RECOMENDE!

quarta-feira, junho 27, 2007

METANÓIA




Vanessa e Rodrigo


LINDA VANESSA E SEU MARIDO MARCO


HEHE! O BROTHER NÃO MARCOU NÃO!
OU MELHOR, MARCOU UM GOLAÇO!
AGORA CÊ É PRIMO NÉ!
ABRAÇÃO PARA OS DOIS
E MUITAS FELICIDADES!

PRIMAPRIPIRADA


MEU IRMÃO RODRIGO


TIA TÉIA!


oia nois


sábado, junho 23, 2007

SENTIDOS

Zelia Duncan

Não quero seu sorriso
Quero sua boca no meu rosto
Sorrindo pra mim
Não quero seus olhares
Quero seus cílios nos meus olhos
Piscando pra mim
Transfere pro meu corpo
Seus sentidos
Pra eu sentir
A sua dor o seu gemido
E entender porque
Quero você
Não quero seu suor
Quero seus poros na minha pele
Explodindo de calor
Transfere pro meu corpo
Seus sentidos
Pra eu sentir
A sua dor o seu gemido
E entender porque
Quero você...
Não quero seu sorriso
Quero sua boca no meu rosto
Sorrindo pra mim
Não quero seu suor
Quero seus poros na minha pele
Explodindo de calor...
Transfere pro meu corpo
Seus sentidos pra eu sentir
A sua dor o seu gemido
E entender porque
Quero você...

O Q FAZER


MESMO QUANDO VOCÊ NÃO QUER FAZER NADA
VOCÊ ESTARÁ FAZENDO ALGUMA COISA

SONHOS





















sexta-feira, junho 22, 2007

O baile.

