutar apenas contra a escravidão, mas principalmente contra as conseqüências da antiga escravidão racial que ainda reflete muito forte em nossa sociedade. “Nós, brasileiros, precisamos pagar uma dívida com a raça negra do Brasil. Faz quase 120 anos da abolição da escravatura e até hoje a elite intelectual, a elite econômica, a elite de todo tipo no Brasil é branca. Dá a impressão de que o Brasil é um país europeu ainda escravocrata. Defendo a cota para negros para que o Brasil, que é multirracial, tenha a dignidade de ter os negros participando de sua elite”. A afirmação é do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), em entrevista à Agência Senado sobre a proposta de criação de cotas para negros e para alunos de escolas públicas nas universidades federais e estaduais.

Este sistema de cotas não vai resolver o problema, mas são passos que a sociedade deve dar. Pois a escravidão continua em nossos corações como racismo. Sutilmente quase todos tem lampejos racistas em suas ações, inclusive os proprios negros calejados por esta opressão. Precisamos rever nossos conceitos sobre escravidão e sua devastação. Hoje ela está oculta, mas bem presente em nossa volta e até mesmo dentro dos nossos corações com uma estrutura racial. E nossa função é protestar contra estas práticas que definham a alma da nossa sociedade, pois destroi a liberdade fisica e inteletual de seus participantes.

Como no caso do divórcio, onde não era uma prática determinada por Deus, mas pela dureza dos corações dos homens, assim a bíblia não ataca com ‘unhas e dentes’ a escravidão pois era prática aceita pela sociedade. Hoje isto não é mais aceito, o Brasil foi o ultimo pais a abolir a escravatura formalmente. Então desde 13 de maio de 1888 a escravidão foi oficialmente abominada, entretanto foram lançadas as bases da favelização e da perpetuação da miséria social e cultural a que foi condenada a maioria dos descendentes da raça negra e grande parte dos cidadãos de origem humilde. Por isso cabe a igreja fazer a justiça social ordenada pelo próprio Deus encontrada por toda a Bíblia.


Frases:

"Porque a emancipação em si não passava de uma formalidade, condição necessária, mas muito insuficiente da liberdade. Era mais frequentemente um gesto simbólico do que um acontecimento que mudasse radicalmente a vida do escravo e as suas relações com o senhor. Assim, havia tendência para emancipar os velhos escravos à hora da morte, para se ter e lhes dar a consolação de uma morte de homens livres. (...) as libertações em massa de escravos, no séc.IV, sob a influência do cristianismo, tinham consequências éticas, mas não económicas."
"A sociedade romana" (Paul Veyne)

Nos anos 50 um tio meu foi trabalhar para Angola. Quando veio de férias, ouvi-o contar uma vez que tinha furado o lubéulo da orelha esquerda dum preto com a unha do polegar direito, para ver se "eles" tinham sangue vermelho como nós...Acho que não é necessário aumentar comentários a este ato atróz de colonialismo racista, a única posição que os meus compatriotas portugueses sabem tomar em relação a África.

Queria referir também a escravatura que ocorreu no Brasil, a "favor" do desenvolvimento da cana-de-açúcar, para dela extrair álcool, chamado Etanol. No Brasil estão a pagar aos colhedores de cana a quantia de US$ 2 por tonelada de cana colhida! E depois cobram tudo de volta para "casa" e comida...
Paulo Barreto. Deurne, Holanda.

O pior erro de toda a História humana foi, sem dúvida, negar a liberdade ao outro na forma conhecida por escravatura. O que interessa agora é que não haja mais nenhuma manifestação da escravatura no mundo. Todavia, a escravatura ainda persiste na Costa Ocidental da África nomeadamente, na Mauritânia e no Níger. As Nações Unidas devem olhar para esse problema e castigar exemplarmente os culpados, porque não podemos coabitar, no Séc. XXI com anti-sociais deste gênero.
Domingos Gomes. Guiné-Bissau.

