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terça-feira, junho 08, 2010

CAMPANHA DE SEGURANÇA NO TRÂNSITO

ESQUISITOS 3





PAIS E FILHOS

FOTOS TIRADAS NA HORA ERRADA 2




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MINISTÉRIO PASTORAL

Quem é o pastor? Um homem íntegro, religioso, bem trajado e com boa eloqüência? O que é preciso para ser pastor? Um diploma de teologia, conhecimentos contemporâneos e habilidade para falar em público?
Hoje em dia não se exige tanto. Basta algum conhecimento bíblico e boa articulação em público que já temos mais um prosélito pastor. A pessoa não tem tempo de convertida, não amadureceu na fé e já está liderando e guiando um rebanho. A pergunta é: para onde?
Outros com vasto conhecimento teológico não têm afinidades e aproximação com suas ovelhas. Não as conhecem pelos nomes, muito menos conhecem seus problemas e dificuldades. Nem suas mensagens ‘intelectuais’ alcançam o coração das pessoas.
Davi, filho de Jessé, quando escreve sobre a excelência do pastoril divino sabia muito bem o que era ser pastor, proteger e cuidar das ovelhas, pois ele vivenciou isto, dormia no campo com elas. Os pastores precisam saber conduzir as ovelhas fatigadas e dominadas pelo desalento às águas de descanso e aos pastos verdejantes. O guia ou tratador de animais sabe quando algum animal amanhece indisposto. Pelo seu andar percebe alguma dificuldade no caminhar. Alimentação, amuamento, agressividade ou carência são fatores que indicam o equilíbrio ou desequilíbrio do animal. Para identificar isto é necessário o convívio diário, e assim conhecer o ‘humor’ de cada um para saber quando estão alterados.
Gosto muito das palavras de Davi para Salomão em 1 Cr 28.9-10, primeiro passo, Salomão conhece a Deus, não irá servir um desconhecido ou alguém que ele apenas ouviu falar. Não será para o Jesus de Paulo que o líder guiará seus liderados, mas sim, para o Jesus que ele conhece e tem intimidade. E nisto entra também o chamado ‘fator deus’ citado pelo ateu José Saramago, isto é, como não crê na existência de Deus, ele diz que as pessoas desenvolvem o fator deus, ou seja, imaginam, criam e se relacionam com um deus moldado em sua própria cabeça de acordo com suas práticas e expectativas. Davi diz: ‘serve-o de coração íntegro e alma voluntária’, um coração que se entrega por inteiro a Deus vivenciando seus princípios e pronto para servir ao próximo através do voluntarismo. Davi vai mais fundo, ‘cuidado com as intenções do seu coração’. Não serão apenas as práticas que são avaliadas, são também e principalmente as motivações destas práticas. Davi ainda o motiva a ser forte para fazer a obra, pois foi Deus que o escolheu para isto. Aí entra a vocação e nesta muitos se perdem. Somos todos vocacionados para pregar o evangelho, ‘Ide e pregai a toda criatura’, entretanto entre pregar o evangelho e pastorear um rebanho há um enorme abismo.

