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quarta-feira, novembro 28, 2007

"A vida humana"

André Comte-Sponville
"Em razão da fraqueza de nossa natureza", escreve Espinosa, "é necessário amar algum objeto e nos unir a ele para existir". Somos fracos demais para vivermos sós. Fracos demais para nos bastarmos. E mesmo egoístas demais para sê-lo absolutamente. Amar apenas a si? Isso seria amputar-se do mundo e da humanidade, fechar-se no próprio espelho, na própria miséria, nas próprias angústias.Não amar nada? Isso seria viver sem alegria, sem prazer, sem desejo - seria já estar morto. É o que nossos médicos chamam de melancolia, no sentido psiquiátrico do termo (não mais "a felicidade de estar triste", que faz parte da condição humana, mas a "perda da capacidade de amar", como dizia Freud, que conduz ao nada), não tanto uma filosofia, ainda que niilista, mas uma patologia. Doença mortal, urgência psiquiátrica: o suicídio, se não houver tratamento, é um perigo a curto prazo. Não se pode viver sem amor, e essa fraqueza é nossa força, e essa força - o poder de amar: o desejo, o conatus, a alegria - é a única fraqueza que vale.
André Comte-Sponville em "A vida humana"
Editora Martins Fontes.

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