RECOMENDE!

segunda-feira, julho 11, 2011

MOMENTOS HISTÓRICOS 2

COPACABANA

CORCOVADO ANTES DO CRISTO

CONSTRUÇÃO DA DISNEY

CHE E FIDEL

CONSTRUÇÃO EMPIRE STATES

14 BIS

SILVIO SANTOS

CHUCK NORRIS E BRUCE LEE

QUEDA DO MURO DE BERLIM

BOB MARLEY NO BRASIL

Liberte-se!

O que é ser livre? Ter liberdade? Será que podemos dizer que somos livres? Lógico que não, ninguém é livre totalmente, mesmo aquele que mora sozinho e não deve satisfação para ninguém não é livre por completo.

A privação da liberdade começa muito antes de nascer. Quem determina o seu sexo, sua aparência, o dia que do seu nascimento ou da sua morte, seu nome, sua situação financeira, etc. Como entender esta aleatoriedade da vida? Pois ela é a primeira a roubar a nossa liberdade.

Junto com ela está a intervenção de terceiros. Outros tomam decisões em nossos lugares, muito quando pequenos, menos quando adultos e mais quando velhos, e muitos nunca na vida irá tomar 100% das decisões da sua existência. E assim, entregam parte da sua liberdade para alguém. Correndo lado a lado está o adestramento.

Nossa vida é um processo de aprendizado, certo que no início é com maior intensidade. Neste aprendizado podemos ser instruídos para liberdade ou para retração. Nossa educação pode nos levar ao raciocínio, à crítica e nos tirar do senso comum. Assim podemos analisar com mais ênfase a nossa vida, a situação ao nosso redor e não aceitar comportamentos, imposições e muitas outras coisas que encarcera a liberdade.

Alguns são modelados para retração. Desde a infância a sua opinião, seus pensamentos e sua vontade são abafados pela ditadura dos pais. Por outro lado se for criado sem parâmetros se tornará “gado”, massa de manipulação, pois não foi preparado para uma estrutura familiar e social, é uma folha seca ao vento, quase um selvagem.

No final temos outras privações da liberdade. O governo nos imposta, isto é, determina o quando temos que pagá-lo para viver e as coisas ter. A sociedade tem suas regras para nos limitar, ou seja, por causa dos outros nossa liberdade é privada e por nossa causa a liberdade de outros também é limitada, lembrando Sartre, ‘o nosso inferno são os outros’, isto é, o outro não age como eu quero ou suas ações prejudicam as minhas infernizando minha vida. E como o ser humano é um ser social, necessita da interação com seus semelhantes, jamais será totalmente livre.

A minha liberdade termina quando começa a liberdade do meu próximo. MENTIRA! A minha liberdade e a do meu próximo caminham juntas. A sociedade apenas modela as pistas das nossas liberdades, ou seja, na enorme estrada da vida há faixas de rolamento para todos andarem com liberdade e de forma que nenhum invada a faixa do outro, como raias de uma piscina de natação.

Opa! O assunto não é LIBERTE-SE? É, mas a ideia é mostrar que não somos livres totalmente, entretanto podemos libertar nosso ser de muitas coisas. Primeiro temos que reconhecer nossos limites, Ricardo Peter no seu livro ‘Respeita os teus limites’ diz que “a perspectiva do limite re-orienta a pessoa para aquilo que realmente é. Não sofremos uma limitação; ao contrário, aceitamos nossa própria realidade limitada, algo essencial: o próprio eu. O limite é a consistência da insuficiência”. Sendo assim, temos que nos libertar da aleatoriedade da vida, não significa que não seremos mais suas vítimas, mas aprendemos a lidar com ela. Como já disseram, “não me diga o que a vida fez com você, mas o que você fez daquilo que a vida te causou”. Um homem perde a perna e com isto perde a liberdade de caminhar. Contudo, temos exemplos de pessoas que não tem as pernas e andam com próteses, tem um que é atleta e corre com duas próteses. Esta é a liberdade que combate a aleatoriedade.

Já sobre a intervenção de terceiros é a principal e mais complicada situação, pois se a pessoa foi reprimida desde criança, sempre será uma fácil vítima de possíveis cativeiros. Infelizmente a liberdade não paira sobre a mente e o coração de pessoas que não são ensinadas para contra por o senso comum e a intromissão de outros.

Temos que agüentar o próximo, mesmo porque ele também tem que nos agüentar, e o caminho é o respeito. E o governo? Este é complicado, pois a voz dos livres só terá eco se estes forem muitos. Temos um ‘limite’ para a imposição dos governantes, sabemos que temos compromissos com a sociedade, contudo não podemos dizer amém para tudo que nos é imposto e é ai que entra em cena nossa liberdade. A liberdade de dizer não e lutar contra, e para isto precisamos ser maioria.

