RECOMENDE!

quarta-feira, março 31, 2010

O LAR DE LUTERO

...
As portas do lar de Lutero estavam sempre abertas a todos. Às vezes havia até 25 pessoas pousando lá. Lutero era incapaz de recusar-se a ajudar as pessoas em necessidade. Dava o pouco dinheiro que tinha aos estudantes pobres e aos amigos. Um a um ele se desfez dos pratos de ouro e prata que Katy tinha recebido como presente de casamento. Katy ralhava com ele: "Será que você vai mesmo botar tudo fora?" Lutero respondia: Deus é rico. Ele os dará mais".

Lutero dirigia em devoções domésticas diárias a sua família e qualquer visitante que porventura estivesse com eles. Na sua casa sempre havia música. Lutero tocava o alaúde e o pífaro e era dotado com uma bela voz.

Lutero estava freqüentemente distante de casa. Durante essas viagens, escrevia cartas para Katy e para as crianças. Certamente uma das mais belas cartas que um pai jamais escreveu ao seu filho é esta, enviada ao seu filho Hans, de quatro anos:

Graça e paz em Cristo, meu filho. Estou feliz em saber que você está estudando direitinho e fazendo suas orações fielmente. Continue assim, filho querido. Quando eu voltar para casa, levarei para você um presente bem bacana. Eu conheço um jardim, agradável e atraente, cheio de pequenas crianças que se vestem de jaquetas douradas e colhem belas maçãs debaixo das árvores, e pêras, e cerejas, e ameixas rubras e amarelas. Elas brincam e pulam, estão sempre felizes e têm belos cavalinhos com arreios de ouro e selas de prata. Aí eu perguntei ao dono do jardim quem era aquelas crianças, e ele me respondeu: "Estas são crianças que gostam de orar, adoram estudar e são boazinhas". Aí eu disse ao homem: "Prezado senhor, eu também tenho um filho cujo nome é Hans Lutero. Será que ele não podia vir também a este jardim para comer estas belas pêras e maçãs, cavalgar estes belos cavalinhos e brincar com as crianças?" E o homem me respondeu: "Ele pode, contanto que le goste de orar, de estudar muito e seja um bom menino. Phil e Justy também podem vir com ele e eles terão apitos, tambores e pífaros, e podem também dançar e atirar com pequenos arcos e flechas". Depois o homem me mostrou um bonito gramado no jardim, todo preparado para nele se dançar e onde havia apitos, pífaros e tambores e arcos de prata pendendo das árvores em redor. Mas era ainda cedo; as crianças tinham ainda terminado de comer e eu não podia esperar para vê-las dançar. Aí eu disse ao homem: "Meu caro senhor, eu preciso ir-me imediatamente e escrever ao meu querido Hans sobre todas estas coisas para que ele ore diligentemente, aprenda bem suas lições e seja bonzinho, para que ele também possa vir para este jardim. Mas ele tem também uma tia. Lena, que deve trazer consigo". E o homem respondeu: "Muito bem, vai e conta ao teu filho sobre estas coisas". Portanto, meu querido Hans, estude e ore direitinho e diga a Phil e Justy que façam suas orações e estudem também, pois assim vocês entrarão juntos no jardim. Deus abençoe vocês. E dê à tia Lena um beijo por mim e diga-lhe que eu a amo.

Teu querido pai,
Martinho Lutero.

FONTE:

http://www.ielb.org.br

INVENTOU BRINQUEDINHO E FOI PARAR NA F1

terça-feira, março 30, 2010

sábado, março 27, 2010

ESTE NÃO É FIM

MULTADO A 68KM EMPURRANDO O CARRO


A evolução da administração estratégica


A administração estratégica tem se modificado significativamente com o decorrer dos anos. Inicialmente, em sua primeira fase, ela se traduzia, basicamente, no planejamento financeiro cujo principal objetivo era cumprir um orçamento. Posteriormente, libertando-se da premência do presente, a administração estratégica voltou-se para a previsão do futuro.

O planejamento era, então, em sua segunda fase, baseado em previsões. Esta fase supunha uma relação de causalidade entre presente e futuro, o que proporcionava mais segurança ao agente decisório. O objetivo maior era acertar, tentava-se adivinhar o futuro.

É somente na terceira fase da evolução da administração estratégica que temos um salto qualitativo na efetividade do processo de decisões estratégicas. Esta nova fase visa ao desenvolvimento do pensamento estratégico, auxiliado pelo processo de cenários. O objetivo maior passa a ser o exercício como forma de aprendizado, admitindo-se, então, as incertezas e as descontinuidades do ambiente, o que torna o gerenciamento do negócio mais difícil.

A quarta e última fase da administração estratégica caracteriza-se por uma relação de interação entre empresa e ambiente, sendo que a primeira passa, então, a participar do processo de criação do futuro. Nesta fase, cada tomador de decisão da empresa, suportado pelos cenários, passa a atuar como um planejador.