Espero que a escravatura nunca mais volte aos nossos dias. Foi um erro perpetrado por alguns impérios. Erro que trouxe até hoje um atraso cultural e econômico a países como o meu (Angola). Nada é mais importante para um povo do que a sua liberdade.
Miguel Angelo. Angola

Acho que os povos de todo mundo se devem respeitar, aprender dos erros históricos do passado - porque a escravatura foi um erro - e não permitir que nenhum homem ou mulher seja nunca mais vítima de uma prática tão bárbara como a escravatura
Celso Timana. Maputo, Moçambique

No intróito, a escravidão era vista como boa por causa da manufatura, pois os senhores de engenhos não precisavam pagar a manufatura. Mas depois foi conhecida a realidade da escravidão de que eles se encontravam machucando pessoas, ou seja, uma etnia de povos.
Cicero Dantas, Brasil.



Bibliografia

Douglas. J.D, Novo dicionário da Bíblia. Ed. Vida Nova.1995. SP.
Martin. Ralph. Introdução e comentário Colossesnses. Ed. Vida Nova. 1987.
Vaux.R. Instituições de Israel. Ed. Vida Nova. 2004. SP.
Alves, Rubem. O que é religião. Ed Brasiliense. 12 edição. 1989. SP
Morris, Leon. Introdução e comentário Coríntios. Ed Vida Nova. 2005. SP

[1] Morris, Leon. p. 92
[2] Alves, Rubens. p. 114.
[3] Idem. p. 73.
[4] Martin, Ralph. p. 132.
[5] Douglas. J. D. p. 520.
[6] Fonte: www.expresso.pt

ANHANGABAÚ


BANESPÃO











MERCADO MUNICIPAL


ESTAÇÃO DA LUZ


VILA CRIAR





























domingo, maio 06, 2007

ESPETÁCULO DIÁRIO


Cérebro tem área ligada à moral, aponta pesquisa

Para agir de maneira ética, basta pensar de maneira racional ou é preciso se deixar envolver também pelas emoções? De acordo com um estudo publicado ontem, julgamentos morais que as pessoas fazem quando estão diante de um dilema são mais emocionais do que se imaginava --sinal de que a moral não é baseada só na cultura e faz parte da natureza humana.

Para lidar com essa questão, um grupo liderado pelo psicólogo americano Marc Hauser, da Universidade Harvard, e pelo neurologista português António Damásio, da Universidade do Sul da Califórnia (ambas nos EUA), submeteu diversos voluntários a um questionário com situações imaginárias de deixar qualquer um arrepiado.

A maior parte delas envolvia decisões do tipo "escolha de Sofia", como sacrificar um filho para salvar um grupo de pessoas. Que mãe permitiria isso?

Para tentar inferir o peso da emoção em julgamentos morais, os cientistas incluíram entre os voluntários seis pessoas que haviam sofrido lesões numa área específica do cérebro, o córtex frontal ventromedial. Entre as diversas funções dessa estrutura está a integração de sentimentos à consciência.

O resultado do experimento foi que os portadores da lesão tiveram tendência a pensar de maneira mais "utilitária". Eles escolhiam, da maneira mais fria, a decisão que prejudicasse um número menor de pessoas.

"Em alguns casos --dilemas de grande conflito moral- a emoção parece ter papel significativo nos julgamentos", explicou à Folha Michael Koenigs, colaborador de Hauser e Damásio. "Como os pacientes com a lesão que estudamos presumivelmente carecem de emoções sociais/morais apropriadas, seus julgamentos são mais baseados em considerações utilitárias do que em fatores emocionais."

Uma das questões usadas pelos cientistas envolvia uma situação imaginária na qual famílias vivendo num porão se escondiam de soldados que procuravam civis para matar. Um bebê começa a chorar, e a única maneira de calá-lo para evitar que todos sejam encontrados é tapar a respiração da criança por tempo suficiente para matá-la. O que fazer?
Para os pacientes portadores da lesão estudada, a decisão correta era matar a criança.