Ricardo Gondim
- Vamos dançar? Com essa pergunta, conquistei minha primeira parceira num baile. Naqueles tempos, havia poucas opções para se aproximar de uma menina e eu começava a esbanjar hormônios. Por isso, não faltava às festas vesperais do Maguary, o clube de minha adolescência; ali teria boas oportunidades de cheirar o perfume do pescoço de uma mulher.
Fui um desastre quando tentei dançar pela primeira vez. Sem me deixar embalar pela melodia, meus pés se confundiram no compasso do bolero. Sem ritmo, tropecei diversas vezes nas sandálias alheias. Que vexame! Não consegui fazer o "dois para lá, dois para cá". Quanto mais me preocupava, mais parecia um robô desfilando em feira de informática. Dancei sem molejo, inflexível como um eixo de trator. Constrangi minha parceira. A festa acabou e voltei para casa arrasado. Desaprendi o que nunca havia aprendido. Dali para frente, acumulei constrangimentos piores. Cada nova tertúlia musical transformara-se numa tortura.
Minha salvação veio quando me filiei a uma comunidade evangélica. Lá se proibiam danças profanas. Entre os crentes, não passaria pelo acanhamento de pisar em lindos pés femininos.
Contudo, hoje percebo que perdi muito em nunca ter aprendido a valsar. Dança é uma maneira elegante de movimentar-se não só em festas, mas pela vida. Quando bailamos, a música penetra nossa pele afetando alma e espírito, ensinando-nos a ser leves.
Como é encantador observar um cavalheiro deslizando com sua dama por um salão. Sincronizados magistralmente, os dois parecem um, tangidos pelo som inebriante que vem da orquestra. Certa vez, contemplei um casal movendo-se com tanta graça que parecia levitar. O homem traçava linhas imaginárias com os pés e ela o seguia, rendida; os dois somavam harmonia com espontaneidade. Restou a nós outros, que temos pés de chumbo, a inveja.
Os bons dançarinos são alquimistas que transformam melodia em gestos. Como artistas, burlam regras fixas. Comportam-se semelhantes aos músicos do jazz, que deslumbram improvisando. São borboletas que voam graciosamente pelo quadrado do salão, obedecendo ao comando mágico da música. O cavalheiro apóia a mão nas costas da dama, comandando com toques sutis, mas com tal delicadeza que ela reconhece que ele também está sendo “dançado”, vassalo da melodia.
Depois de casado cheguei a pedir que minha mulher me ensinasse a bailar, numa tentativa desesperada de recuperar anos perdidos sem música e sem leveza. Tarde demais! Continuei sem ginga, sem ritmo e sem sensibilidade para deixar-me encharcar de melodia.
Reconheço que sou exageradamente consciente de minhas inadequações motoras, pois ainda hesito entre esquerda e direta. Não gosto que notem o tamanho do meu desajeitamento. Traumatizado, continuo imaginando que rirão de mim pela falta de jogo na cintura.
Dançar consiste numa das poucas atividades ainda não mecanizadas, já que espontaneidade, improviso e leveza são seus atributos essenciais.
As danças acompanham o homo sapiens desde o princípio. Nossos ancestrais pularam de alegria quando controlaram o fogo. Havia dança nas mais remotas manifestações de felicidade. Depois, quando as sociedades se aglutinaram para celebrar vitórias na guerra e ritos de passagem, os movimentos evoluíram mais compassados. Mais tarde, tentaram imitar os ritmos e as pulsações que sentiam vir do universo. Assim nasceu a prática religiosa, na busca dessa sintonia artística com a essência da vida, quer seja rodeando a fogueira ou tentando imitar o voar gracioso dos pássaros. Religião e dança desabrocharam juntas.
Mais tarde, os magos ansiaram entender porque as estrelas piscavam, intuindo corretamente, que existe ritmo na expansão do universo. Eles notavam música no farfalhar das árvores, na bruma prateada que desce da montanha gelada, no vaivém das marés, nos movimento dos girassóis, e obviamente, no canto dos sabiás. Os cultos se propagaram com muita dança.
Na Idade Média, físicos, matemáticos e filósofos descobriram leis fixas e passaram a descrever o universo como um enorme relógio. Com o enunciado da gravidade desvendaram-se alguns porquês da mecânica universal, descrita como uma roda dentada. Para eles, o mundo não passava de uma máquina sem graça; tudo engrenado na cadência de um tic-tac repetitivo; a vida seguia por trilhas conhecidas de causa e efeito. Presos à lógica e à linearidade empírica, descartaram a beleza do improviso e o encanto da surpresa. Na física newtoniana determinista não existe dança, nem bailarinos.
Só com a física quântica aprendeu-se que as sub-partículas atômicas bailam; e que os elétrons vaidosos, dançam aos pares. No imenso baile existencial, tudo improvisa diante do olhar atento da platéia. Não existe determinismo.
Por adotar a percepção mecânica da realidade, a religião prestou um desserviço à humanidade. No ocidente prevaleceu a espiritualidade especulativa e cerebral. A religião passou a competir com a ciência na fútil tentativa de controlar os processos cósmicos de causa e efeito. Com isso, lamentavelmente, grandes segmentos cristãos descartaram a celebração devocional, perdendo o encanto do mistério. Relegou-se aos místicos a adoração maravilhada de um Deus que excede a razão. Na ânsia de codificar a fé, esqueceram a noção de um Pai que organiza grandes festas e banquetes.
As Escrituras hebraica e cristã não revelam um Deus controlando o universo como um relojoeiro que dá corda numa máquina bem ajustada. Ele não se revela microgerenciando os atos humanos como um bondoso e esclarecido ditador. Na festa da criação, Deus fez música e tal qual um excelente Cavalheiro, convida seus filhos para o baile.
O Deus dançarino busca conduzir seus filhos com imperceptíveis toques nas costas, querendo, delicadamente, ensinar seus parceiros a quererem ser tangidos pelo som da sua orquestra.
Que privilégio dançar com Deus, sendo embalado pela fé, com a consciência de que nosso próximo passo será sempre inédito; sabendo que ninguém repetirá as pegadas que deixarmos no salão.
Continuo tímido, preferindo a previsibilidade cartesiana. Suspeito, entretanto, que serei muito mais feliz se aceitar o convite divino para a próxima valsa.
Soli Deo Gloria.

quinta-feira, junho 21, 2007

Criança travessa




o sonho


Resignação bovina


Andamos demais acomodados, todo mundo reclamando em voz baixa como se fosse errado indignar-se. Sem ufanismo, que dele estou cansada, sem dizer que este é um país rico, de gente boa e cordata, com natureza (a que sobrou) belíssima e generosa – sem fantasiar nem botar óculos cor-de-rosa que o momento não permite, eu me pergunto o que anda acontecendo com a gente. Tenho medo disso que nos tornamos ou em que estamos nos transformando, achando bonita a ignorância eloqüente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o banditismo arrojado, normal o abismo em cuja beira nos equilibramos – não malabaristas, mas palhaços. Saúde, educação, cultura, estradas, ferrovias, aviação estão numa decadência nunca vista, sem falar na honradez de nossos homens públicos. Líderes mentem e se desmentem, acobertam-se, insultam-se, à vista de todos se comprometem com a corrupção e os mais variados escândalos! Tudo normal, como o império macabro da violência que nos faz correr nas ruas feito ratos amedrontados, fechados em casa à noite devido à guerra civil, felizes se nenhuma das pessoas que amamos foi assaltada e morta naquele dia. Dormimos no chão dos aeroportos, contentes quando nosso avião afinal chega salvo ao seu destino, enquanto se fazem mais cortes nesse setor e em muitos outros, para poder pagar o fantástico salário de deputados e senadores: as coisas por aqui são assim mesmo, por que se incomodar?
Lya Luft, na revista Veja.

segunda-feira, junho 18, 2007

Conquistar o passado, caminhando para o futuro.