A vocação
Paulo Roberto Garcia no seu texto sobre a vocação neotestamentária diz que ‘a vocação cristã acontece a partir da ação do Espírito, que, ao proporcionar a passagem da vida vivida na dependência da Lei para a vida vivida na dependência da Graça, move o ser humano de uma perspectiva egocêntrica de existência para uma perspectiva relacional, ampla e solidária, de forma especial, para com os mais fracos’. E o professor Josué Lazier diz que ‘a pessoa vocacionada sai de si mesma para servir aquele que o chamou’. E é aí que alguns assumem o ministério pastoral sem ter vocação. Até há uma ‘boa vontade’ para servir, contudo não passará de um esforço humano para atingir um propósito somente alcançável com a força e a iluminação do Santo Espírito. Pregar é para todos, pastorear é para alguns. É lógico que também precisamos do Espírito Santo para pegar, pois até Jesus pregou com a ajuda do Espírito Santo, entretanto a função de pastorear é muito mais complexa do que pregar.
Jonathan Edwards no seu sermão 1744 sobre ordenação diz:
“Se um ministro tem luz sem calor, e entretém seus ouvintes com discursos eruditos, sem calor do poder da espiritualidade, ou sem nenhuma manifestação de fervor de Espírito, de zelo por Deus e pelo bem das almas, ele pode satisfazer ouvidos que coçam e encher a cabeça do seu povo com conhecimentos vazios; mas não é muito provável que atinja a alma deles. Se, por outro lado, ele é impulsionado por um zelo feroz e descontrolado, um calor impetuoso, sem luz, é provável que acenda a mesma chama profana em seu povo, incendiando suas paixões e sentimentos corruptos; mas não os tornará melhores, nem os conduzirá um passo sequer para mais perto do céu, mas em passos largos na outra direção”.
O apóstolo Paulo na sua primeira carta aos coríntios diz que ‘os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado’. Isto é, já naquela época como no dias atuais vemos pessoas que buscam sinais, milagres e conhecimento, e para estas, há pastores que pregam e agem para satisfazê-los. Todavia, o cristianismo não enfatiza milagres, sinais ou conhecimento erudito, estas coisas podem ser conseqüências, já a verdadeira mensagem cristã enfatiza a transformação do ser humano através do arrependimento, do amor a Deus e ao próximo. Paulo continua dizendo sobre a vocação, não somos vocacionados pela sabedoria segundo a carne, nem por sermos poderosos ou ter nobre nascimento. A nossa vocação não é para nossa vangloria, mas sim, para gloria de Deus. Allan Richardson disse: ‘Ninguém pode dizer que recebeu autorização direta do próprio Cristo sem a instrumentalidade própria do seu corpo, a igreja’. O vocacionado sente no seu interior o chamado, mas a confirmação da vocação vem do corpo de Cristo, a Igreja. Talvez o vocacionado não receba a homologação do líder da igreja, seja por inveja, competição ou antipatia, entretanto a própria igreja pode reconhecer a vocação que está sobre ele.
Em Efésios 4, Paulo nos exorta a andarmos de modo digno da vocação que fomos chamados, isto é, ter humildade, mansidão, longanimidade, suportando uns aos outros em amor e nos esforçar diligentemente para preservar a unidade do Espírito no vinculo da paz. O ‘vocacionado’ que não tem humildade e paz, não suporta os outros com amor e não luta pela unidade do corpo está fora dos propósitos da vocação divina.

