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terça-feira, junho 08, 2010

TEOLOGIA

DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:

Relacione o conteúdo de teologia wesleyana apresentado na Teleaula de 05 abril “Graça versus Obras?” [Obras sem Graça: Santidade e Felicidade mediante obras / Semi-pelagianismo católico romano - Obras sem Graça: Legalismo Moralista Anglicano “HighChurch” e do Deísmo do Século XVIII], com o tema de Martin Buber ‘Como posso conhecer a Deus’?

Tendo os conteúdos acima indicados, escreva um texto procurando responder a seguinte pergunta:

Qual a crítica teológica que se poderia fazer ao exacerbado individualismo vigente entre os evangélicos e católicos brasileiros?

A Graça é uma bifurcação que surgiu no nosso determinado caminho para o inferno. Já estávamos condenados e seguíamos um caminho direto para o inferno, entretanto Deus com sua imensa misericórdia nos oferece uma bifurcação que nos faz retornar para o Caminho que nos leva a salvação. A entrada por esta Porta divina oferecida por Deus para a salvação é o arrependimento e o caminhar neste Caminho é a perseverança na fé (2Tm 4.7), isto é, a fiel continuidade de obediência a Deus. E nisto inclui as boas obras. Tiago disse: ‘quem sabe faz o bem e não faz, comente pecado’ (Tg 4.17) e também trata do famoso embate entre fé e obras no segundo capítulo.
Para Wesley, obras sem Graça é semi-pelagianismo católico romano ou como o legalismo moralista anglicano (High Church) e Graça sem obras é como o quietismo dos irmãos moravos ou o antinomianismo dos hiper-calvinista. Sem obras, onde está a obediência a Deus. A santidade e a felicidade são mediante a Graça de Deus, entretanto se expressam nas práticas cotidianas das boas obras nas relações. Wesley reconhece que a Graça de Deus é a única causa de nossa justificação e santificação. A experiência de santidade não é uma realização moral humana, mas sempre resultado da ação graciosa de Deus.