A resposta, de certa forma, era o que os pesquisadores esperavam. "Pacientes com essa lesão exibem menos empatia, compaixão, culpa, vergonha e arrependimento", disse Koenigs, que foi autor principal do artigo que descreve o experimento no site da revista "Nature".

Ao contrário do que se podia imaginar, porém, essas características não tornaram essas pessoas "más" ou "cruéis". Para situações sem dilemas, as respostas dos pacientes lesionados foram bastante semelhantes às dos voluntários sadios.

Na opinião dos cientistas, o estudo é uma forte evidência de que pensar de maneira puramente utilitarista simplesmente vai contra a natureza humana. O córtex frontal ventromedial, afinal, seria um produto da evolução que ajudou a moldar a forma como as pessoas se relacionam.

"Ele parece ser uma "parte emocional" inata do cérebro, e parece ser crítico para certos aspectos da moralidade", diz Koenigs. O pesquisador afirma, porém, que não é possível separar a influência do ambiente na ética. "A reação da maquinaria emocional com respeito a questões morais é sem dúvida moldada por forças culturais."

Fonte: Folha Online

24.03.2007

NEO CLAY


TERUYA


OS PASTORES DO FUTURO


terça-feira, maio 01, 2007

livra-nos do mal...

A oração do Pai Nosso é, antes de ser uma prece, uma confissão de fé. Um rabino tinha uma confissão escrita como uma oração que sintetizava sua teologia. Isso é o que provavelmente apresentou Jesus quando lhe perguntaram como deveriam orar.E Jesus entende que o Pai nos livra do mal. O mal tem variadas formas e ataques e pelo menos de quatro destas formas entendo que o Pai nos livra:
1. Ele nos livra da maldade – do mal praticado contra nós de maneira direta e indireta. Tal livramento não se fundamenta na imunidade contra o mal, mas em que qualquer maldade apenas tem o poder de nos afetar fisicamente, mas jamais tem o poder inevitável de nos afetar na alma. Podemos resistir ao mal, e não permitir que ele faça seu trabalho além do corpo e fazemos isso quando acreditamos que em cada momento de nossa história estamos protegidos pelo Pai e que mesmo afetados pela maldade, Ele utiliza toda experiência para o nosso bem, para nos fazer mais parecidos com Jesus [Romanos 8.28-39].
2. Ele nos livra do maldoso – das pessoas que praticam o mal contra nós. Podemos orar para que em nosso caminho encontremos pessoas boas e que as más sejam afastadas de nossos lares, de nossas vidas. Devemos romper relacionamento com os maldosos, porque enquanto estamos presos ou somos aliados dos maldosos, o mal pode nos atingir.
3. Ele nos livra do maléfico – daquilo que faz mal a nós, no corpo e na alma. Podemos nos libertar de vícios e de comportamentos que nos fazem mal.
4. Ele nos livra do Malígno – do Diabo. O perigo é descrermos do Diabo ou crermos que ele tem mais poder do que realmente tem. A Bíblia fala de sua existência, mas também fala que ele foi humilhado na cruz e vencido de uma vez por todas na ressurreição de Cristo [Colossenses 2]. Seu poder hoje consiste na mentira que se baseia na culpa e no medo. Ele tenta nos afastar de Deus através de uma consciência culpada, mas devemos crer que nossa dívida foi paga inteiramente por Jesus. Ele tenta nos amedrontar, inclusive com medos que não encontram qualquer fundamento.Estamos libertos e precisamos aceitar a libertação operando em nossa vida, orando e confessando que sabemos que o Pai nos livra do poder da maldade, do maldoso, do maléfico e do Malígno. Resistam ao mal em todas as suas expressões e ele fugirá de vocês.
© 2005 Alexandre Robles