Fonte
PAULO, Goret P.; CARNEIRO, Alexandre, P. Z. A evolução da administração estratégica. Case Studies: revista brasileira de management, Rio de Janeiro, ano I, n. 5, set./out. 1997

terça-feira, março 23, 2010

TAPADO

Os pássaros e os urubus... Rubem Alves

- Uma parábola ecumênica -
Muitos e muitos milênios atrás, Deus Todo Poderoso cansou-se da vida que estava levando nos céus. Era muito monótono. As mesmas coisas de sempre. Lá todos andavam de maneira solene, falando baixo e curvando-se em reverências e mesuras. Os coros dos anjos que jamais desafinavam só cantavam Te Deums e Requiems. Eram magníficos. Mas mesmo o bonito, se repetido sempre, fica monótono que, como o nome indica, mono + tono, é “samba de uma nota só”... Deus pensou que seria muito aborrecido passar o resto da eternidade nessa monotonia. Isso sem levar em consideração que eternidade não tem resto. Porque resto é uma coisa que acaba. E a eternidade não acaba. O que está para trás é do mesmo tamanho do que está para frente que, por sua vez, é do mesmo tamanho que a eternidade inteira, para confusão dos matemáticos. Aí, de repente, Deus foi possuído pelo espírito de um menino brincalhão. Resolveu mudar tudo. Como vocês sabem muito bem, Deus jamais faz o pior. Tudo o que ele faz é melhor. Assim, o que ele fez era muito melhor do que os céus que já existiam e eram sua morada. Sua primeira providência foi fazer uma faxina geral. Jogou nos porões inferiores do universo uns livros enormes de contabilidade que, segundo se dizia, seriam usados em acertos futuros. E pôs fogo. A fogueira dos ditos livros está queimando até hoje e pode ser vista diariamente ( menos nos dias de chuva ) redonda e vermelha, atravessando o firmamento. É o sol. “Ninguém tem crédito, ninguém tem débito” : é isso que está escrito na entrada desse lugar, muito embora o famoso poeta Dante Alliguieri, tivesse dito equivocadamente que o que estava escrito era “Deixai toda esperança vós que entrais”. Pobre Dante! Era míope e não via bem...
De fato, prá que livro de contabilidade onde se anotam débitos e créditos se criança não faz contabilidade? Criança esquece fácil. Criança gosta é de brinquedo. Assim Deus sonhou com uma brinquedoteca imensa e disse: “Haja brinquedos!” E foi assim que o universo veio a existir. O universo é a brinquedoteca de Deus.
O que Deus fez foi colocar um pedacinho dele mesmo ( ou será “dela mesma”? ) em cada coisa que criou. Deus se pôs nas flores, no arco-iris, nas nuvens, nos regatos, nos peixes, nas árvores, nas frutas, no vento, nos perfumes, nos insetos, nas estrelas, só um pedacinho. Sabe aqueles vitrais maravilhosos das catedrais, feitos com milhares de pedacinhos de vidro colorido? Nenhum pedacinho, isoladamente, diz a beleza do todo. É preciso que todos os pedacinhos estejam juntos, nenhum é mais importante que o outro.
E Deus criou os pássaros, deliciosos brinquedos de asas. Símbolos da liberdade, eles voam. Símbolos da beleza, eles são de muitas cores e muitos cantos. Símbolos da paz de espírito, eles não têm ansiedades. Jesus até disse que deveríamos ser como eles...
Há pássaro de todo jeito: “amarelos canarinhos, com sete cores as saíras, pequeninas corruiras, escandalosos bem-te-vis, delicados colibris, pintassilgos e andorinhas, tico-ticos e rolinhas, pica-paus e cardeais, pássaros pretos e pardais, negros jacus e urubus.... “
Todos lindos. Lindos por serem diferentes. Nas cores e nos cantos. Se fossem todos iguais seria um tédio? Todos amarelos? Todos verdes? Todos brancos?
Pois Deus, que é uno e múltiplo como o vitral da catedral, Deus que ama as diferenças, criou pássaros de todas as cores para que eles, na sua diferença de cores e de cantos, formassem um vitral vivo em que a sua beleza aparecesse.
Aconteceu, entretanto, que uma raposa trocista, ao passear pela mata, viu um pássaro negro assentado sobre um galho e resolveu provocar a sua vaidade.
- “Bom dia senhor Urubu. Que lindas são as suas penas, tão negras! Confesso não haver visto outro pássaro que pudesse se comparar ao senhor em beleza. Se a beleza do seu canto se compara à beleza de suas penas o senhor é a Fênix dessas florestas, a revelação plena da beleza divina. Imagino que Deus diz aos seus ouvidos coisas que ele não diz aos ouvidos dos outros pássaros! Se Deus desejar falar aos mortais em linguagem de pássaro, estou certo de que o senhor será o seu porta-voz!”
O Urubu ficou encantado ao ouvir as palavras da raposa. E acreditou. Os vaidosos sempre acreditam nas palavras dos aduladores.
