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segunda-feira, junho 11, 2007

O Sistema De Aquecimento Da Igreja

Não, não se trata de um sistema de aquecimento da nossa Igreja. Acabamos de colocar ar-condicionado no templo (e veio uma onda de frio!). Aquecimento seria uma boa, e já temos no batistério. Pelo menos para mim está bom. Mas não penso em novas despesas com climatização. Falo do sistema de aquecimento do Tabernáculo Metropolitano, em Londres, igreja batista onde Charles Spurgeon realizou um abençoado ministério. Abençoado como poucos.
A história está no livro “Anatomia da Pregação”, boa obra contemporânea sobre preparação e entrega de sermões. O autor, Larsen, conta uma história sucedida na igreja de Spurgeon. Cinco estudantes universitários foram ouvir o famoso pregador, apelidado de “O príncipe do púlpito batista”. Um diácono perguntou-lhes se queriam conhecer o sistema de aquecimento da igreja. “Era um dia quente de julho na Inglaterra”, diz Larsen. E os jovens quiseram ver que sistema de aquecimento era este, em um dia como aquele.
O diácono os levou a uma sala e abriu uma porta. Havia cerca de 700 pessoas, de joelhos, intercedendo pelo culto que ia começar, e pelo pregador. Spurgeon atribuía ao poder da oração intercessória de sua igreja o bom sucesso de seu ministério.
Em nosso tempo é diferente. O momento pré-culto é usado para bate-papo e para colocar em dia a conversa atrasada. Ou, em algumas igrejas, para se afinar instrumentos e testar som. Mesmo quem queira se colocar em oração tem dificuldades. A música de fundo, que deveria ser calma, em algumas igrejas, é agitada. Como música de boteco. Aí todo mundo tem que falar mais alto para ser ouvido. Parece uma feira.
São duas questões que abordo aqui. A primeira é o valor da oração intercessória. O quadro de oração é pobre em nossas igrejas. Na nossa a freqüência aos cultos de oração não chega a 10% da membresia da Igreja. Na vida pessoal ela é raramente praticada. Mas piora quando se trata da oração intercessória, quando oramos pelos outros. Gostamos quando oram por nós, mas não nos entregamos muito à intercessão. E muitos pensam que o pregador “já se virou” sozinho espiritualmente falando. Ele já deve ter orado e vai abençoar o povo com a mensagem e seu preparo espiritual. Ledo engano! Uma máxima pronunciada por alguém e de muita validade é esta: bancos sem oração produzem púlpitos sem poder. Nenhum pastor pode prescindir das orações de suas ovelhas. Há poder na oração intercessória. Além disto ela cria uma sintonia espiritual entre o pregador, a congregação e Deus. Ela imerge a todos numa atmosfera de espiritualidade.
A segunda questão é o valor do momento pré-culto. O culto não começa quando o pastor sobe ao púlpito. Muito menos quando se canta o primeiro hino. O culto começa quando chegamos. Não use o tempo antes do culto para conversas. Ore. Por você, pelo pregador, pelos irmãos, pelos músicos, pelos não convertidos. Ore pedindo que Deus manifeste sua graça na edificação de crentes e conversão de pecadores. Não é a hora de afinar instrumentos. Não é a hora de repassar playback. Ou de acertar o som. Isto tudo é necessário, mas deve ser feito antes.
E um pedido pastoral. Com toda humildade. Seu pastor atende sete dias na semana. Não peça atendimento pastoral nos momentos imediatos ao culto. É a hora em que sua mente não pode ser desviada para problemas, mas sim de se centrar na mensagem, na ordem do culto, de terminar seu preparo espiritual.
Isto é sério e altamente relevante. Seja parte integrante do sistema de aquecimento de sua igreja. Ore por você, pelos irmãos, pelo culto, pelos sem Cristo. Ore como se tudo dependesse de você. Seja um intercessor.

Isaltino Gomes Coelho Filho

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