Liberdade, algo tão desejado e tão complicado para se desfrutar, entretanto, com sabedoria e esforço conseguimos conquistar grande parte deste conteúdo que é o sonho de muitos, contudo, outros muitos preferem a dependência e a submissão, pois com a liberdade não se tornam livres, e sim caminham a passos largos para a incoerência e a perdição.

CLODOALDO CLAY NUNES

MOMENTOS HISTÓRICOS

SADDAN INDO PARA O INFERNO
CHAVES

CHAPLIN E GANDHI

PRIMEIRO COMPUTADOR

COCA-COLA


GUERRA DO VIETNÃ


PRIMEIRA FOTO TIRADA NA FRANÇA

TITANIC NO FUNDO DO MAR


LAMPIÃO E SEU BANDO



Reconhecimento de união gay pelo STF

Um casal gay adotou uma criança.
Durante o banho o ingênuo garoto fala pro pai:
- Puxa papi!!! que pinto grande que o senhor tem!!
O pai com um brilho nos olhos, comenta:

- É PORQUE VOCÊ AINDA NÃO VIU O DA MAMÃE.

MY CITY

GRAÇAS À VIDA - MERCEDES SOSA

Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois olhos que quando os abro
Distinguo perfeitamente o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o ouvido que em todo seu comprimento
Grava noite e dia grilos e canários
Martírios, turbinas, latidos, aguaceiros
E a voz tão terna de meu bem amado

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distinguo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Graças à vida, graças à vida

domingo, julho 10, 2011

O MELHOR ADVOGADO

Todo Homem deveria ler...

"É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada.

Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps. Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"
"E não se esqueça...Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!"
Arnaldo Jabor

?

DEUS...

POBRES PESSOAS...

GRANDE MARQUINHOS!

Publicado na revista Vip

por Antonio Prata

No último mês, passei por uma experiência interessante: não bebi. Nada. Trinta dias, de cabo a rabo, em que as únicas drogas a correr por minhas veias foram a fenilalanina da Coca-light e o pozinho do Miojo. Ok, talvez, se eu tivesse consultado um endocrinologista, ele me dissesse que era mais saudável afastar-me da fenilalanina e do Miojo do que da cerveja, mas como não conheço nenhum endocrinologista e queria era descobrir como seriam quatro semanas preso a um cérebro 100% sóbrio, 100% do tempo, o projeto foi a abstinência alcoólica.

Não passava um período tão longo sem beber desde os quinze anos, quando, na festa de debutante da Lizandra, tomei meu primeiro chope. E logo o segundo, o terceiro, o quarto – no quinto tentei agarrar a Lizandra, no sétimo abracei a privada.

Não posso dizer que aquele tenha sido meu último excesso. Houve, dos quinze anos para cá, outras noites bambas, em que soube por minhas próprias pernas que a Terra não era plana e fiz algumas besteiras das quais me arrependo: tentei beijar mulheres que só haviam me perguntando as horas, acordei ex-namoradas com SMSs enviados de mesas de bar – tipo, quarta-feira, 02:46 AM – resolvi assar uma paleta de cordeiro ou criar uma receita de chilli con carne, pouco antes do sol nascer. Acontece.

Na maior parte do tempo, contudo, pude apreciar os efeitos do álcool sem grande prejuízo moral ou físico, e sou grato à natureza por ter nos dado esse brinquedo. Para começo de conversa, não fosse ele e eu provavelmente seria virgem até hoje. (Ou você acha que eu teria coragem de ficar pelado diante de uma garota, no auge da minha adolescência, completamente sóbrio? Na boa, só um psicopata é capaz de tamanha frieza.)

