RECOMENDE!

terça-feira, setembro 29, 2009

AS PRISÕES DO MUNDO



Existem vários tipos de prisões, a principal e que vem rapidamente a memória de todos é a privação da liberdade. Ficar preso, seja por grades ou no próprio domicílio é um enorme exílio. Entretanto há outras prisões. Só quem é cego sabe como sua vida é privada de algo. Algo como ver sua mãe envelhecer, ver um sorriso de uma criança, um entardecer ou outros olhos cheios de esperança.
Pergunte ao um surdo sobre a sua privação do ruído, cárcere do silêncio, do som vive escondido, como deve ser doído. Não poder ouvir um pássaro cantar, seu filho assobiar e sua filha gargalhar. O mudo é privado de dizer seus pensamentos, seus sentimentos, inclusive seu sofrimento. Poucos o entendem e mais poucos ainda conhecem suas profundas expressões.
Estes citados, como muitos outros que superam os limites que a vida lhe impôs são na verdade extrahumanos, isto é, extrapolam o limite que lhe delimitou a própria humanidade. Não perdem o amor à vida, pelo contrário isto os fortalece a cada dia, mostrando a todos que apesar de tudo a vida tem muita alegria.
Entretanto há muitas outras prisões que dominam nossas vidas, e só existem porque permitimos. A prisão dos vícios, é uma grade e na porta está a chave, pronta para abrirmos. E porque não abre? Não abre porque não quer, não há outra resposta. É difícil, é lógico, é uma luta contra si mesmo, mas é por um tempo, são várias batalhas, dia a pós dia, porém a cada dia ela perde a força e o determinado cada dia mais forte até o fim da guerra.
E você, está preso em algo? O que tem limitado a sua vida? O cárcere de um amor não correspondido, solidão, depressão ou falta de motivo? Muitas vezes precisamos apenas de uma luz, outras de uma ajuda e isto existem muitas.
Prisões, qual é a sua?

Clodoaldo Clay Nunes

sexta-feira, setembro 04, 2009

Medo


A gente já falou, aqui, sobre o medo. Todo mundo tem ou já teve medos. Pode ser de aranha, de avião. Pode ser medo do mar, e até de fantasma...
Medo é coisa que dá em gente, não é?
E é até bom, porque ajuda a nos proteger dos perigos do dia-a-dia. Mas tem medos que paralisam a vida. Que impedem a gente de crescer.
Quando a gente ama alguém, tem medo de perder. Rejeição dá medo mesmo. Quando a gente tem um trabalho, tem medo de perder. Desemprego dá medo mesmo.
Mas sabem o que é pior que o medo?
A falta de ousadia, de persistência, de coragem de arriscar...
O medo do novo, o medo da mudança, o medo da recusa, o medo da velhice...
Isso tudo é medo que vai adiando a felicidade.
Na geladeira lá de casa tem um ímã com uma frase que eu gosto muito.
É assim:
"O homem é realmente livre quando não tem medo do ridículo"
Ter medo do ridículo é ter medo de se expor. e se você se esconde, jamais saberão quem você é, quais são os seus talentos, suas idéias...
O medo é um sentimento legítimo, mas ele não pode reger a vida da gente. Eu tenho medos como todo mundo, mas faço uma força danada pra espanar ele pra longe de mim.
E eu vou dizer uma coisa pra vocês: Todas as vezes que eu superei o medo, eu fui feliz ou, no mínimo, aprendi coisas muito importantes.
E o medo da morte?
Esse sim é o primeiro e o maior de todos.
Mas se a gente ficar pensando nela, não vive.
Aí os dias passam sem graça e a gente acaba sem ter o que contar pros nossos netos.
No fundo, quem tem medo que as coisas se acabem, perde o melhor da festa, que é o agora.
Então, cuidado se você sofre demais com esse medo de morrer...
Isso pode ser apenas...
Medo de viver.
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texto de Lena Gino

ARQUITETURA



Fotografias


Há quanto tempo você não vê um álbum de fotos de papel?
É... fotos impressas, do tempo em que ainda não havia câmera digital?
Outro dia eu tava procurando um documento em casa e achei, sem querer, uma caixa cheia de fotos de papel. Estranho, né? Hoje a gente tem a chance de planejar a foto.
Depois da câmera digital, todo mundo sai bem na foto.
Saiu ruim? Apaga.
Os olhos ficaram vermelhos? Faz outra.
O beicinho ficou esquisito? hummm, tira de novo?
Aí eu fiquei pensando como era diferente quando a gente não podia decidir se ficava ou não ficava bem na foto. A gente levava o rolo pra revelar e aí... a surpresa!
Tudo ficava mais divertido. os flagrantes eram reais. A tecnologia embelezou as nossas lembranças. Retocou as nossas imperfeições. não é mesmo?
As fotos, hoje, são guardadas em arquivos virtuais... As caixas e os álbuns desapareceram. Doido isso, né?
Aí eu peguei uma das fotos e me vi, na juventude, rindo com amigos. O cabelo tava despenteado, a roupa amassada, a meia furada... mas o meu sorriso tava ali... Autêntico e intacto.
Por alguns segundos imaginei se eu não deveria ter dado uma ajeitada no cabelo, mudado de roupa, escolhido um fundo melhor para aquela foto...
Depois eu pensei: Caramba! Se eu tivesse planejado qualquer pose pra aquele momento, eu teria perdido o melhor daquela lembrança: O meu riso, flagrado na hora da alegria, sem retoques, sem truques.
Mas vocês não acham que a vida é meio parecida com foto de papel?
Porque os momentos são únicos. Não têm volta.
O que foi torto, ficou torto.
O que foi ruim, ficou ruim...
E o que foi bonito... Ficou bonito pra sempre.
Tem coisa que não dá pra mudar, mesmo.
Sendo assim, eu acho que é melhor a gente estar sempre de bem com a vida. Porque quando o riso sair na foto, com certeza, vai guardar pra sempre um momento bom...
Sem arrependimentos...
Sem nenhum remendo...
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Texto de Lena Gino