O homem só é livre diante do seu passado, só é capaz de ver claro nos meandros sinuosos da sua própria história, na medida em que caminha e se aproxima do seu futuro. Só então é livre para apreciar todo o valor do longo caminho percorrido, e poderá integrar esse valor na sua vida como um novo estímulo.
Parou, morreu!
Em certo sentido, o homem nasce todos os dias, emerge a cada momento do seu passado, cresce a cada instante, radicando mais firmemente nma raiz que se perde nas ramificações infinitas do seu próprio passado. A função da raiz é o crescimento no presente, em vista da colheita no futuro.
Carlos Mesters em "Por Trás Das Palavras" - um estudo sobre a porta de entrada no mundo da Bíblia- Editora Vozes.

SONHO DE LIBERDADE


AMAR




CACHORRO É QUASE GENTE


KIKA TOMANDO SOL


sábado, junho 16, 2007

reflexões

"Temos que descansar temporariamente de nós, olhando-nos de longe e de cima e, de uma distância artística, rindo sobre nós ou chorando sobre nós: temos de descobrir o herói, assim como o parvo, que reside em nossa paixão pelo conhecimento, temos de alegrar-nos vez por outra com nossa tolice, para podermos continuar alegres com nossa sabedoria" (Nietzsche)
"Realmente, só pelo fato de ser consciente das causas que inspiram minhas ações, estas causas já são objetos transcendentes para minha consciência; elas estão fora. Em vão tentaria apreendê-las. Escapo delas pela minha própria existência. Estou condenado a existir para sempre além da minha essência, além das causas e motivos dos meus atos. Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido exceto a própria liberdade, ou, se você preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres." Jean-Paul Sartre, (O Ser e o Nada )
É preciso ser um realista para descobrir a realidade. É preciso ser um romântico para criá-la. (Fernando Pessoa)
Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida. Mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.“(Aristóteles Onassis)
“O pior cárcere não é o que aprisiona o corpo,Mas o que asfixia a mente e algema a emoção.Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã.Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama.É abraçar, se entregar, sonhar recomeçar tudo de novo.É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção.Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria existência e desvendar seus mistérios.”
" Nenhum de nós pode programar a vida como linha reta imutável, inflexível...A cada instante as surpresas arrebentam e temos que ter humildade e imaginação criadora para ir salvando o essencial através do inesperado de cada instante..."
Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.” (Friedrich Nietzsche)
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripe estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."

SALVE, SALVE, PÁTRIA MINHA



NO ROLE




ZUERA




MULHERES



















































quinta-feira, junho 14, 2007

DESEJO

Carlos D. de Andrade
Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco Bolero de Ravel...
E muito carinho meu

