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sábado, novembro 21, 2009

OS ÚLTIMOS DIAS

Aluno: Clodoaldo Clay Nunes

Curso: 1163 – Teologia (EAD)
Professor: Paulo Ayres Mattos

História e Teologia do movimento pentecostal

Com base no artigo “Os últimos dias: os pentecostais e o imaginário do fim dos tempos”, de Robson Franco Guimarães, disponível na Internet, na página
http://www.pucsp.br/rever/rv1_2005/t_guimaraes.htm
Responda:
No contexto cultural da pós-modernidade neopentecostal, como e por quê a teologia da prosperidade se constitui numa ameaça à escatologia do pentecostalismo clássico?
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Em primeiro lugar, escatologia é um assunto muito complexo e na maioria das vezes não passa de suposições. É mais para ressaltar a credibilidade da Bíblia por causa do cumprimento das profecias do que uma forma de conhecermos o futuro, lógico que muitas profecias são um alerta para nós, como para guiar nossos pés ou conforto neste mundo tenebroso ansiando a volta de Cristo. Outra ressalva importante é a problemática por generalizar vários grupos com práticas diferentes colocando-os todos num mesmo balaio. A chama ‘linha pentecostal’ tem uma infinidade de segmentos. Nas assembléias de Deus existem diferentes práticas espirituais e doutrinárias.
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Os últimos dias que não acabam... Não são dias exatamente, esta é uma alusão ao período em que vivemos, ou seja, o período entre a primeira vinda de Cristo até a segunda vinda.
As características citadas por Jesus em Mateus 24 sobre os princípios das dores (terremotos, guerras, fome, etc) e as características citadas por Paulo em 2 Timóteo 3 (egoísmo, blasfêmia, desobediência, crueldade, traição, etc) são características do ser humano. Desde que há pessoas, há intrigas, brigas e tudo de ruim. Como se refere o autor Robson Franco Guimarães no seu texto:
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Quais seriam estes sinais? Guerras, rumores de guerras, angústia das nações, terrorismo, nação contra nação, reino contra reino; acontecimentos ligados a Israel e a Jerusalém. Em segundo lugar, doenças, pestes, fome. Em terceiro lugar, problemas ecológicos, tremores de terra, furacões, terremotos. Quarto sinal: o despertamento religioso (evangélico) e a evangelização mundial. Quinto: a propagação do misticismo. Sexto: o ataque às famílias por Satanás, os casamentos e descasamentos, Satanás trabalhando com fúria na vida dos casais, dos lares e dos jovens e a idolatria sexual, a depravação, o adultério e a promiscuidade de pastores. Sétimo: a teologia da prosperidade, a idolatria, os falsos profetas e falsos ensinamentos, as novas seitas, os falsos cristos, o movimento carismático, o engano religioso, as apostasias, o G-12, heresias. Oitavo: a descrença na existência de Satanás, e a ação deste com "o sapatinho de algodão". Nono: o aumento no número de mortes e de assassinatos, a violência, a iniquidade. Décimo: a corrupção, a inversão dos valores morais. Décimo-primeiro: o aumento no uso de drogas e de bebidas. Décimo-segundo: relações sociais deterioradas: pai contra filho, filho contra pai, irmão contra irmão e o esfriamento do amor fraternal. Décimo-terceiro: a cobiça pelo dinheiro. Décimo-quarto: a política dentro da igreja, a igreja se conformando ao mundo (relativismo moral), a igreja sendo aceita pela sociedade.
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Todas estas coisas acontecem desde que a família do Adão pisou na terra. Não há nenhuma novidade sobre o coração humano e a sua maldade. O egoísmo, a prostituição sexual e espiritual, a crueldade são características intrínsecas ao ser humano.
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Os últimos dias além de nos mostrar esta Era entre a primeira vinda e a segunda vinda de Jesus, nos relembra que somos como a flor da erva que hoje está bonita e viçosa e amanhã já secou e se foi. Os últimos dias nos mostram a brevidade da vida.
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Para os Tessalonicenses, Cristo já estaria de volta logo, por isso param de trabalhar para esperar a segunda vinda de Cristo. Foi preciso Paulo repreendê-lo para o trabalho e aquele que não trabalha não é digno de comer. Isto é, galera vamos cuidar da vida normalmente e quando Cristo voltar basta estar com óleo na lâmpada, ou seja, estar vivendo como um autêntico cristão.
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Os pentecostais se apegam na mística da espiritualidade, quando se está ao lado do Todo Poderoso não tem para ninguém. É como dizem: “eu e Deus somos maioria”. Pessoas que já vem de uma forte opressão. Há também a questão que somos um povo originário de uma forte espiritualidade formada pela espiritualidade africana e indígena, além da catolicidade portuguesa. Visamos esta necessidade de uma proteção espiritual e o pentecostalismo preenche esta lacuna. Ele transmite a idéia de maior proximidade com o Transcendente.
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Não há nada de errado enfatizar a espiritualidade, além do mais o cristianismo é espiritual. O problema é quando se pratica esta espiritualidade sem conhecimento, daí com certeza cai no engano.