A IGREJA ATUAL E O INDIVIDUALISMO

A igreja de hoje deturpou a mensagem da Graça, trocou o conceito original de ‘favor de Deus’ para nós, miseráveis condenados, para um falso conceito que Deus é um milionário velhinho bonachão que está pronto para saciar nosso infinito ego. Hoje Deus é procurado não mais para ser Senhor, perdoar pecados ou ser luz para os nossos passos. Deus é tratado com o servo de um povinho mimado que não reconhece pecados e já tem no coração seu caminho talhado.
O egoísmo pregado no mundo também é pregado dentro das igrejas, a matemática do mundo que diz: ‘acumule para multiplicar’ contraria a matemática de Deus que nos ensina a dividir para multiplicar. A vida concorrencial do mundo está viva e muito feroz dentro das nossas comunidades cristã. O outro é meu concorrente em potencial, meu carro tem que ser melhor do que o dele, assim como minha família, meu emprego, etc...
A culpa disto é dos líderes que ensinam esta competitividade e uma afórica corrida para o sucesso e a prosperidade. A teologia da prosperidade ou de Mamon ou do inferno mesmo, é o principal câncer que está destruindo a saudável idéia de comunidade cristã. Lideres que ensinam o errado e outros que se omitem a ensinar o correto. As mensagens dificilmente são de confronto ao comodismo da carne (e quando é pregada, o pregador se desculpa, incrível!), sempre são mensagens para satisfazer o ego e a carne.
Entendo que a relação com o próximo é muito mais importante para Deus do que as práticas religiosas. Na parábola do bom samaritano vemos que quem recebe a salvação não são os práticos religiosos como o sacerdote ou o escriba (hoje, o pastor e o teólogo), mais sim, o bom samaritano que viu a necessidade do próximo, se compadeceu e o ajudou. Jesus era assim, via o povo, tinha compaixão e agia (cf Mc 6.34). Outro exemplo, profetizar, exorcizar ou fazer milagres são práticas religiosas que não garante a salvação (cf Mt 7.22), já o compadecimento e a ajuda ao necessitado sim (cf Mt 25.31-46).
Em João 10 Jesus mostra claramente que os líderes que não cuidam das ovelhas são mercenários e Tiago diz que o chicote estralará mais forte no lombo daqueles que ensinam erroneamente seus liderados. Em quase todos os lugares de princípios vemos que quando um grupo afunda, o maior responsável é o líder e com Deus creio que não é diferente. Paulo não saiu para liderança logo após sua conversão, ele foi se preparar. Pedro depois de três anos andando com Jesus ainda não estava pronto. E hoje muitos se ‘convertem’ e logo querem liderar, outros dizem que não precisam estudar, pois Deus os iluminará.
Temos que ver existencialmente o outro e também Deus, se relacionar com uma pessoa viva, assim Buber mostra na relação eu/tu – eu/ele, ou seja, eu/tu é uma relação onde eu vejo o outro como um semelhante e o nosso relacionamento pode gerar melhoria para ambas as partes, há um relacionamento sadio pessoa/pessoa e não pessoa/coisa como no relacionamento eu/ele onde há mais um interesse, uma forma egoísta de exploração. O amor está esfriando também dentro das igrejas. Não há mais compromisso com o próximo e amor significa isto, compromisso. Por coisas banais pessoas não se falam mais, a indiferença tomou conta das pessoas, alguém com problemas não é uma companhia agradável, por isso, é melhor se distanciar dela. Queremos conviver somente com pessoas que nos acrescenta ou torna o ambiente mais agradável.
O amor às pessoas se transforma em amor ao dinheiro e este é a raiz de todos os males. A partir do momento que amamos o dinheiro nos tornamos indiferentes as demais coisas, principalmente às pessoas. A teologia da prosperidade ensina isto, ame o dinheiro, seja um ganancioso, procure acumular o que puder e não esquecer de perturbar Deus para te dar cada vez mais.
Além de ensinarem a amar o dinheiro, eles são os primeiros a amarem, pois eu acho um absurdo o pastor ter salário de R$ 30 mil e cobrar R$ 5mil para pregar numa outra igreja. Sei de pastor que ganha 10% dos rendimentos da igreja, quem ele é, o deus da igreja que recolhe o dízimo? Vendo isto, vou dar meu suado dinheiro numa igreja que sustenta a ostentação de um líder mercenário ou vou abençoar diretamente o próximo?
Igreja virou negócio para os líderes e casa lotérica para os liderados, que diferença tem entre o Edir Macedo e o Castor de Andrade (finado)? A suposta religiosidade, pois os dois são contraventores que exploram jogos de azar. A igreja virou uma casa de apostas. Aposta em Deus que neste você não perde, olha os exemplos...
O individualismo não é uma nova praga que domina nossa geração, egoísmo e individualismo sempre existiram, pois dentro do ser humano já existe a raiz para isto, a ganância, a inveja, o orgulho e outros males são as causas para o egoísmo e o individualismo. Quando Jesus diz em Mateus 24 que o amor de muitos esfriaria e quando Paulo diz em 2 Timóteo 3 que os homens serão egoístas, avarentos e mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus são homens que se julgam cristãos. Isto não é para todos em geral, pois não é de se estranhar este comportamento em quem vive fora da igreja. Eles (Jesus e Paulo) dizem que é e será o ‘fim do mundo’ quando este comportamento contrário ao cristianismo tomar conta das nossas igrejas. E mais, Paulo diz, estão sempre aprendendo, entretanto nunca chegarão ao conhecimento da verdade. Isto é, podem até carregar títulos, contudo não conhecem a verdade, não se relacionam com ela. São ótimos oradores ou como se diz na filosofia, são sofistas. São fortes candidatos para ouvirem de Jesus, ‘Te conheço’?
Não creio que podemos mudar esta situação, pois é uma ‘profecia’ de Jesus, entretanto podemos fazer o que está ao nosso alcance, ou seja, vigiarmos para não cair neste engodo e ensinar a verdade aos nossos liderados. O egoísmo e o individualismo sempre rodearão o coração do ser humano, cabe aos líderes cristãos ensinar e vivenciar a verdade. Coisa cada vez mais difícil, pois pastores usurpam o rebanho de Deus e se transformam em grandes pecuaristas que disputam entre si quem tem mais cabeça e quem é mais próspero.
A única individualidade que deveria permanecer na igreja é a pessoalidade, cada individuo ser uma pessoa com nome, endereço e telefone. Nas igrejas, os rebanhos das ovelhas são como rebanhos de bois nelores, você olha e vê aquela massa branquinha se movendo, não dá para diferenciar um do outro. Para muitos pastores o rebanho é desta forma, não sabe o nome de ninguém e muito menos ligam ou fazem visitas. É mais fácil falar com o prefeito do que com estas criaturas.

CLODOALDO CLAY NUNES

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