quarta-feira, junho 13, 2007

Como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus


Outro dia me surpreendi me perguntando como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Em termos positivos, quis saber a respeito da função de Deus em minha vida (já sei, você vai dizer que reduzi deus a uma coisa e estabeleci com ele uma relação mecânica e funcional, mas deixa pra lá, você vai ver que não é isso, só estou usando a melhor palavra que achei). O primeiro impulso foi na direção da questão ética: Deus é minha matriz de certo e errado, bem e mal. Há muita coisa que faço e deixo de fazer na vida por acreditar que Deus é um padrão a ser seguido ou obedecido, não necessariamente por causa de Deus em si, mas a bem de quem o obedece ou segue: algo como seguir as orientações de um manual de instruções – você pode fazer do seu jeito, mas a coisa não vai funcionar, e o resultado não é que o manual vai ficar triste ou bravo com você, mas que a coisa não vai funcionar mesmo.Logo depois desta conclusão rápida, me pareceu óbvio que Deus não seria a única alternativa para que eu tivesse uma orientação ética: os ateus e agnósticos também têm sua ética. O passo seguinte foi imaginar que outra função Deus ocuparia em minha vida além da referência ética.Provavelmente você afirmaria o óbvio: Deus é aquele que cuida de mim, me protege, provê para o meu bem e minha felicidade. Embora eu acredite nisso, na verdade, não me basta, pois a vida está cheia de acontecimentos que me induziriam a acreditar exatamente o contrário. Caso eu dissesse a um cético que Deus é como um pai, mas um pai todo-poderoso que cuida de mim, certamente eu seria bombardeado de perguntas. Como disse Robert De Niro: “Se Deus existe, ele tem muito o que explicar”. Além disso, estar sob o cuidado de um superprotetor não é a razão porque acredito em Deus: de fato, abro mão de ser protegido – minha solidariedade com a raça humana não me permite esperar melhor sorte do que a das crianças abandonadas, dos enfermos crônicos, dos miseráveis e vitimados pelas atrocidades dos maus. Ou Deus protege todo mundo, ou a proteção não serve como fundamento para a crença nele.A idéia de um ser lá em cima fazendo e acontecendo aqui em baixo, como um mestre enxadrista que faz dos seres humanos peças num tabuleiro cósmico nunca me agradou. Mas mesmo assim, acredito nisso: sou daqueles que acredita que Deus está no controle do universo e da história. O que quero dizer é que não acredito em deus como se as coisas que acontecem ou deixam de acontecer fossem resultado de decisões divinas, do tipo: vou dar este emprego pra ele? vou curar esta criança? vou dar este câncer de mama para ela? vou fazer com que eles se casem?, e assim por diante, como se Deus fosse uma máquina de decisões que não para nunca e afeta tudo quanto existe em tudo quanto é lugar em relação a todo mundo.A maneira como percebo Deus é mais ou menos como percebo o sol: ele simplesmente está lá. Acredito em Deus mais ou menos assim: Deus está, ou se preferir, Deus é. Assim como o sol irradia seu calor sem cessar, também Deus afeta tudo em todo lugar em relação a todo mundo. O sol não precisa tomar decisões: ele simplesmente está lá. Assim também em relação a Deus.É verdade que nem todas as pessoas e nem todos os lugares são afetados pelo sol, e também que as pessoas e lugares que são afetados pelo sol experimentam o sol de maneira diferente e com conseqüências as mais variadas. Mas não por causa do sol. O sol está sempre lá e é sempre do mesmo jeito. O que muda é a realidade sobre a qual o sol incide: se a pessoa está à sombra é afetada de um jeito, se está descoberta é afetada de outro; o fruto do topo da árvore é afetado de um jeito, escondido entre as folhas, de outra; a água do lago é afetada de um jeito, empoçada, de outro; uma planta em boa terra e irrigada é afetada de um jeito, em solo ruim e seca, de outro. O sol está sempre lá e do mesmo jeito, aqui embaixo é que as coisas são diferentes.Assim também em relação a Deus. Ele é, e sempre do mesmo jeito, as condições que lhe são dadas é que mudam: uma criança sozinha na rua e outra num ambiente familiar de afeto e amor; um homem que aproveitou bem suas oportunidades de estudo e formação profissional e outro que não teve a mesma sorte; alguém com uma doença congênita e outra pessoa com propensão atlética; a periferia do Haiti e o condomínio na Califórnia. Deus é, e sempre o mesmo, fluindo de maneira plena e equânime sobre tudo e todos, em todo tempo e lugar. As realidades sob sua influência é que são distintas. Por esta razão as conseqüências de sua influência são diversas e jamais podem ser padronizadas.Já imagino o que você está pensando. Você acha que acabei de tirar a dimensão pessoal de Deus, e passei a tratar Deus como uma força ou uma energia. Faz sentido, mas tenho uma saída. A diferença entre Deus e uma força ou energia é que as forças e energias não afetam dimensões pessoais. Por exemplo, não é possível prescrever 30 minutos de banho de sol para adquirir capacidade de perdoar, 20 minutos de banho de chuva para se livrar do vício de mentir, ou 45 minutos de banho de luz para se encher de compaixão. Essas coisas: amor, perdão, misericórdia, justiça, solidariedade, pureza de coração, alegria e saudades são atributos pessoais, relativos a seres conscientes, auto-conscientes, com capacidades afetivas-emocionais, intelectuais e racionais, e volitivas. Por esta razão, o sol é apenas uma metáfora – incompleta, como toda metáfora – para Deus. Deus não é uma energia ou uma força impessoal, mas o Ser–em–Si, fundamento pessoal de toda a realidade existente. Como disse São Paulo, apóstolo: em Deus somos, nos movemos e existimos.Dallas Willard me ajudou muito a compreender isso quando afirmou que a principal maneira como somos afetados por Deus é através de “pensamentos e sentimentos que são nossos, mas não tiveram origem em nós”. Esta é minha experiência de Deus. Continuo acreditando que Deus está no controle de tudo, é livre para tomar decisões e afetar a realidade conforme sua vontade, cuida de mim e de todo mundo, faz e acontece na história e nas minhas circunstâncias, dispões de pessoas para a vida e para a morte, e o que mais você quiser ou considerar necessário atribuir como capacidade e direito a alguém que seja chamado Deus, afinal, por definição, Deus é incondicionado e ilimitado. Mas todas estas coisas atribuídas a Deus me são imponderáveis e inacessíveis. O que me afeta de fato é que crendo em Deus e conscientemente me submetendo a Ele, experimento pensamentos e sentimentos que são meus, mas não têm origem em mim. Sou levado a um estado de ser ao qual jamais conseguiria chegar sozinho. Deus é meu interlocutor amoroso. Deus é meu companheiro de viagem.O que acontece fora de mim, se Deus faz ou deixa de fazer, se foi ele quem fez ou deixou de fazer, não me diz respeito, minha razão não alcança, e, portanto, não é objeto de minha preocupação para caminhar pela vida. Mas o que acontece dentro de mim, isso sim, é tudo quanto eu tenho e me basta. Tudo quanto tenho para orientar a minha peregrinação existencial são sentimentos e pensamentos que são meus, muitos deles que não tiveram origem em mim. Isso é questão de fé. E essa é a minha fé: estou sob Deus, suplicante e humildemente dependente de seu amor para me tornar tudo quanto estou destinado a ser, independente do que me possa acontecer.A mim me basta saber que em pastos verdejantes às margens de águas puras e cristalinas, ou no vale da sombra da morte, nada preciso temer, pois Deus está comigo, refrigerando-me a alma, guindo-me pelos caminhos da justiça por amor do seu nome. A mim me basta saber que se Deus é por mim, ninguém pode ser contra mim, pois nada pode me separar do amor de Cristo: nem tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada, pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.Não sei como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Muito menos se Deus não acreditasse em mim. E nem quero saber.