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Outra falta de entendimento nesta área espiritual é que a maioria busca crescimento espiritual para seu bel prazer. E isto é totalmente contra os princípios cristãos que é uma visão comunitária. Os dons espirituais não são para benefício do próprio indivíduo, mas sim, para auxilio ao próximo.
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Como a visão destas igrejas é predominantemente espiritual, o mundo e quem nele está se tornam inimigos declarados. Vão se fechando entre eles e não interagem com os outros. Orgulham-se por cumprirem doutrinas de homens achando que estão agradando a Deus e com isto abrem um ridículo horizonte para julgar os ímpios e os ‘frios’. Estes são os cristãos que não tem a mesma prática ‘calorosa’ que eles. Juntam o termo ‘fogo do Espírito’ e as palavras do apocalipse (quente, frio e morno) para embasarem seus cultos cheios de gritaria, pulos e demais coisas que só vemos neste meio.
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E outro problema desta extrema espiritualidade é que se distanciam da ajuda aos necessitados, no máximo o outro precisa de Jesus e nada mais.
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Já há alguns anos tem se infiltrado na igreja uma visão de prosperidade, a conhecida teologia da prosperidade. Não só na pentecostal, mas nesta é muito mais evidente. O nome teologia para mim não significa nada, ou melhor, não faço ligação entre o termo teologia com Reino de Deus. Teologias existem várias, inclusive teologia umbanda.
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Quanto à prosperidade, é difícil imaginar que Deus não deseja que sejamos prósperos, entretanto a riqueza e a prosperidade não são sinônimos. Existem os prósperos que tem uma ótima vida, mas não são ricos e existem ricos que suas vidas passam longe da prosperidade. Esta teologia prega deveria chamar “Teologia de Mamon”, pois tem como objetivo apenas a riqueza.
Jesus disse que é mais fácil o camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. A riqueza é uma fortíssima tranca da porta do Reino de Deus. É como dizem: “estou rico e realizado”. Isto é muito difícil, a riqueza arranca o fundo da nossa barriga, e daí ficamos como a sanguessuga, dá-me, dá-me, dá-me... sem parar.
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O rico só olha para ele mesmo, pode ver, um rico olha um necessitado e diz: ‘Não me inveje, vai trabalhar’. Já o pobre com sua empatia sabe que a vida não dá as mesmas oportunidades para todos e alguns ‘comem o pão que o diabo amassou’, por isso ele ajuda, sabe como a vida é difícil.
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A teologia da prosperidade é uma ideologia satânica, é o princípio do egoísmo, sempre querendo mais e mais, pra mim, só pra mim. O relacionamento das pessoas gira em torno do material. Nas rodas de conversas é exaltado quem tem mais e o que não tem se sente diminuído. O ser humano passa a ser o que ele tem e não o que ele é através do seu caráter.
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Além da teologia da prosperidade ir contra a fé cristã e a comunhão das pessoas, ela também vai contra a própria natureza. Imagine se 6 bilhões de pessoas no mundo tivessem carros, celulares, computadores e todas estas parafernálias eletrônicas que precisam ser trocadas anualmente. Vamos consumir o mundo em bem menos tempo, é um estupro à natureza.
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O cristianismo ensina o contrário, tenho que aprender a viver com o mínimo possível. Tenho que me desprender dia após dia do materialismo e do consumismo. Senão como posso ter uma visão de ajuda ao próximo se quero sempre mais. Estou com um carro ótimo, entretanto existe um melhor na praça. Vou economizar, guardar dinheiro para comprá-lo. A partir deste momento só tenho olhos para este objetivo. Ajudar o próximo fica para depois, ou melhor, ele que corra atrás do dele, busque a Deus da mesma forma que Ele está me ajudando, vai ajudar o que está necessitado também. Esquecendo que na maioria das vezes Deus abençoa um para que aquela benção seja compartilhada com os demais.
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A teologia da prosperidade não é uma ameaça somente ao neopentecostalismo, é uma ameaça a teologia da salvação. É uma ameaça para a própria sociedade, transformando-a num ‘ninho de cobras’ onde a ganância, egoísmo e o individualismo impera. Despertando com muito mais facilidade nossa podridão do coração. Muitos ‘cristãos’ se dedicam tanto ao enriquecimento que quando Jesus voltar é bem capaz deles preferirem conscientemente o conforto das riquezas do que o Reino de Deus, assim como fez o jovem rico.
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Estes são os princípios que se conflitam na enorme arena teológica, este mundo e suas belas riqueza é pregado e enfatizado na teologia da prosperidade, como se o paraíso fosse aqui. Enquanto a escatologia pentecostal prega e enfatiza o mundo vindouro, um paraíso no Reino de Deus.
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Clodoaldo Clay Nunes.
Sexta-feira, 20 de novembro de 2009.

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