RECOMENDE!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Crente, credo!

Todo mundo é crente. Até o que se diz ateu é crente. Ele crê que Deus não existe. Crente é todo aquele que crê em algo. Entretanto, o figura aqui descrito é o tipo mais escroto deles. E quando se juntam, ficam insuportáveis. Raça de víboras! Assim Jesus tratava os religiosos da época, será que também não podemos usar este conceito para estes que se reúnem em nome do Deus Eterno, mas cultuam o seu deus interno?

Os daquela época usavam aparecia de piedade, mas tinham um coração mau, julgavam, condenavam e procuravam pessoas para apedrejar. Passavam displicentemente ao lado do necessitado, pois se preocupavam em olhar apenas para cima. Preocupados com sua religião vertical. Cumpriam todos os ritos religiosos e abstinham-se do amor. Hoje, a maioria desses religiosos é uma foto cópia dos anteriores. Apenas vestem uma roupagem da pós-modernidade.

Amar o próximo? Quanto amor eles tem para dar, pena que dão. Direcionam este amor para o espelho, para o próprio umbigo. O amor é muito mais sublime do que este que circula entre nós. Somos uma sociedade egoísta, mesquinha, arrogante. Uma sociedade emocionalmente doente. E os crentes parecem que potencializam estas características. Ainda mais com esta teologia da prosperidade que transforma pessoas em sanguessugas, como a do provérbio: Dá-me, Dá-me, Dá-me!

Este tipo de gente é arrogante. Acha-se o dono da verdade e esta o cega. A verdadeira verdade liberta (Jo 8.32), entretanto esta é a verdade de cada um e desta forma o tatame está armado até entre eles. Combatem-se em busca de esticar a sua verdade pessoal mais do que a verdade do outro, até tentar alcançar a Verdade de Cristo. Cada um tem a sua verdade, a luta é para ver qual é a que melhor se entrelaça com a verdadeira Verdade de Cristo.

União? Só se for nas panelinhas. E há argumento para formação destas. ‘Até Jesus tinha suas panelinhas’. Tinha a dos doze e dentro desta tinha Jesus e mais três. É! Mas é bem diferente das atuais panelas que contém tampas e não permite o compartilhamento com outros. Tirando a união que provém da simpatia, encontramos uma pseudo união, a ‘união casca de ovo’, vista somente nos encontros com todo o seu ar de hipocrisia e fragilidade. Cumprimentam-se como amado, querido, prezado irmão. Porém basta algo ínfimo para que esta união se desfaleça.

Não pense que me excluo desta. NÃO! De forma alguma. Creio que todos nós CRISTÃOS temos nossos momentos de ‘crente’. Este tipo de gente que enoja tanto a sociedade quanto aos verdadeiros cristãos. Quem pode dizer que nunca cultuou seu deus interior? Quem nunca deixou de prestar ajuda ao necessitado? Quem nunca foi arrogante discutindo e impondo suas idéias? Ou apenas dividiu o seu grupo como ‘este eu gosto, este eu não gosto’?

Vira e mexe este ‘espírito de crente’, este asqueroso espírito religioso com sua religião vertical que procura esconder suas falhas e acusar a dos outros surge em nossas vidas. Se deixarmos a maré nos levar é este tipo de vida que vamos encontrar.

Nadar contra a maré é viver uma vida de verdadeira espiritualidade. Viver assim é lutar constantemente contra o golpe de estado que nosso coração arma diariamente. É ter um amor congruente ao próximo. Ter empatia por ele. Somente através da empatia podemos realmente amar o próximo como Jesus nos orientou. Um tem que colocar-se no lugar do outro, sentir a dor do outro. Não há distinção entre as pessoas. O espiritual não discute ou tenta impor suas verdades. Ele apenas defende a verdade de Cristo sem jogar pérolas aos porcos e sem impor seu raciocínio e fé aos outros.

Há um largo espectro entre a religiosidade e a espiritualidade. Estamos numa constante variação nesta escala. Encarnados, nunca atingiremos o ápice da espiritualidade, mas com certeza podemos facilmente atingir o ápice da religiosidade apagando o Espírito de nossos corações. A partir daí a religiosidade é pura carnalidade.

Este ‘espírito religioso’ rotulado pelo status quo como ‘crente’ sempre rodeará as igrejas. Ali é o lugar dele. Não veremos este ‘espírito’ rondando estádios de futebol. Bailes funk e festas rave. O lugar dele é dentro da igreja. Lá ele explicita toda sua potência religiosa, a igreja torna-se uma vitrine para agigantar o seu ego.

A luta e a vigilância não são somente contra o pecado e as trevas, mas também contra esta maldita capa religiosa que nos distancia do verdadeiro Espírito de Cristo. O Espírito que nos leva a servir ao Senhor e ao próximo com toda sinceridade do coração, sem hipocrisia, arrogância, orgulho ou interesse. Clay. 04.10.2007

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