“- É isso mesmo”, o Urubu falou consigo mesmo. “Cada pássaro tem um pedacinho de Deus. Só um pedacinho. Mas eu, Urubu, tenho a plenitude da beleza divina. Assim sendo, por que perder o meu tempo ouvindo o canto do sabiá, o canto do pintassilgo, o canto do canário?... O canto deles é uma nota solta. O meu canto é a sinfonia inteira! E é até perigoso que eles fiquem por aí, cantando livres pelas matas e jardins. Porque pode ser que um ouvinte tolo fique gostando do seu canto e assim, por amor à beleza pequena de uma nota, perca a beleza plena da sinfonia. É preciso que se saiba que o canto de todos os pássaros conduz ao meu canto! Para a glória de Deus!
E foi assim que os Urubus começaram uma operação de guerra contra os outros pássaros, sob a alegação de que o seu canto desviava os demais bichos do pleno conhecimento da beleza divina. Espalhou-se pela floresta a palavra de ordem: “Todos os pássaros devem cessar o seu canto. Todos os pássaros devem cantar como os urubus. Fora do canto dos Urubus não há salvação!”
A passarinhada morreu de rir. Sabiás, pintassilgos e canários comentavam: “ Os Urubus devem ter enlouquecido...” E nem ligaram. Continuaram a cantar como Deus havia ordenado que cantassem.
Os Urubus, enfurecidos com a arrogância e presunção dos pássaros que não reconheciam a sua superioridade, reuniram-se em concílio e tomaram uma decisão: “Se não cantam como nós, porta-vozes Deus, cantam contra nós, cantam contra Deus. E quem canta contra Deus não tem o direito de cantar”.
Mas que passarinho pode parar de cantar o seu canto? O pedacinho de Deus que mora em cada um não descansa. Quer cantar! E eles continuaram a cantar.
Os Urubus se puseram a campo em defesa da beleza divina e de sua própria beleza. Começaram a perseguir os pássaros que se atreviam a cantar o canto que Deus lhes ensinara. Era a única forma de faze-los calar. Alguns pássaros se calaram por medo de serem expulsos da floresta a bicadas. Foram então colocados num regime chamado de “silêncio obsequioso” pelos urubus. Ninguém entendeu o que “silencio obsequioso’ queria dizer. Mas ninguém discutiu. Com Urubu não se discute. Silêncio, os pássaros sabiam o que era. Mas “obsequioso” eles não entendiam. Segundo o dicionário “obséquio” quer dizer “benefício”, “benevolência”. Que benefício ou benevolência existe em obrigar um pássaro a cessar o canto que Deus lhe deu? Ou será que o tal “obsequioso” vem de “obséquias”, que quer dizer “funeral”? É possível. O fato é que muitos dos que insistiram em cantar o seu próprio canto foram entregues à raposa que, como se sabe, adora a carne tenra das aves...
O resultado foi que os pássaros de muitas cores e de muitos cantos fugiram daquela floresta sinistra. Foram em busca de outras florestas onde não houvesse Urubus e onde pudessem cantar todos os seus cantos, ao mesmo tempo, e diferentes, para que assim se ouvisse a Grande Sinfonia.
Quanto aos Urubus, ficaram sozinhos na sua floresta. Os bichos que moravam lá se mudaram, porque não agüentavam mais ouvir todo dia o mesmo canto monótono, sempre igual. sem variações, sem contraponto, sem improvisações. Quanto a Deus não é preciso dizer que floresta Ele ou Ela passou a freqüentar...
* * *
Essa estória é um dos meus cantos, pássaro que sou, evadido das florestas religiosas. Ela me apareceu quando lia o livro Diário de uma mulher católica a caminho da descrença, escrito por Laura Ferreira dos Santos, uma brilhante intelectual portuguesa ( escreveu também um maravilhoso livro sobre Nietzsche e educação ). Visceralmente católica, católica de coração, vive um dilaceramento intelectual e afetivo ao pensar sobre a sua Igreja. À página 51 ela comenta a encíclica Dominus Iesus, que liquida qualquer possibilidade de diálogo ecumênico. Cito: “E para a Congregação da Fé, não há dúvida de que a Igreja Católica é superior a todas as outras igrejas, que o “seu” cristianismo tem o copyright da autenticidade, pois “ a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica. Existe uma só “subsistência” da verdadeira Igreja, ao passo que fora da sua composição visível existem apenas “elementa Ecclesiae” ( elementos da Igreja ) que (...) tendem e conduzem para a Igreja Católica.” Assim, não existe razão ou possibilidade de diálogo entre diferentes expressões do Cristianismo. Porque o diálogo só existe se eu admito não ser dono da verdade toda, que o meu interlocutor sabe alguma coisa que eu não sei. Como contei na estória dos pássaros e dos urubus...