Ed Rene Kivitz

segunda-feira, junho 11, 2007

O Sistema De Aquecimento Da Igreja

Não, não se trata de um sistema de aquecimento da nossa Igreja. Acabamos de colocar ar-condicionado no templo (e veio uma onda de frio!). Aquecimento seria uma boa, e já temos no batistério. Pelo menos para mim está bom. Mas não penso em novas despesas com climatização. Falo do sistema de aquecimento do Tabernáculo Metropolitano, em Londres, igreja batista onde Charles Spurgeon realizou um abençoado ministério. Abençoado como poucos.
A história está no livro “Anatomia da Pregação”, boa obra contemporânea sobre preparação e entrega de sermões. O autor, Larsen, conta uma história sucedida na igreja de Spurgeon. Cinco estudantes universitários foram ouvir o famoso pregador, apelidado de “O príncipe do púlpito batista”. Um diácono perguntou-lhes se queriam conhecer o sistema de aquecimento da igreja. “Era um dia quente de julho na Inglaterra”, diz Larsen. E os jovens quiseram ver que sistema de aquecimento era este, em um dia como aquele.
O diácono os levou a uma sala e abriu uma porta. Havia cerca de 700 pessoas, de joelhos, intercedendo pelo culto que ia começar, e pelo pregador. Spurgeon atribuía ao poder da oração intercessória de sua igreja o bom sucesso de seu ministério.
Em nosso tempo é diferente. O momento pré-culto é usado para bate-papo e para colocar em dia a conversa atrasada. Ou, em algumas igrejas, para se afinar instrumentos e testar som. Mesmo quem queira se colocar em oração tem dificuldades. A música de fundo, que deveria ser calma, em algumas igrejas, é agitada. Como música de boteco. Aí todo mundo tem que falar mais alto para ser ouvido. Parece uma feira.
São duas questões que abordo aqui. A primeira é o valor da oração intercessória. O quadro de oração é pobre em nossas igrejas. Na nossa a freqüência aos cultos de oração não chega a 10% da membresia da Igreja. Na vida pessoal ela é raramente praticada. Mas piora quando se trata da oração intercessória, quando oramos pelos outros. Gostamos quando oram por nós, mas não nos entregamos muito à intercessão. E muitos pensam que o pregador “já se virou” sozinho espiritualmente falando. Ele já deve ter orado e vai abençoar o povo com a mensagem e seu preparo espiritual. Ledo engano! Uma máxima pronunciada por alguém e de muita validade é esta: bancos sem oração produzem púlpitos sem poder. Nenhum pastor pode prescindir das orações de suas ovelhas. Há poder na oração intercessória. Além disto ela cria uma sintonia espiritual entre o pregador, a congregação e Deus. Ela imerge a todos numa atmosfera de espiritualidade.
A segunda questão é o valor do momento pré-culto. O culto não começa quando o pastor sobe ao púlpito. Muito menos quando se canta o primeiro hino. O culto começa quando chegamos. Não use o tempo antes do culto para conversas. Ore. Por você, pelo pregador, pelos irmãos, pelos músicos, pelos não convertidos. Ore pedindo que Deus manifeste sua graça na edificação de crentes e conversão de pecadores. Não é a hora de afinar instrumentos. Não é a hora de repassar playback. Ou de acertar o som. Isto tudo é necessário, mas deve ser feito antes.
E um pedido pastoral. Com toda humildade. Seu pastor atende sete dias na semana. Não peça atendimento pastoral nos momentos imediatos ao culto. É a hora em que sua mente não pode ser desviada para problemas, mas sim de se centrar na mensagem, na ordem do culto, de terminar seu preparo espiritual.
Isto é sério e altamente relevante. Seja parte integrante do sistema de aquecimento de sua igreja. Ore por você, pelos irmãos, pelo culto, pelos sem Cristo. Ore como se tudo dependesse de você. Seja um intercessor.