Pastorear ou Pastor errar
De acordo com o professor Josué Lazier, ‘pastorear é servir. Servir ao próximo e levá-lo a servir a outros. Servir não por constrangimento, mas por amor... Ser pastor indica ter autoridade de quem tem o manto para pregar em nome de Deus, mas também, saber despir-se do manto e vestir o avental ou toalha para servir ao rebanho com toda dedicação, carinho, piedade e amor’. O pastor divide-se em liderar com autoridade e servir com humildade.
Alguns imperativos e motivações para pastorear são:
Cuidado com a saúde física, emocional e espiritual. O pastor tem que ter sua vida equilibrada para poder ajudar os outros. Ele não pode estar fisicamente esgotado, senão pouco tem a oferecer, sua vida emocional tem que estar equilibrada, senão seus problemas pessoais roubarão sua atenção e se espiritualmente não estiver bem não há como pastorear, pois o cristianismo não é uma simples filosofia, tudo depende da espiritualidade. Por isso, o pastor também deve ser pastoreado, ele não está livre de ter um mentor, alguém para o qual possa responder pelos seus atos e receber conselhos quando necessário. E nisto engloba sua vida devocional. Não há possibilidades de ser pastor sem orar, meditar e se entregar no altar do Senhor. Na tríade do ministério pastoral estão carisma, caráter e caridade.
Cuidado com a família. No quinto capítulo de 1Timóteo vemos que aqueles que não cuidam dos seus familiares negam a fé e são piores que os incrédulos. Alguns enfatizam tanto a igreja que esquecem de dar amor e amizade aos seus familiares. São flores na igreja e cactos em casa.
Pedro ressalta em 1Pedro 5 que devemos apascentar o ‘rebanho de Deus’, tendo cuidado dele, temos que ter zelo pelas pessoas que fazem parte deste rebanho, servir voluntariamente e de boa vontade, servir de exemplo aos que nos foram confiados. O pastor é muito mais do que um simples líder, ele é um referencial para os liderados. Mais do que autoridade, o líder deve cativar nos liderados a admiração por seus atos. Muitos não se demonstram voluntários com boa vontade, pastor é pastor 24 horas por dia, ele cuida da ovelha quando ela precisa e não quando ele bem entender.
O que faz o pastor errar?
Para afundar o ministério pastoral também há algumas exortações de Pedro. Primeiro que o rebanho não é do pastor, por isso ele não deve usurpá-lo. Não deve apascentar por força, como está escrito no livro de Zacarias: ‘não é por força nem por violência, mas pelo meu Espírito diz o Senhor dos Exércitos’. Jamais o pastor pode pastorear por ganância, aquele que foi chamado para apascentar não deve pensar em enriquecimento ou viver de acordo com os padrões do mundo. Atualmente vemos pastores que vivem em mansões com salários exorbitantes e carros luxuosos, cobram para pregar, querem apenas ter vidinha de rei, contrariando totalmente o que é cristianismo. Desfrutam da ostentação as custas das gorduras das ovelhas, vivem como dominadores explorando-as através da má fé.
A figura pessoal nunca deve sobrepor o ministério, o pastor nunca será mais importante do que o ministério pastoral. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir as sábias, isto para que ninguém se glorie. A glória do ministério pastoral pertence a Deus e Ele não divide Sua glória com ninguém.
O pastor tem que falar a mesma língua da igreja da qual ele pertence, se a denominação crê em algumas doutrinas, ele não pode ir contra, fermentar a dúvida e a divisão do grupo. O pastor vocacionado deve preservar a unidade do rebanho.
Atualmente para os que estão fora da igreja, pastor é sinônimo de ladrão, explorador e vagabundo. Entretanto, para os do rebanho, ser pastor é motivo se status. Muitos buscam o ministério pastoral porque querem estar em evidência. Andar de terninho e gravata ostentando o status da liderança do grupo, outra motivação errada que engloba outras motivações como o interesse financeiro e uma carreira profissional. O indivíduo começa como evangelista, pastor, apóstolo, bispo, semideus e por aí vai até chegar ao ponto de ser como Lúcifer, querer tomar o lugar de Deus. Alguns não pensam na carreira profissional e na sua ascensão, entretanto trata o ministério como um serviço profissional como qualquer um outro, bater o cartão, cumprir suas tarefas para receber seu salário.
Tem também o mal da nossa geração, mas que no fundo é apenas um enorme eco que vem de outras gerações como acontecia no Antigo Testamento, profetas diziam o que o povo gostava de ouvir. No tempo de Jeremias, profetizavam paz, paz, quando não havia paz, pelo contrário, a mensagem de Deus era de abominação pelas práticas do povo, mas isto o povo não queria ouvir. Hoje ouvimos pregadores agindo da mesma forma, dizendo o que o povo quer ouvir. E para piorar a situação, vivemos num mundo capitalista que ensina a ganância, o egoísmo e o acúmulo em nome da prosperidade e infelizmente esta idéia satânica invadiu as igrejas e os corações dos seus membros que vibram quando o pastor prega a teologia de mamon, transformando-os em enormes sanguessugas. E para isto temos um maravilhoso exemplo do Mestre. Certa vez Jesus foi repreendido por causa da sua pregação, pois as palavras eram duras e o povo estava indo embora. Jesus arrematou: ‘porque vocês não vão com eles?’. Contudo, Pedro disse: ‘para onde irmos nós, se só Tu têm as palavras de vida’. A multidão não significa nada. O restaurante lotado não significa que tem a melhor comida. A igreja cheia não traduz a presença de Deus naquele lugar. Não estamos aqui para agradar a homens e sim Aquele que nos vocacionou.
Inclusive, Jesus é nosso modelo para o ministério pastoral. Em Marcos 1.16-45 há um exemplo do ministério de Jesus. Primeiro Ele discipulava através da convivência com os discípulos. Não dizia aos discípulos: ‘vai lá na casa do Zé carpinteiro no sábado a tarde que tem estudo bíblico’. Ele dizia: ‘Vem e segue-me’, isto é, vem andar comigo e assim você vai ver o que deve fazer nas situações do cotidiano. Jesus trabalhava em prol da libertação, seja dos vícios, dos maus costumes, das injustiças e tantas outras prisões que oprimiam o povo. Jesus tinham uma vida de oração, líder que não ora lidera para si mesmo.
As boas motivações fazem o vocacionado pastorear o rebanho de Deus agindo humildemente, gerando frutos, transformando pessoas e expandindo o Reino de Deus neste mundo tenebroso. Já as motivações egoístas, frutos da carne podre levam o pastor errar, escandalizando o cristianismo para aqueles que ainda não o conhecem.
Pastores devem ter uma oração diária que o faça lembrar da sua posição de pastor servo, temos como exemplo a oração de Laurence A. Brown:
“Senhor, ajude-me a compreender o poder do amor, para que eu não seja levado pelo amor ao poder. Ajude-me a compreender a autoridade do respeito, para que eu não seja tentado a exigir o respeito a minha autoridade. Que seja o meu egoísmo crucificado contigo para que, de fato, Tu possas viver em mim. Que para aqueles sou chamado à liderança sejam mais discípulos do que súditos. E que eu possa desafiá-los dizendo: ‘Sejam meus imitadores como eu sou de Cristo’, Amém”.
Clodoaldo Clay Nunes.