(Correio Popular, Caderno C, 07/12/2003.)

segunda-feira, março 22, 2010

TROLLER NA ENCHENTE EM SÃO PAULO

Dogmatismo e Tolerância - Rubem Alves

“Cada corpo, um centro de mundo. No mundo da mosca, todas as coisas são feitas à imagem da mosca. No mundo do ouriço-do-mar, todas as coisas são feitas à imagem do ouriço-do-mar. Se os bichos falassem, eles diriam, uns aos outros, aquilo que José disse aos seus captores. ’Se as plantas tivessem olhos, capacidade para apreciar e julgar, cada uma delas diria que sua flor é a mais bonita’”.

“Dizer que há outros universos possíveis é dizer que a mais bela flor não é a mais bela flor, que os deuses não são deuses. Pot isso a linguagem religiosa sente vertigens diante de qualquer tipo de pluralismo e relativismo... Os deuses são ciumentos e intolerantes. Pelo menos, é só assim que os conhecemos. Um deus é a mais bela flor que produzimos”

“Na medida em que o meu conhecimento funciona satisfatoriamente, estou geralmente pronto a suspender dúvidas a seu respeito” / “A funcionalidade se identifica como verdade”

“O crente é um funcionário de uma burocracia divina que não deve nem pode ser mudada”

“Tão pobre se tornou o protestantismo no presente que é necessário voltar, redescobrir as raízes, para ver se resta ainda alguma esperança”

“A teologia proclama que tudo nela gira em torno da Doutrina de Deus e sua obra salvífica. Eu afirmo que esta não é, de forma alguma, a realidade. A doutrina de Deus está para a teologia da mesma forma como os adornos, a colunata, os murais e as esculturas estão para a catedral. São partes integrantes do edifício sem ser aquilo que o sustenta”

“Aceitar o discurso oficial equivale a homologar o discurso do sujeito que tem a última palavra (o mais forte). Mas homologar (homo-legein) significa dizer o mesmo, portanto confessar que ele tem a última palavra”

“Instituição é um mecanismo social que programa o comportamento humano de forma especializada, de sorte que ele produz os objetos predeterminados pela instituição. As instituições são a memória inconsciente da sociedade. Elas são cristalizações de uma sabedoria que não tem consciência de suas origens”

“Enquanto a instituição afirma as significações que o passado cristalizou, a comunidade (que pode viver dentro da instituição) se entende como criadora de significações”

“Como anunciar a reconciliação se os próprios cristãos não conseguiam viver e trabalhar juntos?”

“O individualismo contém em si as sementes da desintegração. Um dos princípios da Reforma, o sacerdócio universal dos crentes, afirma que cada fiel se encontra perante Deus, sem necessidade de instituições ou pessoas mediadoras. Além disto, a ênfase no livre exame das escrituras e no direito de cada um de interpretá-las, à luz da consciência, teria criado as condições para a multiplicação de compreensões da fé.”

“Sendo o protestantismo uma religião individualista, e que preza o livre exame e a liberdade, haveria ali manifestação muito mais intensa de movimentos de separação e diversificação. Enquanto a igreja católica, autoritária, hierárquica e monolítica, impediria tais manifestações e com isso se manteria unificada.”

“O que é o conselho mundial de igrejas? Não se trata de um concilio. Nenhuma das igrejas membros é obrigada a obedecer às decisões. As conclusões a que porventura chegue têm sempre o caráter de conselho. Seu objetivo é simplesmente congregar os cristãos que concordem com uma afirmação teológica mínima: ‘Cristo é o Senhor’. Por isso, ali se encontram cristãos das mais variadas tradições: alguns com tendências místicas, outros preocupados com a política; alguns voltados para a liturgia, outros voltados para a ética e a ação. Conservadores assentam-se ao lado de liberais. Suas ações são as mais variadas, e vão desde auxilio a prisioneiros de guerra, a populações devastadas por catástrofes, a refugiados, passando pela mediação entre grupos em conflitos políticos, por pesquisas de natureza cientifica, geralmente voltadas para os problemas humanos, até todos os tipos de estudos relacionados com a fé”

“O protestantismo, através do mundo todo, canta os mesmo hinos. Isso pode ser um símbolo de unidade. Mas pode ser indicio de pobreza: as igrejas jovens ainda não produziram a sua própria arte”

“Walter Rauschenbusch mantinha visões utópicas de uma sociedade cristã. Escreveu ‘cristianizando a ordem social’ 1914 e ‘os princípios sociais de Jesus’ 1916”