Isaltino Gomes Coelho Filho

domingo, junho 10, 2007

CLAY NUNES







FILOSOFIA E POLÍTICA

Os cidadãos não terão alívio do mal, meu querido Glauco, nem a raça humana, creio, a não ser que os filósofos governem as cidades ou que os que hoje chamamos de reis e governantes estudem filosofia verdadeira e genuinamente, até que o poder político e a filosofia coalesçam e as diversas natureza dos que hoje perseguem alguém até a exclusão do outro sejam forçosamente impedidas de fazê-lo. (Sócrates, segundo Platão)
É lícito afirmar que são prósperos os povos cuja legislação se deve aos filósofos. (Aristóteles)

sexta-feira, junho 08, 2007

A PARÁBOLA DA ROSA

Um certo homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente e, antes que ela desabrochasse, ele a examinou. Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou, Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados? Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa, e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu. Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: as qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos de nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior. Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e, consequentemente, isso morre. Nós nunca percebemos o nosso potencial. Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas; Alguém mais deve mostrá-la a elas. Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Esta é a característica do amor -- olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajuda-a a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições. Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, Elas superarão seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

ARCO ÍRIS DA AMIZADE

Amigos são "cores", cada qual com seu matiz, e um jeitão sempre muito marcante.
Há o Amigo "cor verde" : É aquele que em tudo ressalta a beleza da Vida e põe esperança nela. Ergue-nos!
Há o Amigo "cor azul" : Ele sempre traz palavras de paz e de serenidade, dando-nos a impressão, ao ouvi-lo, de que estamos em contato direto com o céu ou com o profundo azul do mar.Ele nos eleva!
Há o Amigo "cor amarela" : Ele nos aquece, assim como o sol... faz-nos rir, sorrir e enxergar o amarelo brilho das estrelas bem ao alcance das nossas mãos.
Há o Amigo "cor laranja" : Ele nos traz a sensação de vigor, saúde, enriquece nosso espírito com energias que são verdadeiras vitaminas para o nosso crescimento.
Há o Amigo "cor vermelha" : É aquele que domina as regras de viver, é como nosso sangue. Ele acusa perigos, mas nunca nos abala a coragem. É pródigo em palavras apaixonadas e repletas de caloroso amor.
Há o Amigo "cor roxa" : Ele traz à tona nossa essência majestosa, como a dos reis e dos magos. Suas palavras têm nobreza, autoridade e sabedoria.
Há o Amigo "cor cinza" : Ele nos ensina o silêncio, a internalização e o auto-conhecimento. É um indutor a pensamentos e reflexões. Ajuda-nos a nos aprofundarmos em nós mesmos.
Há o Amigo "cor preta" : Ele é mestre em mostrar nosso lado mais obscuro, com palavras geralmente duras, atinge-nos sem "anestesia" e, com boas intenções, leva-nos a melhor considerar nossas atitudes perante a vida.
E há o Amigo "Cor branca" : Esse é uma mistura de todos. É aquele que "saca" um pouco de cada um e nos revela verdades nascidas da vivência e da incorporação de conhecimentos. Ele nos prova que, não só ele, mas também todos os outros, têm verdades aprendidas para partilhar conosco.
Se reunirmos a todos num grande encontro, veremos um arco-íris de Amor e de Amizade.

quinta-feira, junho 07, 2007

Princípio criou Deus

(texto: Ian Mecler.)

Assim começa o texto de milhares de palavras dos cinco primeiros livros da Bíblia, também denominado Torá. Todo princípio é determinante.... ao plantar uma semente você estará definindo o tipo de árvore que poderá se formar. Todo o nosso universo é obra da criação. Como imagem e semelhança do Criador precisamos resgatar nossa criatividade e lembrar que, em qualquer tarefa, por mais simples que seja, podemos exercer nosso potencial criativo. Observe cuidadosamente toda a obra da criação e você verá claramente que há um selo comum em todas as coisas. uma mesma assinatura, presente tanto na diminuta formiga como no enorme elefante. Como um pintor que assina seus quadros, assim o criador assinou cada pequeno detalhe da obra de sua criação. Mas para começar novamente precisamos abandonar o "já sei". Será que sabemos mesmo? Se não esvaziarmos não abriremos espaço para receber o novo. O que voce procura: um bom relacionamento afetivo? Uma melhor situação financeira? Um maior conhecimento? Tudo isto é mesmo fundamental, mas mesmo quando acontece não sacia... E você sabe o por quê? Porque para nos tornarmos imagem e semelhança do Criador e precisamos acordar do sono profundo que é a falta da consciência. Somente quando despertos estaremos prontos para plantar e colher melhores frutos.