FOTOS TIRADAS NA HORA ERRADA



TEOLOGIA

DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:

Relacione o conteúdo de teologia wesleyana apresentado na Teleaula de 05 abril “Graça versus Obras?” [Obras sem Graça: Santidade e Felicidade mediante obras / Semi-pelagianismo católico romano - Obras sem Graça: Legalismo Moralista Anglicano “HighChurch” e do Deísmo do Século XVIII], com o tema de Martin Buber ‘Como posso conhecer a Deus’?

Tendo os conteúdos acima indicados, escreva um texto procurando responder a seguinte pergunta:

Qual a crítica teológica que se poderia fazer ao exacerbado individualismo vigente entre os evangélicos e católicos brasileiros?

A Graça é uma bifurcação que surgiu no nosso determinado caminho para o inferno. Já estávamos condenados e seguíamos um caminho direto para o inferno, entretanto Deus com sua imensa misericórdia nos oferece uma bifurcação que nos faz retornar para o Caminho que nos leva a salvação. A entrada por esta Porta divina oferecida por Deus para a salvação é o arrependimento e o caminhar neste Caminho é a perseverança na fé (2Tm 4.7), isto é, a fiel continuidade de obediência a Deus. E nisto inclui as boas obras. Tiago disse: ‘quem sabe faz o bem e não faz, comente pecado’ (Tg 4.17) e também trata do famoso embate entre fé e obras no segundo capítulo.
Para Wesley, obras sem Graça é semi-pelagianismo católico romano ou como o legalismo moralista anglicano (High Church) e Graça sem obras é como o quietismo dos irmãos moravos ou o antinomianismo dos hiper-calvinista. Sem obras, onde está a obediência a Deus. A santidade e a felicidade são mediante a Graça de Deus, entretanto se expressam nas práticas cotidianas das boas obras nas relações. Wesley reconhece que a Graça de Deus é a única causa de nossa justificação e santificação. A experiência de santidade não é uma realização moral humana, mas sempre resultado da ação graciosa de Deus.