“Uma sociedade não é constituída meramente pela massa de indivíduos que a compõem, o território que ocupam, as coisas que usam e os movimentos que executam, mas acima de tudo está a idéia que ela forma de si mesma”

“O catolicismo definiu a sua integridade como igreja em torno do conceito de unidade. O protestantismo, ao contrário, ignora o problema da unidade ew se organiza em torno da questão da verdade”

“igreja católica invoca a sua unidade institucional histórica, espinha dorsal das suas pretensões de organização sacramental mediadora da salvação. O protestantismo afirma que a graça não é mediada por uma instituição, mas pela consciência que reconhece a verdade”

“’Qual é o seu nome?’, perguntou Jesus ao homem enfermo. ‘Não tenho nome’, ele respondeu, ‘porque sou uma legião’. O que se pode ser dito de cada um de nós: legião, muitos nomes, muitas vozes, muitos gestos. É o que ocorre com o protestantismo”

“Inquisição é a identificação e a eliminação de um pensamento divergente”

“Na verdade, seria possível interpretar a tendência protestante às divisões denominacionais e sectárias como uma expressão de práticas inquisitoriais. É evidente que fogueiras não podem mais ser acessas. Entretanto, o fato de grupos com pensamentos divergentes serem forçados a deixar uma certa igreja é uma evidência da presença de mecanismos de controle de pensamento extremamente eficazes na igreja de que foram forçados a sair”

“É necessário notar que o ‘herege’ não se chama a si mesmo de herege. Do seu ponto de vista, ele proclama a verdade a uma instituição que se desviou da verdade. A heresia, portanto, na medida em que ela implica uma contestação de verdades cristalizadas por uma instituição, pressupõe o exercício do livre exame. O herege é aquele que crê na voz da sua consciência, assumindo o risco da liberdade. E esse risco se exprime na coragem de se desviar da normalidade cognitiva social”


sexta-feira, março 19, 2010

quinta-feira, março 18, 2010

quarta-feira, março 17, 2010

CLODOALDO CLAY NUNES


NEW BIKE

A visão do futuro

Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem visão é só um passatempo.
Mas uma visão com ação pode mudar o mundo
.

As frases acima fecham com chave de ouro o excelente vídeo A Visão do Futuro, produzido por Joel Barker, o qual costumo apresentar ao final de algumas palestras devido ao seu incontestável poder reflexivo. Não há como ir para casa sem se perguntar: O que estou fazendo comigo, com minha família, com minha carreira, para ser feliz?

O texto de hoje tem este objetivo. Quero despertar em você a auto-reflexão sobre como tem tratado sua vida profissional, sobre como você se imagina em um, cinco, dez ou vinte e cinco anos.

Desejo que você desligue este piloto automático de sua vida, através do qual você não conduz, mas é conduzido por uma rotina sem sequer saber para qual direção, e passe a vislumbrar diante de si apenas duas palavras: sonhos e futuro.

Futuro e Liderança

O futuro não é o lugar para onde estamos indo. É o lugar que estamos construindo e que dependerá daquilo que fizermos no presente. Por isso, a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.

Aqueles que constroem o próprio futuro, constroem o futuro dos outros. A capacidade de empreender o próprio futuro está se tornando uma questão de sobrevivência. Administrar bem um negócio é administrar seu futuro; e administrar seu futuro é administrar informações. O futuro não é mais sobre tecnologia. É sobre informação processada como conhecimento. Se a história testemunhou a triste divisão entre nações ricas e pobres, o futuro pode nos reservar a separação entre as que sabem e as que não sabem.

Nenhuma empresa sobreviverá se depender de gênios para administrá-la. Ela precisa ser capaz de ser conduzida por seres humanos medianos. Lidar com gente já é difícil. Levar gente a enxergar o futuro é ainda mais difícil. Jack Welch colocou com propriedade que os gerentes fracos acabam com as empresas, acabam com os empregos. A melhor pessoa do mundo no negócio ou no cargo errado ainda tem alguma chance. O melhor negócio ou cargo do mundo com a pessoa errada não tem chance nenhuma.

Profissionais com perfil empreendedor são diferentes, pois onde todos vêem problemas, estes enxergam oportunidades. Viajam num carro chamado imaginação, tendo a criatividade como co-piloto, a meta como motor e a persistência como combustível. Sabem que só o melhor é suficiente e controlam direta ou indiretamente o destino de muitas pessoas. Fazê-las vibrar com a mesma intensidade com o intangível futuro criado em nossas mentes é missão suprema alcançável através da liderança. E o verdadeiro líder é aquele que consegue capilarizar esse sentimento nos grupos por onde passa.

