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quinta-feira, agosto 07, 2008

Despedidas necessárias...

Posso até já ter aceitado, mas não tolero a idéia de voltar a subir num palco de show gospel. Já paguei o mico de dar uma “palavrinha” entre um artista e outro e depois me perguntar: “O que foi mesmo que fui fazer ali?”.

Criei verdadeira rejeição aos chavões que, nesses grandes espetáculos, presumivelmente exaltam a glória de Javé. Rostos pingando de suor e mãos levantadas pelo frenesi bem encenado de “levitas” sinceramente vazios, não me impressionam mais.

Tento, mas não consigo entender a utilidade das “marchas para Jesus”. Talvez sirvam para mostrar aos abutres políticos do país, o naco eleitoral que os apóstolos de plantão conseguem juntar. A bem da verdade, nessas marchas, os trios elétricos arrastam os crentes para um carnaval fora de hora. Podem atrapalhar o trânsito do sábado, mas a comunidade gay perceberá que os crentes são numerosos e igualmente espalhafatosos!

Já fui um pastor engomado, mas hoje desdenho dos ternos Armani, das abotoaduras de ouro, dos relógios cravejados de brilhante que compõem o kit dos “servos” de Deus que, com tique nervoso, ajeitam a gravata para mostrar como a “unção” lhes inchou o pescoço.
Rio sempre que me deparo com as estatísticas dos crentes. Li que um evangelista vinha conseguindo “ganhar” cem mil almas para Cristo por ano; determinada missão, que se notabilizou por mostrar o filme Jesus, “converte” dezenas de milhões por mês; um missionário alemão, que carrega a maior tenda do mundo pelo circuito africano, reporta números astronômicos; um pastor americano afirma ter vendido mais livros do que qualquer outro autor secular ou religioso em todos os tempos. Se der crédito, a população da terra já se converteu umas cinco ou seis vezes.

Suspeito dos testemunhos de milagre com o mesmo cuidado com que abro a carta que me diz que ganhei trinta quilos de ouro em um sorteio que nunca participei. Se todas as maravilhas propaladas nos programas de televisão e todas as intervenções sobrenaturais anunciadas no rádio acontecessem mesmo, certamente, a renda per capta da América Latina seria maior do que a da Suíça e a comunidade científica já estaria pesquisando o segredo do câncer erradicado entre os pentecostais.

Chega o tempo em que fases, processos e estações se encerram. Torna-se necessário se despir da antiga pele para se recobrir da nova. Quando dou as costas para muita coisa, pressinto a Terra Prometida além do rio que luto para atravessar.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

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