A IGREJA ATUAL E O INDIVIDUALISMO

A igreja de hoje deturpou a mensagem da Graça, trocou o conceito original de ‘favor de Deus’ para nós, miseráveis condenados, para um falso conceito que Deus é um milionário velhinho bonachão que está pronto para saciar nosso infinito ego. Hoje Deus é procurado não mais para ser Senhor, perdoar pecados ou ser luz para os nossos passos. Deus é tratado com o servo de um povinho mimado que não reconhece pecados e já tem no coração seu caminho talhado.
O egoísmo pregado no mundo também é pregado dentro das igrejas, a matemática do mundo que diz: ‘acumule para multiplicar’ contraria a matemática de Deus que nos ensina a dividir para multiplicar. A vida concorrencial do mundo está viva e muito feroz dentro das nossas comunidades cristã. O outro é meu concorrente em potencial, meu carro tem que ser melhor do que o dele, assim como minha família, meu emprego, etc...
A culpa disto é dos líderes que ensinam esta competitividade e uma afórica corrida para o sucesso e a prosperidade. A teologia da prosperidade ou de Mamon ou do inferno mesmo, é o principal câncer que está destruindo a saudável idéia de comunidade cristã. Lideres que ensinam o errado e outros que se omitem a ensinar o correto. As mensagens dificilmente são de confronto ao comodismo da carne (e quando é pregada, o pregador se desculpa, incrível!), sempre são mensagens para satisfazer o ego e a carne.
Entendo que a relação com o próximo é muito mais importante para Deus do que as práticas religiosas. Na parábola do bom samaritano vemos que quem recebe a salvação não são os práticos religiosos como o sacerdote ou o escriba (hoje, o pastor e o teólogo), mais sim, o bom samaritano que viu a necessidade do próximo, se compadeceu e o ajudou. Jesus era assim, via o povo, tinha compaixão e agia (cf Mc 6.34). Outro exemplo, profetizar, exorcizar ou fazer milagres são práticas religiosas que não garante a salvação (cf Mt 7.22), já o compadecimento e a ajuda ao necessitado sim (cf Mt 25.31-46).
Em João 10 Jesus mostra claramente que os líderes que não cuidam das ovelhas são mercenários e Tiago diz que o chicote estralará mais forte no lombo daqueles que ensinam erroneamente seus liderados. Em quase todos os lugares de princípios vemos que quando um grupo afunda, o maior responsável é o líder e com Deus creio que não é diferente. Paulo não saiu para liderança logo após sua conversão, ele foi se preparar. Pedro depois de três anos andando com Jesus ainda não estava pronto. E hoje muitos se ‘convertem’ e logo querem liderar, outros dizem que não precisam estudar, pois Deus os iluminará.
Temos que ver existencialmente o outro e também Deus, se relacionar com uma pessoa viva, assim Buber mostra na relação eu/tu – eu/ele, ou seja, eu/tu é uma relação onde eu vejo o outro como um semelhante e o nosso relacionamento pode gerar melhoria para ambas as partes, há um relacionamento sadio pessoa/pessoa e não pessoa/coisa como no relacionamento eu/ele onde há mais um interesse, uma forma egoísta de exploração. O amor está esfriando também dentro das igrejas. Não há mais compromisso com o próximo e amor significa isto, compromisso. Por coisas banais pessoas não se falam mais, a indiferença tomou conta das pessoas, alguém com problemas não é uma companhia agradável, por isso, é melhor se distanciar dela. Queremos conviver somente com pessoas que nos acrescenta ou torna o ambiente mais agradável.
O amor às pessoas se transforma em amor ao dinheiro e este é a raiz de todos os males. A partir do momento que amamos o dinheiro nos tornamos indiferentes as demais coisas, principalmente às pessoas. A teologia da prosperidade ensina isto, ame o dinheiro, seja um ganancioso, procure acumular o que puder e não esquecer de perturbar Deus para te dar cada vez mais.
Além de ensinarem a amar o dinheiro, eles são os primeiros a amarem, pois eu acho um absurdo o pastor ter salário de R$ 30 mil e cobrar R$ 5mil para pregar numa outra igreja. Sei de pastor que ganha 10% dos rendimentos da igreja, quem ele é, o deus da igreja que recolhe o dízimo? Vendo isto, vou dar meu suado dinheiro numa igreja que sustenta a ostentação de um líder mercenário ou vou abençoar diretamente o próximo?
Igreja virou negócio para os líderes e casa lotérica para os liderados, que diferença tem entre o Edir Macedo e o Castor de Andrade (finado)? A suposta religiosidade, pois os dois são contraventores que exploram jogos de azar. A igreja virou uma casa de apostas. Aposta em Deus que neste você não perde, olha os exemplos...
O individualismo não é uma nova praga que domina nossa geração, egoísmo e individualismo sempre existiram, pois dentro do ser humano já existe a raiz para isto, a ganância, a inveja, o orgulho e outros males são as causas para o egoísmo e o individualismo. Quando Jesus diz em Mateus 24 que o amor de muitos esfriaria e quando Paulo diz em 2 Timóteo 3 que os homens serão egoístas, avarentos e mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus são homens que se julgam cristãos. Isto não é para todos em geral, pois não é de se estranhar este comportamento em quem vive fora da igreja. Eles (Jesus e Paulo) dizem que é e será o ‘fim do mundo’ quando este comportamento contrário ao cristianismo tomar conta das nossas igrejas. E mais, Paulo diz, estão sempre aprendendo, entretanto nunca chegarão ao conhecimento da verdade. Isto é, podem até carregar títulos, contudo não conhecem a verdade, não se relacionam com ela. São ótimos oradores ou como se diz na filosofia, são sofistas. São fortes candidatos para ouvirem de Jesus, ‘Te conheço’?
Não creio que podemos mudar esta situação, pois é uma ‘profecia’ de Jesus, entretanto podemos fazer o que está ao nosso alcance, ou seja, vigiarmos para não cair neste engodo e ensinar a verdade aos nossos liderados. O egoísmo e o individualismo sempre rodearão o coração do ser humano, cabe aos líderes cristãos ensinar e vivenciar a verdade. Coisa cada vez mais difícil, pois pastores usurpam o rebanho de Deus e se transformam em grandes pecuaristas que disputam entre si quem tem mais cabeça e quem é mais próspero.
A única individualidade que deveria permanecer na igreja é a pessoalidade, cada individuo ser uma pessoa com nome, endereço e telefone. Nas igrejas, os rebanhos das ovelhas são como rebanhos de bois nelores, você olha e vê aquela massa branquinha se movendo, não dá para diferenciar um do outro. Para muitos pastores o rebanho é desta forma, não sabe o nome de ninguém e muito menos ligam ou fazem visitas. É mais fácil falar com o prefeito do que com estas criaturas.

CLODOALDO CLAY NUNES