Sonhos e Metas

O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. E, parafraseando Victor Hugo, não há nada como um sonho para criar o futuro. Tudo isso pode parecer piegas, mas você deve continuamente monitorar seus passos em relação aos seus sonhos e nunca se afastar deles. Se preferir ser mais técnico, menos filosófico, substitua a palavra sonhos por metas. Mas siga sempre confiante em direção ao cumprimento de seus planos, reto como uma flecha, pois o que torna um sonho irrealizável é a inércia de quem o sonha. O homem nunca pode parar de sonhar. O sonho é o alimento da alma, como a comida é o alimento do corpo.

A maioria das pessoas toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo. Elas vêem as coisas e dizem o porquê delas. Já os vencedores dizem: Por que não? Poucos aceitam o fardo da própria vitória; a maioria desiste dos sonhos quando eles se tornam possíveis. O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo. As pessoas mais ocupadas têm tempo para tudo. As que nada fazem estão sempre cansadas. Nunca temos tempo para fazer direito, mas sempre temos tempo para fazer de novo...

Eu tive um sonho de que meus quatro filhos um dia irão viver em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter. Quando Martin Luther King Jr. proferiu estas palavras em seu famoso discurso, encontrou evidentemente grande resistência no seio de uma sociedade conservadora e racista que ainda hoje prima por ser preconceituosa. Seu pensamento subversivo, entretanto, encontrou aliados. King não pôde viver para presenciar o efeito de seus atos, porém o tempo encarregou-se de concretizar seu sonho. Se não o de igualdade, ao menos o de oportunidade.

Sempre que ensinar, ensine também a duvidar do que ensina.

Não precisamos saber nem como nem onde, mas existe uma pergunta que todos nós devemos fazer sempre que começamos qualquer coisa: Para que tenho que fazer isso? Voltando ao início deste texto, você conduz ou é conduzido? Você escolheu ou foi escolhido por sua profissão, por sua empresa?

Entre o certo e o errado há sempre espaço para erros maiores. A vida nem sempre é baseada nas respostas que recebemos e nas perguntas que fazemos. Eu, particularmente, ao repassar minha vida, sinto que sempre estive numa corrida de obstáculos, sendo eu o maior de todos. A grande chave para a satisfação é algo que quase sempre nos escapa. Não é conseguir o que queremos, mas sim querer aquilo que conseguimos. Toda glória é fruto da ousadia. A ousadia de tentar ser sempre melhor. Não é tarefa fácil, pois há sempre uma casca de banana à espreita de uma tragédia. E sombras são sempre negras, mesmo sendo de um cisne. Mas espero ver você refletindo repetidamente sobre o que conversamos aqui hoje – sonhos, futuro, objetivos – corrigindo sempre sua rota e banhando-se nas águas permanentes da mudança.

Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo.

Fonte

COELHO, Tom. A visão do futuro. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2005.

BB1 by Peugeot

sexta-feira, março 12, 2010

PENA DE MORTE




Este é um termo muito forte, ainda mais quando discutido se é válido ou não para uma sociedade. Sempre encontraremos defensores de ambos os lados. Os que pregam a pena de morte são pessoas que não agüentam mais o abuso da criminalidade e estão com sede de justiça. Já os que são contra a pena de morte ainda não atingiram a máxima indignação contra o crime e estão passíveis com um coração misericordioso.
E como fica o cristão? Age com misericórdia ou com sede justiça?
Não é preciso muita argumentação para entendermos que a pena de morte era uma ferramenta muito usada por Deus e por seu povo para eliminar o mal da comunidade. ‘Escreveu, não leu a pedrada comeu’. Depois com Jesus a situação mudou. Quem vai apedrejar o sujo se estamos todos mal-lavados? A autoridade. Paulo em Romanos 13 disse: “Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela... Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar os que praticam o mal”. Em Atos 25.11, Paulo também diz: “Caso eu tenha praticado algum mal ou crime de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode me entregar a eles”. Não encontro nenhuma dúvida, as autoridades tem o direito de julgar sobre a vida e a morte dos indivíduos. A diferença pós Cristo é que não mais será julgado pelo povo, e sim, por autoridades constituídas pelo povo. Senão continuaríamos com a filosofia ‘olho por olho e dente por dente' e transformaríamos numa sociedade de cegos e banguelas como disse Gandhi.
A misericórdia tem limites, até a de Deus tem limites. Ela se renova diariamente porque Ele é misericordioso, mas vemos várias passagens onde Deus deu um basta, chega.
O problema da pena de morte não está nela, pois a morte de um malvado que não aceita ser transformado é totalmente benéfica para a sociedade. Não nos preocuparemos mais com suas maldades nem teremos que sustentar uma figueira que não dá frutos. O maior problema da pena de morte está no coração de quem vai bater o martelo. Qual é o senso de justiça e misericórdia daquele que julga? Num país como o nosso primeiro teremos que ver o suicídio da própria autoridade, pois são eles os mais dignos de morte. Desta forma, diremos como o chapolin: “Quem irá nos defender?”. Estamos entregues ao Deus dará e oxalá Ele possa nos dar paz, segurança, paciência e um coração cristão para suportarmos este mundo cão.
Mesmo não crendo no senso de justiça das autoridades, ainda sou a favor da pena de morte. Que morram e com muita dor todos aqueles que não aceitaram uma mudança e decidiram continuar na sua maldade barbarizando a vida de quem luta para ser justo neste mundo injusto.