QUIMICA DO BEIJO

Esse ato aparentemente simples, mas cheio de significado, desperta uma revolução de sentimentos e reações no organismo humano.Ah, o beijo... Quem não se lembra do primeiro, quando descobriu os poderes encantadores desse ato aparentemente simples, mas tão cheio de significados? Quem nunca se emocionou com um beijo?Sem essa demonstração de carinho é impossível namorar, amar.E não é de hoje. O "Kama Sutra", livro milenar dos indianos do culto ao sexo, diz que não há mesmo dúvida: beijar é uma arte. Existem poucos estudos científicos sobre o poder de um beijo...Mas o sábio povo hindu sabe que o beijo e a relação sexual são fontes de energia dos seres humanos. Os hindus não estavam errados, garantem os sexólogos.É através do beijo que o ser humano libera aquelas substâncias químicas que transmitem mensagens ao corpo!Aí vem aquele estado de leveza física .... Que envolve e enlouquece...Quando duas pessoas se beijam, a hipófise, o tálamo e o hipotálamo trabalham juntos na liberação dessas substâncias, ocorrendo assim o que se chama de "química do beijo ", que vai ativar a libido e a produção da endorfina, substância que produz no corpo a sensação de leveza e de flutuação...E se alguém tem dúvida de que essa sensação de excitação faz bem ao corpo e à mente é só levar em conta que ela ativa a produção dos hormônios e desperta o desejo, ingredientes essenciais à satisfação humana.Além da química, o beijo movimenta cerca de 29 músculos - 12 dos lábios e 17 da língua. Com um simples beijo é possível queimar de três a 12 calorias, dependendo da intensidade.

Falando abobrinha




lindo


quarta-feira, junho 06, 2007

CARREFUL


ESQUEÇA / LEMBRE-SE

Esqueça os dias de nuvens escuras...
Mas lembre-se das horas passadas ao sol.
Esqueça as vezes em que foi derrotado...
Mas lembre-se das suas conquistas e vitórias.
Esqueça os erros que já não podem ser corrigidos... Mas lembre-se das lições que você aprendeu.
Esqueça as infelicidades que você enfrentou...
Mas lembre-se de quando a felicidade voltou.
Esqueça os dias solitários que você atravessou...
Mas lembre-se dos amigos amáveis que encontrou. Esqueça os planos que não deram certo...
Mas lembre-se sempre de TER UM SONHO

AMAR BONITO / Arthur da Távola

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: Aprenda a fazer bonito seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender... Tenho visto muito amor por aí. Amores mesmo: bravios, gigantescos, escomunais,profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva. Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados,tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras. Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam, descuidam, reclamam,deixam de compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem, enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira!!! Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro,da dor do desencontro a maior beleza possível? Talvez não. cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito. Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações,adiar sempre...se possível com beijos -'aquela conversa importante que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama, toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível. Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos); Não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade, abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente; não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito). Jogue por alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo de Natal infantil. Revivendo os caminhos que intuiu em criança. Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade. Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo que você é. Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Amante é "aquilo que nos apaixona".

É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso amante é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música ou na política, no esporte ou no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente ou na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto... Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando". E o que é "ir levando"? É ter medo de viver. É vigiar a forma como outros vivem, é se deixar dominar pela pressão, é perambular por consultórios médicos, é tomar remédios multicoloridos, é afastar-se do que é gratificante, é observar decepcionado cada ruga que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou frio, com a umidade ou a chuva. "Ir levando" é adiar a possibilidade de desfrutar o "hoje", fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã. Por favor, não contente com "ir levando", procure ou busque um amante, seja também um amante e um protagonista da SUA VIDA. Acredite: o trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, sem mais delongas, procure um amante. "Para se estar satisfeito, ativo e sentir-se jovem e feliz, é preciso namorar a vida".
Dr. Jorge Bucay, tradução do original "Hay que buscarse um amante"

domingo, junho 03, 2007

sábado, junho 02, 2007

A única necessidade de Deus.

Elienai Cabral Junior
Ao criar a humanidade, Deus criou uma necessidade. Porque sendo amor, movimenta-se na direção do outro-necessário. Quem ama faz o outro importante, dá ao outro o estatuto de legitimador da felicidade plena. Só se é feliz completamente se o objeto de amor, inteiro, integra-se. O que Deus faz ao criar a pessoa humana como pessoa livre é exatamente movimentar-se amorosamente: faz do outro tão importante (necessário) que faz falta. A criação da humanidade é a invenção divina de um outro sujeito de afetação. O que a pessoa humana faz, o jeito como vive, a maneira como reage diante da vida, mas principalmente, o que faz com a sua liberdade de dar as costas ou voltar-se ao divino, afeta o coração de Deus: ira-se, entristece-se, arrepende-se, compadece-se. As más escolhas humanas o incomodam. Deus aceitou, ao criar-nos, a possibilidade do “mal estar”, na mesma intensidade que o alternativo deleite de ser amado exclusivamente.
O amor, aprendemos com Deus na história bíblica, é uma aposta contra si mesmo, porque o amor faz o outro livre – único amor que sacia a alma amante. O outro torna-se, no amor criativo, um outro imprevisível.
Insisto, ao criar a humanidade, apenas por amor, Deus criou uma necessidade. A sua única necessidade. Espantoso: Deus precisa do homem!? Não como fundamento, Deus não se faz menos nem mais Deus a partir de mim, ou seja, para ser Deus sou absolutamente dispensável. Para agir como Deus, sou completamente desnecessário. Mas para que o seu ato criativo seja feliz, Deus aceitou fazer-me necessário.
Não foi na encarnação que Deus mais se humilhou por amor. Mera continuidade. Aconteceu na criação humana o mais desgastante gesto divino de amar. Humilhou-se ao risco de criar um ser tão amado e livre que se tornou sua única necessidade. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)