Agradeço à bebida, sobretudo, pela forma como ela facilita as relações sociais. Nesses trinta dias a seco, fui a um lançamento de livro e duas festas. Descobri como é difícil, sem o auxílio glorioso de duas doses, estabelecer uma conversa minimamente sustentável com gente com quem você não tem intimidade. Interagir socialmente sem álcool é como acender a churrasqueira sem álcool: o papo não pega, você tem que ficar assoprando e abanando a brasa, pra ver se a coisa esquenta. Não esquenta. E por que? Porque a lucidez é maligna. Sóbrio, você tem o tempo todo a consciência de que aquela conversa é só fachada, de que nem você nem a pessoa diante de si têm interesse em saber nada um do outro, de que só estão perguntando como está o trabalho e se têm visto a Juliana ou o Marquinhos (Marquinhos? Você não se lembra de nenhum Marquinhos…) porque estudaram juntos em 1993 ou calharam de estar na mesma praia, em Ubatuba, em algum réveillon do século XX. E o que o álcool faz, na conversa? O mesmo que no carvão: cria chama sem calor, produz interesse genuíno onde, em sua ausência, haveria descaso. O cara te explica que se formou em veterinária e trabalha com zebu, em Uberlândia, você diz, “Zebu, genial!”, e começa a fazer perguntas. Quando vê, estão conversando animadamente sobre a corcova do boi, e você fica felicíssimo ao descobrir que é dali que vem o cupim, e que a carne chama cupim porque o calombo parece um cupinzeiro. Dez minutos depois, está convencido de que o sujeito é uma pessoa maravilhosa, que vocês têm que se ver mais, talvez até re-alugar a casa de Ubatuba para o próximo réveillon. Vocês trocam telefones e e-mails, dizem que se verão novamente em breve, e farão um cupim com manteiga, no alumínio, ou uma paleta de cordeiro. Você fala pra ele chamar a Juliana, ele diz que levará também o Marquinhos, que ficará feliz em saber do encontro. (Quem diabos será o Marquinhos, meu Deus?!).

É claro que nada disso acontecerá. Toda aquela animação só existiu porque estavam meio bêbados, mas e daí? Pelo menos se divertiram, durante cinco ou dez minutos, batendo um papo numa varanda ou na fila do banheiro. No final, a vida é isso: talvez haja meia dúzia de momentos retumbantes, um podium, os braços de algumas mulheres, uns aplausos, mas 99% do tempo você estará numa varanda ou na fila do banheiro, conversando com alguém com quem não escolheu conversar. Se não soubermos extrair graça desses momentos, vamos do berço ao túmulo de saco-cheio.

Nesta altura do texto, ouço uma voz distante. Não sei se é minha mãe, minha mulher, meu psicanalista ou a Organização Mundial da Saúde: “mas precisa necessariamente de álcool, para se divertir?”. Coço a cabeça. Deve haver pessoas que se sentem absolutamente confortáveis em seus próprios corpos, todo o tempo, e são capazes de falar sobre zebus e se despir diante de desconhecidas sem nenhuma ajuda do etanol. Dalai Lama talvez consiga. Sr. Myiagi, quem sabe? Eu não. Eu preciso das duas doses dessa substância que algum ancestral iluminado inventou, num momento de lucidez – talvez seu último -, ao fermentar trigo, batata, uva, mandioca ou o que estivesse à mão e, num ato de indômita curiosidade, beber o líquido resultante.

Claro, é bom ter sempre em mente a lição adaptada da sacola da padaria: beber bem para beber sempre. (Por “bem”, entenda: com parcimônia). Por isso um mês à seco. Por isso algumas noites por semana, em casa, só na Coca-light, assistindo um seriado ou lendo um livro. Para que aos 78 eu ainda possa falar empolgado, numa varanda ou na fila do banheiro: “Zebu, genial!” e mande abraço pro Marquinhos – grande Marquinhos! -, quem quer que ele seja.

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Este semestre, após longo afastamento, destranquei a matrícula e voltarei à faculdade. Faltam apenas seis matérias e há grandes chances de que, em meados de 2007, eu já tenha direito a cela especial e a olhares mais respeitosos de minha irmã mais nova e da moça do xerox. Não sentirei mais vergonha de que vejam meu número de matrícula na lista de chamada, denunciando-me como um remanescente do século passado. (Sempre acho que vão me perguntar se tive aula com Florestan Fernandes ou se estava na PUC na invasão de Erasmo Dias). Poderei, enfim, escrever terceiro grau completo nas fichas de crediário e respirar tranquilamente se desbaratarem a usina de enriquecimento de urânio que tenho aqui em meu quintal.

Suspeito que, depois do alívio pelo diploma, virá um profundo sentimento de vazio. Como poderei viver sem o ranger dos degraus do prédio velho sob meus pés? O que farei com a saudade das noites em que, enquanto o resto da humanidade assistia a novela das oito, meia dúzia de gatos pingados discutiam fervorosamente o movimento dos colares entre os trobriandeses, a eficiência dos DASP (e DASPi-nhos) no governo Getúlio Vargas, a função das nádegas na aceitação da morte – segundo Bakhtin?

