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segunda-feira, julho 11, 2011

Liberte-se!

O que é ser livre? Ter liberdade? Será que podemos dizer que somos livres? Lógico que não, ninguém é livre totalmente, mesmo aquele que mora sozinho e não deve satisfação para ninguém não é livre por completo.

A privação da liberdade começa muito antes de nascer. Quem determina o seu sexo, sua aparência, o dia que do seu nascimento ou da sua morte, seu nome, sua situação financeira, etc. Como entender esta aleatoriedade da vida? Pois ela é a primeira a roubar a nossa liberdade.

Junto com ela está a intervenção de terceiros. Outros tomam decisões em nossos lugares, muito quando pequenos, menos quando adultos e mais quando velhos, e muitos nunca na vida irá tomar 100% das decisões da sua existência. E assim, entregam parte da sua liberdade para alguém. Correndo lado a lado está o adestramento.

Nossa vida é um processo de aprendizado, certo que no início é com maior intensidade. Neste aprendizado podemos ser instruídos para liberdade ou para retração. Nossa educação pode nos levar ao raciocínio, à crítica e nos tirar do senso comum. Assim podemos analisar com mais ênfase a nossa vida, a situação ao nosso redor e não aceitar comportamentos, imposições e muitas outras coisas que encarcera a liberdade.

Alguns são modelados para retração. Desde a infância a sua opinião, seus pensamentos e sua vontade são abafados pela ditadura dos pais. Por outro lado se for criado sem parâmetros se tornará “gado”, massa de manipulação, pois não foi preparado para uma estrutura familiar e social, é uma folha seca ao vento, quase um selvagem.

No final temos outras privações da liberdade. O governo nos imposta, isto é, determina o quando temos que pagá-lo para viver e as coisas ter. A sociedade tem suas regras para nos limitar, ou seja, por causa dos outros nossa liberdade é privada e por nossa causa a liberdade de outros também é limitada, lembrando Sartre, ‘o nosso inferno são os outros’, isto é, o outro não age como eu quero ou suas ações prejudicam as minhas infernizando minha vida. E como o ser humano é um ser social, necessita da interação com seus semelhantes, jamais será totalmente livre.

A minha liberdade termina quando começa a liberdade do meu próximo. MENTIRA! A minha liberdade e a do meu próximo caminham juntas. A sociedade apenas modela as pistas das nossas liberdades, ou seja, na enorme estrada da vida há faixas de rolamento para todos andarem com liberdade e de forma que nenhum invada a faixa do outro, como raias de uma piscina de natação.

Opa! O assunto não é LIBERTE-SE? É, mas a ideia é mostrar que não somos livres totalmente, entretanto podemos libertar nosso ser de muitas coisas. Primeiro temos que reconhecer nossos limites, Ricardo Peter no seu livro ‘Respeita os teus limites’ diz que “a perspectiva do limite re-orienta a pessoa para aquilo que realmente é. Não sofremos uma limitação; ao contrário, aceitamos nossa própria realidade limitada, algo essencial: o próprio eu. O limite é a consistência da insuficiência”. Sendo assim, temos que nos libertar da aleatoriedade da vida, não significa que não seremos mais suas vítimas, mas aprendemos a lidar com ela. Como já disseram, “não me diga o que a vida fez com você, mas o que você fez daquilo que a vida te causou”. Um homem perde a perna e com isto perde a liberdade de caminhar. Contudo, temos exemplos de pessoas que não tem as pernas e andam com próteses, tem um que é atleta e corre com duas próteses. Esta é a liberdade que combate a aleatoriedade.

Já sobre a intervenção de terceiros é a principal e mais complicada situação, pois se a pessoa foi reprimida desde criança, sempre será uma fácil vítima de possíveis cativeiros. Infelizmente a liberdade não paira sobre a mente e o coração de pessoas que não são ensinadas para contra por o senso comum e a intromissão de outros.

Temos que agüentar o próximo, mesmo porque ele também tem que nos agüentar, e o caminho é o respeito. E o governo? Este é complicado, pois a voz dos livres só terá eco se estes forem muitos. Temos um ‘limite’ para a imposição dos governantes, sabemos que temos compromissos com a sociedade, contudo não podemos dizer amém para tudo que nos é imposto e é ai que entra em cena nossa liberdade. A liberdade de dizer não e lutar contra, e para isto precisamos ser maioria.

Liberdade, algo tão desejado e tão complicado para se desfrutar, entretanto, com sabedoria e esforço conseguimos conquistar grande parte deste conteúdo que é o sonho de muitos, contudo, outros muitos preferem a dependência e a submissão, pois com a liberdade não se tornam livres, e sim caminham a passos largos para a incoerência e a perdição.

CLODOALDO CLAY NUNES

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