LANÇAMENTO


Victor Hugo - Perseverança.

Quem ama quer, e aquele que quer relampeja e cintila. A resolução enche os olhos de fogo; admirável fogo que se compõe da combustão de pensamentos tímidos. Os teimosos são os sublimes. Quem é apenas bravo tem um assomo, que é apenas valente tem só um temperamento, quem é apenas corajoso tem só uma virtude; o obstinado na verdade tem a grandeza. Quase todo o segredo dos grandes corações está nesta palavra: perseverando. A perservança está para o coração como a roda para a alavanca; é a renovação perpétua do ponto de apoio. Esteja na terra ou no céu o alvo da vontade, a questão é ir a esse alvo; no primeiro caso, é Colombo, no segundo caso, é Jesus. Insensata é a cruz; vem daí a sua glória. Não deixar discutir a consciência, nem desarmar a vontade, é assim que obtêm o sofrimento e o triunfo. Na ordem dos fatos morais o cair não exclui o pairar. Da queda sai a ascensão.Os medíocres deixam-se perder pelo obstáculo especioso; não são assim os fortes. Perecer é o talvez dos fortes, conquistar é a certeza deles. Podes dar a Estevão todas as boas razões para que ele não se faça apedrejar. O desdém das objeções razoáveis cria a sublime vitória vencida que se chama o martírio.
Victor Hugo em "Os Trabalhadores do Mar" - tradução de Machado de Assis - Editora Nova Alexandria.

ANGÉLICA, EU E ELIENE


DOUGLAS, CAIO E EU


GATO EA GATA


frei Betto


Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas as religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os batismos, preexiste aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas.
Livre de teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.
Creio no Deus que não tem religião, criador do universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos. Deus ourives em cada ínfimo elo das partículas elementares, da requintada arquitetura do cérebro humano ao sofisticado entrelaçamento do trio de quarks.
Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une – o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Em se tratando de Deus, bem diz o pensador islâmico Rumî, não é o sedento que busca a água, é a água que busca o sedento. Basta manifestar sede e a água jorra.
Creio no Deus que se faz refração na história humana e resgata todas as vítimas de todo poder capaz de fazer o outro sofrer. Creio em teofanias permanentes e no espelho da alma que me faz ver um Outro que não sou eu.
Creio no Deus que, como o calor do sol, sinto na pele, sem no entanto conseguir fitar ou agarrar o astro que me aquece.
Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda dos nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.
Creio no Deus que, na minha infância, plantou uma jabuticabeira em cada estrela e, na juventude, enciumou-se quando me viu beijar a primeira namorada. Deus festeiro e seresteiro, ele que criou a Lua para enfeitar a noites de deleite e as auroras para emoldurar a sinfonia passarinha dos amanheceres.
Creio no Deus dos maníacos depressivos, das obsessões psicóticas, da esquizofrenia alucinada. Deus da arte que desnuda o real e faz a beleza resplandecer prenhe de densidade espiritual. Deus bailarino que, na ponta dos pés, entra em silêncio do palco do coração e, soada a música, arrebata-nos à saciedade.
Creio no Deus do estupor de Maria, da trilha laboral das formigas e do bocejo sideral dos buracos negros. Deus despojado, montado num jumento, sem pedra onde recostar a cabeça, aterrorizado pela própria fraqueza.
Creio no Deus que se esconde no avesso da razão atéia, observa o empenho dos cientistas em decifrar-lhe os jogos, encanta-se com a liturgia amorosa de corpos excretando sumos a embriagar espíritos.
Creio no Deus intangível ao ódio mais cruel, às diatribes explosivas, ao hediondo coração daqueles que se nutrem com a morte alheia. Misericordioso, Deus se agacha à nossa pequenez, suplica por um cafuné e pede colo, exausto frente à profusão de estultices humanas.
Creio sobretudo que Deus crê em mim, em cada um de nós, em todos os seres gerados pelo mistério abissal de três pessoas enlaçadas pelo amor e cuja suficiência desbordou nossa Criação sustentada, em todo o seu esplendor, pelo frágil fio de nosso ato de fé.

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