Só tem um jeito. Assim que me formar, entro no mestrado, garantindo, quem sabe, mais uns dez anos em torno do glorioso pátio da cruz. Já sei até a que tema me dedicarei: fenô. Descobrirei, enfim, quais verdades ocultas se escondem por trás daquele chinelo. Não o pai, nem a mãe, só o chinelo, enquanto chinelo. Tá ligado?

O CHINELO

(Publicado no jornal da PUC)

por Antonio Prata

Pediram-me que escrevesse um texto para o jornal da PUC, na qualidade de ex-aluno. Disse que adoraria, mas seria impossível, pois esse belo e almejado epíteto, “ex-aluno”, ainda se encontra em algum nebuloso ponto do futuro. Com meu método slow-motion de graduação, trancando e destrancando a faculdade, enredado em trabalhos, contornando os acasos e descasos que se interpõem entre mim e o sonhado terceiro grau completo, eis que a PUC faz sessenta anos e eu quase comemoro uma década dentro dela. Sinto-me como um desses filhos que não casam e ficam eternamente morando com a mãe. Penso até em seguir aquelas dicas de livro de auto-ajuda e, fazendo da dificuldade um incentivo, pintar numa camiseta o brasão da PUC e a frase: “Antonio, since 1998″.

Houve certa vez uma tarde, triste tarde, lá se vão dois verões, em que achei que estivesse formado. Cheguei na secretaria, cheio de prosa, perguntando, “e aí, moça, onde é que eu assino?”. Enquanto ela puxava meu currículo, eu batucava no balcão e assobiava “viver e não ter a vergonha de ser feliz/ cantar e cantar e… (breque)” – o samba atravessou assim que o rosto da amável funcionária começou a tomar uma expressão de médico diante da tomografia, adiando o momento de dar a má notícia. “Vejo aqui algumas pendências”, disse ela. Pendências? Como assim, pendências?! “Geografia”… Mas tem geografia em Ciências Sociais?! “Espaço interdisciplinar II…” Dois? Tem dois?!!! “Sociologia dez…” Já não fiz essa matéria? “Motricidade humana…” Motri… O que?! Antes que ela, voltando no tempo em sua enumeração, encontrasse algum problema com uma nota de química do segundo grau e eu acabasse tendo que voltar para o colegial, resolvi sair correndo. Só parei na Cardoso de Almeida onde, agachado e sem ar, lembrei-me de como continuava o samba do Gonzaguinha: “não ter a vergonha de ser um eterno aprendiz”. Pois é.

Embora tenha que aceitar risos de desdém de minha irmã mais nova (quase no fim do mestrado), e suspeite um olhar enviesado da garota do xerox (como quem diz, “você, ainda aqui???”), levar tantos anos na faculdade tem suas vantagens. A maior delas é que, mais um pouco, passarei direto da carteira de estudante para a de aposentado, gozando assim por toda a vida do benefício da meia entrada. Além disso, se o passar dos anos me deixa em desvantagem em relação a meus jovens colegas durante as tais aulas de motricidade humana, a experiência certamente me fez acumular muitas histórias para contar no jornal da PUC – caso desistam de me colocar como ex-aluno e me aceitem na qualidade de, digamos, aluno-perene.

Lembro, por exemplo, do primeiro dia de aula, no final do século passado. Éramos muitos, a classe pequena e fazia calor. Uma aluna bem intencionada sugeriu fazermos um abaixo assinado, pedindo ventiladores à reitoria. Assinarmos numa folha de caderno e a garota dirigiu-se ao centro acadêmico, a fim de datilografar nossa justa reivindicação. Voltou de lá uma hora e meia depois, com os olhos arregalados e um texto de duas páginas, resultado da ajuda que um guerrilheiro maoísta do CA tinha dado na “digitação”. Começava assim (lembre-se, nós queríamos apenas ventiladores): “A educação no Brasil sofre diversos ataques dos governos que aí estão. Exemplos disso não faltam. Só no ano passado, o governo de São Paulo demitiu…” E nessa toada ia até o fim, denunciando “o sucateamento da educação”, o “fascismo neo-liberal” e outras milongas, visando não a aquisição de ventiladores (reformistas! Reformistas!), mas a derrocada do capitalismo global (revolución! Revolución!). No fim, em tom grandiloquente e ameaçador, o texto dizia: “Por isso exigimos, imediatamente: A) A divisão da turma em dois. B) Ventiladores.” Sem entrar no mérito da derrocada do capitalismo global (discussão que poderia levar algum tempo), perguntei qual a razão de pedirmos a divisão da turma, se queríamos apenas ventiladores? “Pois é”, disse mi-ha colega, arfante, “eu também disse isso pro cara, mas ele falou que a gente tinha que dar uma alternativa para a reitoria, senão eles não teriam como negociar”. Após breve assembléia, chegamos à conclusão de que se era realmente necessário apresentarmos uma alternativa, o pedido iria assim: “A) Um frigobar cheio de Boêmias e Chicabons. B) Ventiladores”. Se eles fechassem com o frigobar, não oporíamos resistência. Uma semana depois, infelizmente, dois reluzentes Ventisilva, afixados na parede, assopraram para longe as cervejas e picolés de nossa utopia pequeno burguesa.