Clodoaldo Clay Nunes

TARADO ATRAI A VÍTIMA PARA O BOTE

Até quando?


Até quando vamos aceitar um país como este. Uma nação que nos explora com uma bateria de impostos e ainda nos impõe viver numa sociedade sem saúde, segurança e educação. Mães têm que madrugar na porta da escola para disputar uma vaga para uma criança como um cão faminto e após conseguir, percebe que ainda ficará com fome, pois o oferecido não se aproxima do necessário. Saúde? O negócio é torcer para não ficar doente, se ficar, está lascado. Filas, demora, mal-atendimento e descaso é o que se encontra na emergências deste país. E a segurança? Hahaha, num país onde se tem medo até da própria polícia, o que se pode dizer? Dentro da favela a pessoa mais temida é o policial, pois lá ele é único que rouba, agride e mata as pessoas.
Como diz na música do Gabriel, o pensador, até quando vamos usar rédeas? Até quando vamos ser displicentes e esperar do céu uma transformação?
Na faculdade ouvia que não é a faculdade que faz o aluno, e sim, o aluno faz a faculdade. Assim é com a sociedade, já disseram que cada povo tem o governo que merece. Enquanto ficarmos rindo da própria tragédia nos bate-papos sem tomar uma atitude concreta, seremos cada vez mais esmagados por esta tirania fantasiada de democracia. Somos explorados, somos escravos do nosso próprio país.
Eu não aceito acordar e receber a notícia que um pai de família foi assassinado em um assalto junto com o seu filho, não aceito ouvir que uma mãe foi estuprada por um vagabundo ao lado do seu bebê de colo. Não aceito ver crianças querendo estudar, mas não há vagas, não aceito ver pessoas jogadas nos corredores dos hospitais esperando um atendimento. Tudo isto é um absurdo!!!!!
E o que vamos fazer? Protesto.
Temos que protestar contra esta administração corrupta. Não é a pessoa, mas o sistema de governo. Não creio que um autêntico cristão possa ser da política ou da polícia. Ou se corromperá tornando-se podre igual aos demais, tanto pela ação como pela omissão, ou logo arrumaram uma prisão ou um caixão para ele. Por isso entendo que o problema está no sistema de governo e contra ele há várias formas de protestos ou boicotes e o melhor deles é o voto, o voto nulo. Eu anulo minha participação nesta patifaria e não venha me dizer que se eu não decidir outro decidirá por mim, mentira! Minha decisão é não contribuir com esta esculhambação. Voto nulo é dizer não à má administração, ao sistema que com o chicote arranca nossa carne nos pelourinhos deste país.
Enquanto nós, cidadãos brasileiros, não aprender o protesto como voz da sociedade, continuaremos sendo explorados, sendo devorados por enormes urubus insaciáveis que não esperam nem a carne esfriar. E protesto não significa quebrar ou por fogo nas coisas dos outros, o protesto tem que ser inteligente como Gandhi nos ensinou, protestar através da não violência e do boicote. Nossa ira é contra a administração e não contra nosso semelhante.
Já vi pessoas (bem próximas) que tinham um sonho, um sonho de mudança, de esperança para a sociedade, mas quando entraram na política acordaram dos seus sonhos para a realidade de corrupção e exploração, diferente do Martin Luther King Jr, que mesmo com o encontro com a morte continuou firme no seu sonho e hoje podemos ver que seu sonho tornou-se realidade.
Qual é o seu sonho para este país? Qual a sua atitude para ele torna-se realidade?

Clodoaldo Clay Nunes

Até qdo?

Até Quando?

Composição: Gabriel o Pensador; Itaal Shur; Tiago Mocotó

.

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

(Refrão)
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

(Repete refrão)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

(Refrão x2)

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

(Refrão x2)

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

(Refrão x2)

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

(Refrão)

segunda-feira, março 08, 2010

MACACO E O CACHORRO

Motivação

Talvez o primeiro ponto que há de se entender, em relação ao consumidor, seja a motivação. Com raras exceções, um ser humano não consumirá nada se não estiver motivado a comprar.

A motivação envolve atividades as quais nos levam a um determinado objetivo. Podemos nos tornar motivados ou estimulados por meio de necessidades internas ou externas que podem ser de caráter fisiológico ou psicológico.

