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sexta-feira, junho 27, 2008

Qualidades na vida cristã

“Ele é bom cristão” resume em poucas palavras o que queremos dizer ao falarmos sobre uma vida cristã de alta qualidade. Desejo refletir uns minutos sobre o que deveria significar uma avaliação como esta. Para muitos, provavelmente a maioria, ser um bom cristão significa cumprir algumas regras, tais como ler a Bíblia, orar, freqüentar uma igreja, pagar suas contas em dia, e, inclusive, dizimar. É ser uma pessoa confiável e honesta, um homem que não assedia outra mulher, mas que ama sua própria esposa. Ele se identifica como “cristão” ou talvez “crente”, e uma vez ou outra tenta persuadir um colega de trabalho que deve “aceitar a Cristo”. Tem certeza de que vai para o céu e sente pena dos que não crêem como ele crê. Certamente, todas essas práticas devem caracterizar um cristão evangélico, porém não identificam o que é um bom cristão do ponto de vista de Jesus ou de um dos escritores do Novo Testamento. Para os que foram criados na igreja, especialmente os crentes de segunda ou outra geração, o ideal seria procurar com mais cuidado se passará pelo juízo de Deus ileso. A questão central é: todas as práticas externas que identificam cristãos do ponto de vista humano são fruto de um coração transformado ou não? Práticas ou obras demonstram a forma do cristianismo que o indivíduo abraça, mas não a motivação. A religiosidade pode ser a marca registrada do farisaísmo que Jesus denunciou durante seu ministério terreno. Túmulos caiados por fora não garantem um perfume de butique por dentro! Os homens atentam para ações externas; Deus, porém, olha para o coração. Jean Nicolas Grou, século 18, apontou a diferença entre a pessoa preocupada com as aparências cristãs e aquele que ama ao Senhor de todo o coração. “Dar o coração e a mente para Deus para que eles não sejam mais nossos, para assim fazer o bem sem ter consciência disso, para orar incessantemente e sem esforço como se respirássemos; para amar sem deixar diminuir nosso sentimento, que é o perfeito esquecimento de si mesmo e que nos lança para Deus como o bebê descansa no peito da mãe” (Refrigério para a Alma, Shedd Publicações, p. 142). A verdadeira religião tem um componente necessário: o amor pelo Senhor. O primeiro mandamento aparece três vezes nos evangelhos. Foi endossado por Jesus, que pronunciou o segundo mandamento como semelhante ao primeiro em importância. Os dois mandamentos destacam o relacionamento amoroso de alguém para com Deus e com os irmãos. “Se alguém não ama ao Senhor, seja amaldiçoado”, declara Paulo. Jesus perguntou a Pedro, três vezes, se ele o amava. Seguir a Jesus durante três anos e declarar enfaticamente sua lealdade pelo Senhor não foi suficiente para segurá-lo na hora da provação. O medo, a assombrosa realidade de acompanhar Jesus para a “toca dos leões”, o desestruturou de tal modo que quebrou sua intenção de ficar leal para com Jesus. Pelo sinal exterior, Pedro era apóstata. Pelo coração, ele podia dizer, honestamente: “Tu sabes que eu te amo”! O resto de sua vida e ministério confirmam que ele amava ao Senhor de verdade. A prática evangélica de convidar pessoas para, numa reunião, irem à frente, levantarem a mão ou receberem a marca do batismo, não pode ser mais do que um sinal externo de interesse em se identificar ou concordar com a veracidade da mensagem. Nascer de novo quer dizer nascer do Espírito e, por meio dele, experimentar o derramamento do amor de Deus no coração. “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22,23, NVI). Nenhuma certeza pode ser mais importante do que a certeza da eterna salvação. Nenhuma mentira pode ser mais perniciosa do que uma falsa segurança sobre o destino eterno da alma. O auto-exame que Paulo pediu aos coríntios não é opcional. Um diagnóstico correto de nosso relacionamento com Deus supera em muito a importância de uma consulta médica no caso de suspeita de um câncer incurável.
Russel Shedd
Fonte: Revista Enfoque - Edição N.81 - Abr / 2008

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