No ano seguinte tivemos a sorte de dividir a classe com uma turma de psicologia. Nós de noite, elas de tarde. Nunca os alunos de ciências sociais foram tão pontuais. Antes das sete já estávamos todos na porta, olhando pela janelinha, os superegos apitando feito panelas de pressão diante de nossos ids borbulhantes. Termos esses que, eu viria a descobrir dias depois, decepcionado, não causavam boa impressão sobre as futuras psicólogas.

Eu estava, por um grato acaso, numa mesa cheia daquelas alunas, num bar da Vila Madalena. Como havíamos lido Mal estar na civilização aquele semestre, achei que poderia ser um assunto interessante. Que nada. Foi só começar a falar e elas me olharam com profundo desdém. “Vocês não gostam de Freud?”, perguntei, sem entender. “Não”, elas disseram, em coro. “Mas então, do que vocês gostam?” “Fenô”, responderam, sempre unidas. Fenô??? What the hell is fenô?!. “Fenomenologia”, disse uma delas, ajeitando graciosamente os cabelos atrás de uma orelha. E do que trata a fenomenologia? “Tipo assim… Imagina um chinelo”. Um chinelo??? “É, um chinelo jogado num canto. Freud vai olhar pra esse chinelo e perguntar quem é a mãe do chinelo, o pai do chinelo, os avós do chinelo” – e nesse ponto todas faziam cara de fastio diante do laborioso escrutínio freudiano acerca da genealogia do chinelo – “já a fenô, não.” A garota sorriu, arrumou mais uma vez o cabelo e, como um toureiro que dá o golpe de misericórdia no touro moribundo – eu – terminou de explicar: “A fenô olha pro chinelo e tenta entender o chinelo mesmo, tá ligado? O chinelo do jeito que ele é, do jeito que ele tá. O chinelo enquanto chinelo. E só.” Olé!

Queria dizer “claro, como pude me iludir com as teorias ultrapassadas de Freud? Ouvindo agora, eu percebia, era fenô desde criancinha”. As garotas, no entanto, se levantaram e foram embora, com suas saias curtas e cabelos longos, me deixando ali, sem pai nem mãe, mais abandonado que o chinelo fenomenológico. Até hoje, quando ouço a palavra fenomenologia, um chinelo imediatamente atravessa a tela do meu pensamento. Um chinelo velho, de couro, como convém a um filósofo que se preze.

Este semestre, após longo afastamento, destranquei a matrícula e voltarei à faculdade. Faltam apenas seis matérias e há grandes chances de que, em meados de 2007, eu já tenha direito a cela especial e a olhares mais respeitosos de minha irmã mais nova e da moça do xerox. Não sentirei mais vergonha de que vejam meu número de matrícula na lista de chamada, denunciando-me como um remanescente do século passado. (Sempre acho que vão me perguntar se tive aula com Florestan Fernandes ou se estava na PUC na invasão de Erasmo Dias). Poderei, enfim, escrever terceiro grau completo nas fichas de crediário e respirar tranquilamente se desbaratarem a usina de enriquecimento de urânio que tenho aqui em meu quintal.

Suspeito que, depois do alívio pelo diploma, virá um profundo sentimento de vazio. Como poderei viver sem o ranger dos degraus do prédio velho sob meus pés? O que farei com a saudade das noites em que, enquanto o resto da humanidade assistia a novela das oito, meia dúzia de gatos pingados discutiam fervorosamente o movimento dos colares entre os trobriandeses, a eficiência dos DASP (e DASPi-nhos) no governo Getúlio Vargas, a função das nádegas na aceitação da morte – segundo Bakhtin?

Só tem um jeito. Assim que me formar, entro no mestrado, garantindo, quem sabe, mais uns dez anos em torno do glorioso pátio da cruz. Já sei até a que tema me dedicarei: fenô. Descobrirei, enfim, quais verdades ocultas se escondem por trás daquele chinelo. Não o pai, nem a mãe, só o chinelo, enquanto chinelo. Tá ligado?