Se por algum motivo, ficarmos sem tomar água por algum tempo, o nosso organismo reagirá de uma forma tal que, constantemente, nos sentiremos compelidos a buscar nosso objetivo, ou seja, saciar a sede. O comportamento motivado tenderá a prosseguir até que nosso objetivo seja alcançado, de forma a reduzir a tensão que estamos sentindo.

Muitas vezes conseguimos driblar a necessidade com outro aspecto. Se estamos com sono, por exemplo, todo nosso comportamento se voltará a perseguir o objetivo de acabar com o sono, ou seja dormir. Se, no entanto, alguma outra coisa nos motivar – um filme na televisão, por exemplo, ou uma reunião de amigos – o nosso comportamento fará com que os sintomas de sono sejam temporariamente esquecidos.

A estimulação interna, no entanto, pode não ser de ordem fisiológica, remetendo o indivíduo à fantasia. Mesmo sem estar com sede, ao imaginar uma garrafa de Coca-Cola gelada, pode me fazer sentir todos os sintomas da sede, desta vez não porque meu organismo necessita de água, mas porque a minha imaginação pôs em funcionamento os mecanismos do corpo que me fariam sentir a mesma sede.

Da mesma forma, um estímulo externo, como a visão de um grupo de amigos tomando uma cerveja, pode ocasionar os mesmos sintomas.

Nos três casos sempre haverá uma espécie de aprendizado adequado à satisfação de saciar a sede. Haverá então uma vontade que se manifestará de forma física, o que nos fará ir ao bar ou supermercado mais próximo e comprar um refrigerante ou cerveja.

Estes exemplos se baseiam em impulsos que se manifestam de forma fisiológica. Grande parte dos nossos impulsos nos remetem, em sua origem, a saciar as necessidades básicas, como a sede, sono, fome, proteção do corpo contra frio, calor e outros.

Poucos estudos se fizeram em relação ao consumidor sobre estas necessidades, que são consideradas básicas. Sabe-se muito sobre as necessidades de comer, beber, dormir, mas, na realidade, não interessa à sociedade de consumo que um ser humano tem que comer, beber ou vestir algo. O que interessa na realidade, ao mercado, é o estudo do que comer, o que vestir e o que beber, ou quando uma pessoa escolhe determinado alimento ou bebida para saciar a sua fome e sede, entender quais foram os motivos que levaram a pessoa àquela escolha. Estas são as necessidades secundárias, que englobam hábitos alimentares orientados por normas, princípios e valores de uma determinada sociedade ou grupo social.

Estas necessidades são de origem psicológica ou social. Sentir sede, por exemplo, é uma necessidade biológica, é uma necessidade básica. Não tomar refrigerantes para poder emagrecer, no entanto, é uma necessidade de cunho social.

Usar um casaco no frio é necessidade básica. Usar um casaco Pierre Cardin de 3.000 Reais é uma necessidade de aceitação social, ou secundária.

O mais interessante é que as necessidades primárias não interferem na escolha ou determinação de um produto. As secundárias, sim. Todos sabem que, antes de morrer de fome, um ser humano se submete a comer coisas que não comeria em sua sã consciência, quando houvessem outras opções. No dia a dia, entretanto, as necessidades secundárias agem de forma inesperada no indivíduo, fazendo-o escolher determinada marca de alimento, bebida ou roupa, sem ao menos saber por que.

Fonte

SERRANO, Daniel Portillo. Motivação. Disponível em:

http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/motivacao.htm

Acesso em: 16 ago. 2005.

BOXEADOR DESAFIA A PLATÉIA

terça-feira, março 02, 2010

ARTE




George Bataille também diz que a arte nasceu no dia em que a humanidade foi capaz, tal como em Lascaux, de conceber uma atividade distinta do trabalho, no dia em que um gesto gratuito a fez sair da sujeição à utilidade. A arte é assim, desde a origem, liberdade, jogo e festa, recusa de qualquer subordinação: é soberana. Ao assentar na dilapidação das riquezas, é, ao mesmo tempo, o que há de mais necessário e testemunha, na sua gratuidade, a economia dispendiosa do Universo; é por isso que, no limite, se concebe que a verdadeira soberania, que não visa qualquer fim, também deixe de produzir qualquer obra: que seja, tal como Blanchot afirma, ociosa.

WARIN, François et alii. As grandes noções da filosofia. Lisboa: Instituto Piaget, s/d.

segunda-feira, março 01, 2010

O BOM SENSO

O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, destarte, que a diversidade de nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais racionais do que outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que só andam muito lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre o caminho reto, do que aqueles que correm e dele se distanciam.

Descartes, René. Discurso do Método. Primeira Parte. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Os Pensadores).

A diferença entre as almas capazes de vícios e virtudes não está na posse da razão, que todos possuem, mas na aplicação dela. É preciso aprender a aplicar o bom senso, o poder de julgar.