PAZ E AMOR


O médico e o mecânico

Um mecânico está desmontando o cabeçote de uma moto,
quando ele vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido.
Ele está olhando o mecânico trabalhar.
Então o mecânico pára e pergunta:
-"Ei, doutor, posso lhe fazer uma pergunta?"
O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e vai até a moto na qual o mecânico está trabalhando.
O mecânico se levanta e começa:
- "Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro válvulas, conserto-as, ponho-as de Volta e fecho novamente, e, quando eu termino, ele Volta a trabalhar como se fosse novo. Como é então, que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, quando nosso trabalho é praticamente o mesmo?"
Então o cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala bem baixinho para o mecânico:
-"Tente fazer isso, com o motor funcionando!"

Conclusão:
"Quando a gente pensa que sabe todas as respostas,
vem a vida e muda todas as perguntas"

PROPAGANDAS INTELIGENTES DE UM SACOLÃO













SE VOCÊ NÃO GOSTA DE GÍRIAS, FALE DIFÍCIL!!!

1 - Prosopopéia flácida para acalentar bovinos.
(Conversa mole pra boi dormir);


2 - Colóquio sonolento para bovino repousar.
(História pra boi dormir);


3 - Romper a face.
(Quebrar a cara);


4- Creditar o primata.
(Pagar o mico);


5 - Inflar o volume da bolsa escrotal.
(Encher o saco);


6 - Derrubar, com a extremidade do membro inferior, o suporte sustentáculo de uma das unidades de acampamento.
(Chutar o pau da barraca);


7 - Deglutir o batráquio.
(Engolir o sapo);


8 - Derrubar com intenções mortais.
(Cair matando);


9 -Aplicar a contravenção do Dr.. João, deficiente físico de um dos membros superiores.
(Dar uma de João sem braço);


10 -Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira.
(Nem a pau);


11 - Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.
(Nem que a vaca tussa);


12 - Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente.
(Chutar o balde);


13 - Retirar o filhote de eqüino da perturbação pluviométrica.
(Tirar o cavalinho da chuva);


Essa última foi tirada do mais culto livro de palavras clássicas da língua portuguesa:

14 - A bucéfalo de oferendas não perquiris formação ortodôntica!
(A cavalo dado não se olham os dentes!);


Aqui vai outra que entendemos ser de agrado do povo das letras (he, he, he)

ADVERTÊNCIA PARA FINS DE SEMANA OU FERIADOS:

15 - O orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade.

(...de bêbado não tem dono.)

sábado, julho 09, 2011

CLODOALDO CLAY NUNES

A Marcha para Jesus, a Parada Gay e os medos

A Marcha para Jesus, evento convocado por várias denominações evangélicas e que acontece anualmente em São Paulo, reuniu muita gente ontem. Os organizadores falaram em 5 milhões. É um possível exagero. A Polícia Militar, em 1 milhão, mas esse número, deixou claro, dizia respeito apenas às pessoas que se concentravam na praça Heróis da FEB, na Zona Norte da cidade, local de chegada da caminhada. O ponto principal da concentração, a partir das 10h, era a Praça da Luz. Mas havia dezenas deles espalhados no trajeto. As ruas foram tomadas por um mar de fiéis.

Cinco milhões? É muito! Um milhão? É pouco! A verdade deve andar aí pela metade da soma dos dois números (3 milhões?), o que já é algo fabuloso, sobretudo porque, à diferença de algumas concentrações festivas ou de apelo carnavalesco, esta congrega pessoas com convicções religiosas, realmente engajadas na causa. Dispensam-se os curiosos de certos eventos, que ficam parados na calçada assistindo ao desfile de alegres bizarrices.

A marcha acontecia na Avenida Paulista e adjacências. Dados o número de pessoas e os transtornos óbvios que ela provocava no trânsito da cidade, as lideranças evangélicas concordaram com a mudança de lugar. Como Deus, a rigor, não precisa nem mesmo de um templo, também não precisa da Paulista. A tal Parada Gay, no entanto, que também reúne milhões (boa parte de curiosos) e que interfere drasticamente no direito de ir e vir, continua a ser realizada na avenida. Em nome de Deus, não se pode parar o trânsito, mas da causa gay, sim, de onde decorre um corolário: no que concerne ao direito de ir e vir ao menos, a militância homoafetiva está acima do divino… E o mesmo se diga dos que marcham em favor da maconha: a Paulista está vedada ao Deus cristão, mas aberta aos, como é mesmo?, cultores de Jah… Como não resisto à ironia, é nessas horas que me ocorre lembrar certos doutores: todos os deuses dos gentios são demônios (xiii, lá vem protesto dos ignorantes que nem sabem do que estou falando…).

De saída, uma questão óbvia: ou a Marcha para Jesus volta para a Paulista, ou a Parada Gay sai da Paulista. E quem criou essa oposição não fui eu, mas o poder público. Adiante.

Vocês sabem que o segredo de aborrecer é dizer tudo. Embora, do Jornal Nacional, tenha sobrado a impressão de que milhões estavam nas ruas só dando “vivas” a Jesus, a verdade é que o evento se caracterizou por duros discursos contra o Supremo Tribunal Federal, especialmente pela reconhecimento da união civil entre homossexuais e pela liberação da Marcha da Maconha — uma decisão fere o Artigo 226 da Constituição; a outra, o Artigo 287 do Código Penal.

Informa a Folha:
“O pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, chegou a recomendar aos fiéis que não votem em políticos que sejam favoráveis à união gay. ‘O povo evangélico não vai ser curral eleitoral’, disse. ‘Se governador, prefeito ou presidente for contra a família, não terá nosso voto.’ Para Malafaia, o Supremo ‘rasgou a Constituição’ ao permitir a união civil entre homossexuais. O pastor negou que seja homofóbico. No Congresso, 71 deputados e três senadores são ligados a igrejas evangélicas. (…) Pastor da Igreja Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) criticou o ‘ativismo judicial’ e disse que ‘não é possível que seis iluminados se julguem capazes de decidir por 200 milhões’.”

Aqui só um reparo ao que diz Crivella: os 11 do Supremo têm, sim, o papel de decidir questões constitucionais que dizem respeito a 200 milhões. O que não podem fazer, aí sim, é atuar contra a letra da Constituição e dos códigos legais em nome do tal “ativismo judicial” ou o que seja. Até porque, havendo ativismo judicial de um lado, é quase certo que algum outro Poder — no caso, o Congresso — está a padecer de “passivismo legislativo”… E como eu não seria eu se não escrevesse o que vai agora, então escrevo: Crivella é da Universal do Reino de Deus, a seita liderada pelo lulista Edir Macedo. Macedo é um ardoroso defensor do aborto, como se pode ver aqui. E não tem pejo de recorrer à Bíblia, numa leitura torta, para justificá-lo. Eu diria que a defesa do aborto é uma violação da Constituição moral dos cristãos. Encerro o parágrafo e volto ao leito.

Este Brasil que marchou ontem costuma ser tratado a pontapés na “imprensa progressista”, tanto quanto aquele que marchará depois de amanhã parece carregar todos os valores do humanismo superior, embora ninguém tenha dúvida de qual deles está de acordo com os valores da esmagadora maioria dos brasileiros. Atenção! A maioria não está necessariamente certa só porque maioria — aliás, a história ensina que pode, eventualmente, estar estupidamente errada. Mas é de uma soberba estupenda que valores solidamente arraigados na cultura brasileira sejam tratados apenas como uma tolice do senso comum a ser superada por um ente de razão civilizador, que vai educar o povo ex officio.

Tenho para mim que as atuais oposições só voltarão ao poder no Brasil no dia em que não tiverem mais medo dos que marcharam ontem nem dos que marcharem depois de amanhã. São medos diferentes, evidentemente, mas que se combinam: num caso, a oposição teme parecer reacionária; no outro, teme não parecer progressista; em qualquer caso, fica imobilizada. Os crentes e os gays vão para a praça, e os oposicionistas ficam dando milho aos pombos…

Por Reinaldo Azevedo

PLC 122

O TEXTO PRECONCEITUOSO DE GILBERTO DIMENSTEIN CONTRA OS EVANGÉLICOS


Gilberto Dimenstein, para manter a tradição — a seu modo, é um conservador, com sua mania de jamais surpreender — , resolveu dar mais uma contribuição notável ao equívoco ao escrever hoje na Folha Online sobre a Marcha para Jesus e sobre a parada gay. Segue seu texto em vermelho. Comento abaixo..

São Paulo é mais gay ou evangélica?
Sem qualquer investimento voluntário na polissemia, é um texto tolo de cabo a rabo; do título à última linha. São Paulo nem é “mais gay” nem é “mais evangélica”. Fizesse tal consideração sentido, a cidade é “mais heterossexual” e “mais católica”, porque são essas as maiorias, embora não-militantes. Ora, se a diversidade é um dos aspectos positivos da cidade, como sustenta o articulista, é irrelevante saber se a cidade é “mais isso” ou “mais aquilo”, até porque não se trata de categorias excludentes. Se número servisse para determinar o “ser” da cidade — e Dimenstein recorre ao verbo “ser” —, IBGE e Datafolha mostram que os cristãos, no Brasil, ultrapassam os 90%.

Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da idéia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.
Nessas poucas linhas, o articulista quer afastar a suspeita de que seja preconceituoso. Está, vamos dizer assim, preparando o bote. Vamos ver.

Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.
Está tudo errado! Pra começo de conversa, que história é essa de que “é um direito” dos evangélicos “não respeitar” os direitos dos gays? Isso é uma boçalidade! Nenhum evangélico reivindica o “direito” de “desrespeitar direitos” alheios. A frase é marota porque embute uma acusação, como se evangélicos reivindicassem o “direito” de desrespeitar os outros.
Agora vamos ver quem quer tirar o direito de quem. O tal PLC 122, por exemplo, pretende retirar dos evangélicos — ou, mais amplamente, dos cristãos — o direito de expressar o que suas respectivas denominações religiosas pensam sobre a prática homossexual. Vale dizer: são os militantes gays (e não todos os gays), no que concerne aos cristãos, que “reivindicam uma sociedade com menos direitos e menos diversidade”. Quer dizer que a era da afirmação das identidades proibiria cristãos, ou evangélicos propriamente, de expressar a sua? Mas Dimenstein ainda não nos ofereceu o seu pior. Vem agora.

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.
Milhões de evangélicos se reuniram ontem nas ruas e praças, e não se viu um só incidente. A manifestação me pareceu bastante alegre, porém decorosa. Para Dimenstein, no entanto, a “alegria”, nessa falsa polarização que ele criou entre gays e evangélicos, é monopólio dos primeiros. Os segundos seriam os monopolistas do “ranço um tanto raivoso”. Ele pretende evidenciar o que diz por meio da locução conjuntiva causal “já que”, tropeçando no estilo e no fato. A marcha evangélica, diz, “faz ataques a diversos segmentos da sociedade” — neste ano, “o STF”. O democrata Gilberto Dimenstein acredita que protestar contra uma decisão da Justiça é prova de ranço e intolerância, entenderam? Os verdadeiros democratas sempre se contentam com a ordem legal como ela é. Sendo assim, por que os gays estariam, então, empenhados em mudá-la? No fim das contas, para o articulista, os gays são naturalmente progressistas, e tudo o que fizerem, pois, resulta em avanço; e os evangélicos são naturalmente reacionários, e tudo o que fizerem, pois, resulta em atraso. Que nome isso tem? PRECONCEITO!

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários.
Bem, chego a duvidar que Gilberto Dimenstein estivesse sóbrio quando escreveu essa coluna. Não há?

Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança.
Em qualquer país do mundo democrático, questões religiosas e morais se misturam ao debate eleitoral, e isso é parte do processo. Políticos também desfilam nas paradas gays, como todo mundo sabe.

Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertar com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.
Todos sabem que o PT é o grande incentivador dos movimentos gays. Como é notório, trata-se de um partido acima de qualquer suspeita, jamais envolvido em falcatruas, que pauta a sua atuação pelo mais rigoroso respeito às leis, aos bons costumes e à verdade.

Nada contra –muito pelo contrário– o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.
Gilberto Dimenstein precisa estudar o emprego do infinitivo flexionado. A inculta e bela virou uma sepultura destroçada no trecho acima. Mas é pior o que ele diz do que a forma como diz. Que história é essa de “nada contra”? Sim, ele escreve um texto contra o direito de manifestação dos evangélicos. O fato de ele negar que o faça não muda a natureza do seu texto. Ora, vejam como os militantes gays são bonzinhos — querem que todos sejam alegres —, e os evangélicos são maus: pretendem tolher a livre manifestação do outro. SÓ QUE HÁ UMA DIFERENÇA QUE A ESTUPIDEZ DO TEXTO DE DIMENSTEIN NÃO CONSIDERA: SÃO OS MILITANTES GAYS QUE QUEREM MANDAR OS EVANGÉLICOS PARA A CADEIA, NÃO O CONTRÁRIO. São os movimentos gays que querem rasgar o Artigo 5º da Constituição, não os evangélicos.

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica.
Hein??? A conclusão, obviamente, não faz o menor sentido nem decorre da argumentação. Aquele “portanto” dá a entender que o autor demonstrou uma tese. Bem, por que a conclusão de um texto sem sentido faria sentido? Termina tão burro e falacioso como começou.

Por Reinaldo Azevedo